Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
- Código
- vu184632
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Sorocaba
- Ano
- 2023
- Cargo
- Eng ( )
Além da educação
O acesso à educação é desigual, assim como o ensino oferecido ou as condições de aprender. Faz meio século, sabe-se também que os anos e a qualidade do estudo são um determinante de disparidades salariais e sociais em geral.
Mais recentemente, nota-se que mesmo a igualdade de anos de instrução pode não nivelar os chamados retornos da educação, ou seja, os incrementos de renda devidos ao aumento da formação educacional. Pior, essa disparidade pode se prolongar por gerações.
No recém-publicado estudo “Um Índice de Iniquidade de Educação”, Guilherme Lichand e Maria Eduarda Perpétuo, da Universidade de Zurique, e Priscila Soares, da Universidade de São Paulo, mostram como o mesmo progresso educacional implica ganhos de rendimento do trabalho desiguais para diferentes grupos sociais.
No trabalho, comparam-se a variação e a acumulação dos retornos da educação dos 10% mais ricos da população brasileira com as dos 50% mais pobres; os de brancos e amarelos ante os de negros e indígenas; e de homens em relação a mulheres.
Conclui-se que, desde 1980, os 10% de domicílios mais ricos ficaram com cerca de dois terços dos retornos da educação primária e secundária, em relação aos 50% mais pobres. Ademais, a iniquidade em geral tem crescido.
Essas diferenças históricas afetam novas gerações porque suas mães e seus pais não podem oferecer o mesmo nível de formação das elites em casa, por exemplo, ou até porque o insucesso relativo certamente reduz as aspirações de crianças e jovens dos grupos socialmente prejudicados.
Outros fatores podem influenciar o progresso socioeconômico: relações sociais privilegiadas, discriminação sistemática, habilidades socioemocionais diferenciadas ou herança patrimonial. A tarefa de reduzir a presente desigualdade entre jovens e crianças é, portanto, acrescida da remoção do peso de diferenças históricas.
(Editorial. Folha de S.Paulo. 11.09.2022. Adaptado)
- Aa determinação de famílias socialmente vulneráveis em buscar meios de romper esse quadro de desigualdade.
- Ba insignificância da educação para a desigualdade quando considerados outros problemas sociais históricos.
- Ca correção, ainda que lenta, do quadro de diferenças históricas quanto à distribuição de renda entre as classes.
- Do desinteresse da classe mais vulnerável pela educação como resultado da manutenção de outras diferenças históricas.
- Eo desalento de jovens de estratos vitimados pela diferença de ganhos resultantes dos estudos quanto às suas aspirações.