Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184649
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )
aqui
nesta pedra
alguém sentou
olhando o mar
o mar
não parou
pra ser olhado
foi mar
pra tudo quanto é lado
(Paulo Leminski, Caprichos e relaxos)
Leia o poema para responder à questão. No poema, há uma relação entre passado e presente, este marcado pelo emprego do termo
A“olhado”.
B“lado”.
C“alguém”.
D“aqui”.
E“parou”.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — “aqui”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dêixis e a relação passado/presente no poema de Leminski
Gabarito: letra D. O termo que marca o presente no poema é o advérbio “aqui”, pois ele ancora o enunciado no espaço/tempo do eu lírico, contrapondo-se ao passado expresso pelo pretérito “sentou”. Como se lê nos versos: “aqui / nesta pedra / alguém sentou” — o “aqui” situa o lugar de onde se fala (o presente da enunciação), enquanto “sentou” remete a uma ação concluída no passado.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique qual termo estabelece a relação entre passado e presente, sendo o presente marcado por esse termo. Isso é uma questão de compreensão (informação explícita no texto), mas exige que você perceba o valor dêitico das palavras: certos termos só ganham sentido pleno quando referidos à situação de fala (quem fala, onde, quando). O poema é curto, mas a banca explora exatamente essa sutileza.
O texto e o movimento argumentativo
O poema de Paulo Leminski é uma miniatura lírica: alguém sentou numa pedra olhando o mar; o mar, porém, não parou para ser olhado — simplesmente é mar, “pra tudo quanto é lado”. A oposição central está entre a ação humana pontual e passageira (sentar, olhar) e a existência permanente e indiferente do mar. Essa oposição se constrói linguisticamente pela alternância de tempos verbais: o pretérito “sentou” e o presente “é” (em “foi mar” — note que “foi” aqui tem valor de presente, “é”, no sentido de “existiu/existe”). O advérbio “aqui” abre o poema e situa o leitor no espaço do enunciador, no agora da enunciação.
A técnica que decide
A palavra-chave é dêixis: termos que dependem do contexto de enunciação para serem interpretados. “Aqui” é um dêitico espacial que, no poema, aponta para o lugar onde o eu lírico está — e, por extensão, para o tempo presente em que ele fala. Já “sentou” é um pretérito perfeito, que indica ação concluída. A relação passado/presente, portanto, é marcada pela combinação: o “aqui” (presente) + “sentou” (passado). As demais alternativas não têm esse valor: “olhado” é particípio (forma nominal), “lado” é substantivo, “alguém” é pronome indefinido, “parou” é verbo no pretérito — nenhum deles situa o enunciado no presente.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
“olhado” é uma forma nominal (particípio) do verbo olhar. No poema, aparece em “pra ser olhado”, referindo-se ao mar, mas não carrega nenhuma marca de tempo presente nem de dêixis. É apenas o complemento de uma locução passiva. Erro: troca de conceito — confunde forma verbal com marcador temporal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“lado” é um substantivo comum, usado na expressão “pra tudo quanto é lado” para indicar direção/extensão. Não tem relação com a oposição passado/presente. Erro: fora do escopo — a palavra não participa da relação temporal pedida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“alguém” é um pronome indefinido que indica uma pessoa não especificada. Ele é o sujeito da ação passada (“alguém sentou”), mas não marca o presente; pelo contrário, está ligado ao pretérito. Erro: troca de conceito — confunde o sujeito da ação com o marcador temporal.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“aqui” é um advérbio de lugar com função dêitica: aponta para o espaço do enunciador, que é o presente da enunciação. No poema, ele abre a cena — “aqui / nesta pedra” — e se contrapõe ao pretérito “sentou”, criando a relação passado/presente. O “aqui” é o ponto de ancoragem temporal do eu lírico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“parou” é um verbo no pretérito perfeito (“o mar não parou”). Ele indica uma ação concluída no passado, portanto marca o passado, não o presente. A alternativa inverte a relação pedida. Erro: contradiz o texto — atribui ao termo o valor oposto ao que ele tem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o advérbio de lugar “aqui” e sua função dêitica de marcar o presente do enunciador, em oposição ao passado indicado pelo pretérito “sentou”.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de poema, identifique os dêiticos (aqui, agora, eu, este) — eles ancoram o texto no presente da enunciação. Verbos no pretérito marcam passado; formas nominais (particípio, gerúndio) não marcam tempo.