Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184648
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )
aqui
nesta pedra
alguém sentou
olhando o mar
o mar
não parou
pra ser olhado
foi mar
pra tudo quanto é lado
(Paulo Leminski, Caprichos e relaxos)
Leia o poema para responder à questão. Os versos finais do poema – foi mar / pra tudo quanto é lado – permitem entender que o mar
Ase espantou com os olhares ao tocar rudemente a pedra.
Bse movimentou timidamente devido à admiração humana.
Cse espalhou e atingiu tudo o que encontrou a sua frente.
Dse moveu violentamente e aterrorizou as pessoas.
Ese mostrou plácido para as pessoas que o contemplavam.
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GabaritoC — se espalhou e atingiu tudo o que encontrou a sua frente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Interpretação do poema de Paulo Leminski
Gabarito: letra C. Os versos finais "foi mar / pra tudo quanto é lado" indicam que o mar se espalhou, alcançando todas as direções, o que corresponde à ideia de "se espalhou e atingiu tudo o que encontrou a sua frente". A expressão "pra tudo quanto é lado" é uma forma popular de dizer "para todos os lados", reforçando a ideia de expansão e abrangência.
O comando pede que se entenda o que os versos finais permitem concluir sobre o mar. Trata-se de uma questão de compreensão (informação explícita no texto), não de inferência profunda. A resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem acrescentar elementos que não estejam no poema.
O poema descreve uma cena simples: alguém sentou numa pedra olhando o mar. O mar, por sua vez, "não parou / pra ser olhado" — ou seja, não se deteve para ser contemplado; ele simplesmente "foi mar / pra tudo quanto é lado", isto é, continuou sendo mar em todas as direções, espalhando-se por toda parte. A ideia central é a indiferença do mar diante do observador: ele não se modifica para agradar ou impressionar ninguém; ele simplesmente é o que é, em toda a sua extensão.
A técnica para resolver é: grife as palavras-chave do trecho citado e busque a alternativa que as parafraseie sem introduzir juízos de valor ou sentimentos. "Pra tudo quanto é lado" = "para todos os lados" = "se espalhou e atingiu tudo o que encontrou pela frente". As demais alternativas atribuem ao mar reações humanas (espanto, timidez, violência, placidez) que o texto não menciona — são extrapolações.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de "humanizar" o mar (personificação). O poema não diz que o mar sentiu algo; ele apenas "foi mar pra tudo quanto é lado". Qualquer alternativa que atribua emoção ou intenção ao mar está extrapolando.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, a resposta correta é sempre uma paráfrase — reescrita fiel, sem acréscimos. Desconfie de alternativas que "enfeitam" o texto com sentimentos ou julgamentos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não diz que o mar "se espantou" nem que "tocou rudemente a pedra". A pedra aparece apenas como o lugar onde alguém sentou; não há qualquer relação de contato agressivo entre mar e pedra. A alternativa inventa uma reação emocional (espanto) e um movimento brusco que não estão no poema.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. "Timidamente" e "admiração humana" são elementos que o texto não traz. O poema afirma que o mar "não parou pra ser olhado", ou seja, ele não se importa com o observador; não há timidez nem admiração. A alternativa projeta sentimentos humanos no mar, o que o texto não autoriza.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel. O verso "foi mar / pra tudo quanto é lado" significa literalmente que o mar se estendeu para todos os lados, ou seja, espalhou-se e atingiu tudo o que encontrou pela frente. A alternativa usa "se espalhou" e "atingiu tudo o que encontrou a sua frente", que são sinônimos contextuais de "pra tudo quanto é lado". Não há acréscimo de emoção ou intenção; é a leitura direta do trecho.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. "Violentamente" e "aterrorizou as pessoas" são invenções. O poema não menciona violência, medo ou pessoas aterrorizadas. A cena é contemplativa: alguém sentado olhando o mar. A alternativa atribui ao mar uma ação agressiva que não está no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. "Plácido" (calmo, sereno) é um adjetivo que o texto não usa. O poema diz que o mar "não parou pra ser olhado" — ele não está preocupado em agradar; simplesmente é. A alternativa introduz um juízo de valor (placidez) e uma finalidade (para as pessoas que o contemplavam) que não existem no original.
Conclusão: a questão cobra compreensão literal de uma expressão figurada. A única alternativa que se limita a parafrasear o trecho, sem acrescentar sentimentos ou ações não mencionadas, é a letra C. As demais caem na armadilha de personificar o mar, atribuindo-lhe emoções e comportamentos humanos que o poema não sustenta.