Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184636
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2023
Cargo
Esc (Piracicaba)
A intimidade artificial virou o mal do século
Esther Perel, psicóloga belga, desenvolveu o fascinante tema da “intimidade artificial”. Seu argumento é que estamos vivendo nossas vidas em permanente estado de atenção parcial. Quando nos relacionamos com nossos amigos, amantes ou familiares nunca estamos 100% presentes. Nossa atenção está sempre dividida entre as pessoas e o nosso celular, mídias sociais, alertas de mensagem e assim por diante. Nesse contexto não é possível intimidade real.
As mídias sociais e nosso celular funcionam como anestesia seletiva para as relações humanas. Queremos as partes boas do convívio, que são do nosso interesse, mas evitamos ao máximo atritos, conversas desconfortáveis, tédio etc. Sempre que algo desconfortável começa a se materializar, partimos para o mundo confortável e controlado do celular, que nos distrai do que é verdadeiramente humano.
Uma pesquisa realizada nos EUA em 2019 apontou que 22% dos jovens têm hoje zero amigo. 25% dizem não ter nenhum conhecido. Muitos têm um número de seguidores gigantesco em redes sociais, mas amigos mesmo, nenhum. Em gerações anteriores o número dos sem-amigos girava em torno de 9%. Não é por acaso que ansiedade e depressão são um dos assuntos que mais circulam em mídias sociais hoje entre adolescentes e também crianças. Na era da intimidade artificial, não são só as amizades que estão em risco, mas também as relações amorosas e familiares. Apertem os cintos para a sociedade da solidão, com consequências nefastas para todos os campos da vida humana.
(Ronaldo Lemos. Folha de S. Paulo, 19.03.2023. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. Com base no texto, é correto afirmar que a “intimidade artificial”
Aé uma ideia desenvolvida por uma psicóloga, a qual analisa a distância entre os membros de uma família, principalmente aqueles de diferentes gerações, causada pelas redes sociais.
Bdeve ser evitada a todo custo, pois cria imagens supérfluas que são divulgadas nas redes sociais, atingindo a autoestima de crianças e adolescentes de todo o mundo.
Cé consequência do fato de que dividimos a atenção entre as pessoas que estão ao nosso redor e o que acontece virtualmente na nossa rede de contatos e na internet em geral.
Dé consequência do medo que a maioria dos jovens tem atualmente de criar atrito nas relações e, com isso, ser “cancelada” nas redes sociais e ter sua reputação abalada.
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GabaritoC — é consequência do fato de que dividimos a atenção entre as pessoas que estão ao nosso redor e o que acontece virtualmente na nossa rede de contatos e na internet em geral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Intimidade artificial: a atenção dividida como causa
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto, pois parafraseia a definição central de “intimidade artificial” apresentada no 1º parágrafo: vivemos em “permanente estado de atenção parcial”, com a atenção “sempre dividida entre as pessoas e o nosso celular, mídias sociais, alertas de mensagem”. É essa divisão de atenção que, segundo o autor, “não é possível intimidade real” — ou seja, a intimidade artificial é consequência exatamente dessa fragmentação da atenção entre o presencial e o virtual.
O comando pede compreensão (“é correto afirmar”), não inferência: a resposta deve estar explícita no texto, apenas reescrita em paráfrase. Isso muda a estratégia: não se trata de deduzir causas ocultas, mas de localizar a passagem que define o conceito e conferir se cada alternativa reproduz fielmente essa definição — sem acrescentar, restringir ou inverter nada.
O texto desenvolve uma tese clara: a tecnologia (celular e mídias sociais) impede a intimidade real porque nos mantém em atenção parcial e funciona como “anestesia seletiva” — queremos só as partes boas do convívio e fugimos do desconforto. O 3º parágrafo traz dados sobre solidão (22% dos jovens sem amigos) e conclui com a “sociedade da solidão”. A questão, porém, mira especificamente a definição do conceito, que mora no 1º parágrafo.
A técnica que decide: teste cada alternativa perguntando “o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?”. A correta (C) é paráfrase direta do 1º parágrafo. As demais ou extrapolam (A, B, D) ou contradizem (D) o que está escrito. Vejamos cada uma.
Intimidade artificial
1Causa
Atenção dividida
Pessoas ao redor
Celular, mídias sociais, alertas
2Consequência
Não é possível intimidade real
3Característica (2º parágrafo)
Evita atritos, desconforto, tédio
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola e restringe o texto. Ela afirma que a psicóloga analisa a “distância entre os membros de uma família, principalmente aqueles de diferentes gerações” — nada disso está no texto. O 1º parágrafo diz apenas que Esther Perel desenvolveu o tema da “intimidade artificial” e que, ao nos relacionarmos com “amigos, amantes ou familiares”, nunca estamos 100% presentes. Não há menção a distância entre gerações nem a uma análise específica de família. A alternativa tangencia o tema (fala de família, que aparece no texto) mas acrescenta uma especificidade que o autor não abordou.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola e acrescenta opinião. O texto não diz que a intimidade artificial “deve ser evitada a todo custo” — o autor descreve o fenômeno e alerta para consequências nefastas, mas não prescreve uma ação. Também não há menção a “imagens supérfluas” nem a “autoestima de crianças e adolescentes de todo o mundo”. O 3º parágrafo menciona ansiedade e depressão entre adolescentes e crianças, mas não fala de autoestima nem de imagens divulgadas. A alternativa embute um juízo de valor (dever de evitar) e acrescenta dados que não estão no texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa é paráfrase fiel do 1º parágrafo. O texto afirma:
“estamos vivendo nossas vidas em permanente estado de atenção parcial... Nossa atenção está sempre dividida entre as pessoas e o nosso celular, mídias sociais, alertas de mensagem e assim por diante. Nesse contexto não é possível intimidade real.”
A alternativa C diz que a intimidade artificial é “consequência do fato de que dividimos a atenção entre as pessoas que estão ao nosso redor e o que acontece virtualmente na nossa rede de contatos e na internet em geral”. Isso é exatamente o que o texto afirma: a divisão de atenção entre o presencial e o virtual impede a intimidade real, gerando a artificial. Não há acréscimo, restrição ou inversão — apenas reescrita com outras palavras.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa contradiz o texto e extrapola. Ela afirma que a intimidade artificial é consequência do “medo que a maioria dos jovens tem atualmente de criar atrito nas relações e, com isso, ser ‘cancelada’ nas redes sociais”. O texto, no 2º parágrafo, diz que “evitamos ao máximo atritos, conversas desconfortáveis, tédio” — mas isso é apresentado como uma característica geral do comportamento humano na era digital, não como medo de cancelamento nem como causa da intimidade artificial. Além disso, o texto não menciona “cancelamento” nem “reputação abalada”. A alternativa troca o referente (atribui a “jovens” e a “medo de cancelamento” o que o texto diz de forma geral sobre “nós”) e acrescenta um conceito (cancelamento) que não está no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com dados reais do texto. As alternativas A, B e D usam palavras que aparecem no texto (família, redes sociais, atritos) mas acrescentam informações que não estão lá (distância entre gerações, autoestima, cancelamento). A correta exige localizar a definição no 1º parágrafo e conferir se a paráfrase é fiel.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife a definição do conceito-chave no texto antes de ler as alternativas. Depois, teste cada uma perguntando: “o texto diz isso, ou eu estou completando com o que sei do mundo?”. Se precisar completar, está errada.
Gabarito: letra C. A regra de ouro: a resposta de compreensão mora no texto — é paráfrase, não dedução. Toda alternativa que exigir acrescentar informação de fora (mesmo que verdadeira no mundo real) está errada por definição.