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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184645
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ana Sis (Peruíbe)

A caverna conectada

 

Sócrates explicava: “Imagine que todos os homens vivam em um mundo escuro, fracamente iluminado pelos seus smartphones. Tudo o que sabem das formas vem pela luz das telas. É uma imensa caverna onde só podem contemplar seus aparelhos”.

 

Glauco começava a conceber o ambiente. Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos, dancinhas, notícias falsas e trends*. Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas. Eles foram sendo adestrados a usar o indicador e passar adiante, sem análise. Na caverna, as coisas só existem se postadas.

 

“Que coisa terrível!”, comentava Glauco. “Que vida medonha essas pessoas levariam!” “Sim!”, disse o sábio calvo, “se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que veem, pensariam nomear seres reais?”. O discípulo consentiu.

 

“Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho e saísse para o mundo real. Seria um caminho árduo até lá fora. Em um primeiro instante, os olhos doeriam diante da luz real. Enfim, uma pessoa liberta veria o Sol do real e não mais mensagens com imagens (e um texto com emojis).”

 

O filósofo continuava a incentivar que Glauco navegasse na alegoria. “E se a pessoa que viu o mundo real voltasse para a caverna e começasse a dizer dos objetos concretos, mas não mais do critério do real dado por likes e seguidores? ‘Existe um mundo fora do algoritmo’, diria o ser iluminado. É possível comer sem fotografar e ver o mar sem postar. O que vemos são simulacros, representações. Há algo lá fora!”

 

O jovem Glauco amou a história. Imaginou com o mestre que o ser “iluminado” pelo Sol real seria desacreditado pelos outros habitantes da funda caverna. Sofreria até violência real.

 

Que aula Sócrates tinha dado! Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador e pediu uma selfie. Queria publicar no horário que lhe ensinaram a ter mais visualizações. Saiu da casa feliz. “O post sobre a prisão das redes está bombando!”, comentou Glauco, impactado com a sabedoria filosófica daquela república.

 

Melhorou a luz da foto, colocou uma música e pronto! Agora tinha esperança de viralizar nas redes!

 

(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 8 de julho de 2022.Adaptado)

 

* Trends: tendências.

Na situação hipotética que Sócrates apresenta a Glauco, os moradores da caverna
  1. Aconseguiam avaliar todas as informações transmitidas em seus aparelhos.
  2. Beram conectados com o mundo real, embora vivessem em completa escuridão.
  3. Catualizavam-se por meio dos smartphones a respeito do que ocorria no mundo real.
  4. Dviam nas telas de seus aparelhos o reflexo daquilo que havia na caverna.
  5. Eeram avaliados por Glauco como pessoas que queriam se livrar das representações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — viam nas telas de seus aparelhos o reflexo daquilo que havia na caverna.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A caverna conectada: o que os moradores viam nas telas

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que os moradores da caverna viam nas telas de seus aparelhos o reflexo daquilo que havia na caverna. O texto sustenta essa leitura no trecho em que Sócrates descreve: “Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos, dancinhas, notícias falsas e trends”. A palavra “refletidas” é a chave: o que os moradores contemplam são imagens refletidas — ou seja, representações, não a realidade em si. As demais alternativas ou extrapolam o texto ou contradizem o que está escrito.

O comando pede compreensão literal: “Na situação hipotética que Sócrates apresenta a Glauco, os moradores da caverna”. Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir, mas de localizar o que o autor afirma diretamente. A banca, porém, arma distratores que parecem plausíveis, mas que acrescentam ideias que o texto não contém — o erro clássico da extrapolação.

O texto é uma releitura da alegoria da caverna de Platão, adaptada ao mundo digital. Sócrates imagina homens que vivem em um mundo escuro, iluminado apenas pelas telas dos smartphones. Eles nunca veem o mundo real, apenas imagens refletidas nos aparelhos. O texto diz: “Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas”. E ainda: “Na caverna, as coisas só existem se postadas”. Ou seja, a realidade deles é mediada pelas telas — eles veem reflexos, não o mundo diretamente.

A técnica para resolver: grife as palavras que indicam o que os moradores veem. No segundo parágrafo, está explícito: “Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas”. A alternativa D parafraseia exatamente isso: “viam nas telas de seus aparelhos o reflexo daquilo que havia na caverna”. A palavra “reflexo” é sinônimo de “imagem refletida”. Nenhuma outra alternativa se ancora tão diretamente no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação: alternativas que parecem plausíveis mas acrescentam informações ou juízos de valor que o texto não sustenta. A letra A, por exemplo, diz que os moradores “conseguiam avaliar todas as informações” — mas o texto afirma o contrário: eles eram “adestrados a usar o indicador e passar adiante, sem análise”.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que os moradores “conseguiam avaliar todas as informações transmitidas em seus aparelhos”. O texto, porém, diz o oposto: “Eles foram sendo adestrados a usar o indicador e passar adiante, sem análise”. Ou seja, eles não avaliavam as informações; apenas passavam adiante. A palavra “sem análise” é decisiva e inverte o sentido da alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que os moradores “eram conectados com o mundo real, embora vivessem em completa escuridão”. O texto afirma exatamente o contrário: “Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas”. Eles não têm contato com o mundo real; vivem apenas com as imagens das telas. A expressão “nunca viram o mundo” refuta diretamente a ideia de conexão com o real.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa diz que os moradores “atualizavam-se por meio dos smartphones a respeito do que ocorria no mundo real”. O texto não diz que eles se atualizavam sobre o mundo real; pelo contrário, eles veem apenas “imagens refletidas” e “notícias falsas”. Não há menção a que essas imagens correspondam ao que ocorre no mundo real. A alternativa acrescenta uma informação que o texto não sustenta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel do texto. O texto diz: “Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos, dancinhas, notícias falsas e trends”. A alternativa D afirma que os moradores “viam nas telas de seus aparelhos o reflexo daquilo que havia na caverna”. A palavra “reflexo” é sinônimo de “imagem refletida”. Além disso, o texto reforça: “Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas”. Ou seja, o que eles veem são representações (reflexos), não a realidade. A alternativa D é a única que se ancora diretamente nessa passagem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa diz que os moradores “eram avaliados por Glauco como pessoas que queriam se livrar das representações”. O texto não diz isso. Glauco comenta: “Que coisa terrível! Que vida medonha essas pessoas levariam!” — mas isso é uma avaliação sobre a vida deles, não sobre o desejo de se livrar das representações. Além disso, o texto não menciona que os moradores queriam se livrar de algo; eles estão presos à caverna sem consciência disso. A alternativa acrescenta uma motivação que não existe no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão literal, desconfie de alternativas que usam palavras como “todos”, “sempre”, “nunca” ou que acrescentam intenções e motivações. A resposta correta é sempre uma paráfrase de uma passagem explícita — nada mais, nada menos.

Gabarito: letra D.

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