Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184651
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )
Cidadania e Justiça
A cidadania, na lição do professor Dalmo de Abreu Dallari, expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo do seu povo.
Colocar o bem comum em primeiro lugar e atuar para a sua manutenção é dever de todo cidadão responsável. É por meio da cidadania que conseguimos assegurar nossos direitos civis, políticos e sociais.
Ser cidadão é pertencer a um país e exercer seus direitos e deveres.
Cidadão é, pois, o natural de uma cidade, sujeito de direitos políticos e que, ao exercê-los, intervém no governo. O fato de ser cidadão propicia a cidadania, que é a condição jurídica que podem ostentar as pessoas físicas e que, por expressar o vínculo entre o Estado e seus membros, implica submissão à autoridade e ao exercício de direito.
O cidadão é membro ativo de uma sociedade política independente. A cidadania se diferencia da nacionalidade porque esta supõe a qualidade de pertencer a uma nação, enquanto o conceito de cidadania pressupõe a condição de ser membro ativo do Estado. A nacionalidade é um fato natural e a cidadania obedece a um verdadeiro contrato.
A cidadania é qualidade e um direito do cidadão.
Na Roma Antiga, o cidadão constituía uma categoria superior do homem livre.
(Ruy Martins Altenfelder da Silva. Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 08.03.2023. Adaptado)
Texto
Com base na diferenciação que o autor faz entre cidadania e nacionalidade, é correto concluir que um cidadão
Aé um homem livre sem exercer a democracia, sendo esta um contrato social que limita os direitos do cidadão.
Bmantém a sua nacionalidade, ainda que deixe de exercer seus direitos e deveres na sociedade.
Cpode ser cidadão em qualquer país, desde que abra mão de sua nacionalidade, de seus direitos e deveres.
Dvive soberanamente dentro e fora de seu país, ainda que o exercício da cidadania se limite ao seu país de origem.
Eganha mais notoriedade cidadã fora de seu país, onde a nacionalidade impõe excesso de deveres com poucos direitos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — mantém a sua nacionalidade, ainda que deixe de exercer seus direitos e deveres na sociedade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cidadania e nacionalidade: a conclusão correta sobre o cidadão
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que afirma que o cidadão "mantém a sua nacionalidade, ainda que deixe de exercer seus direitos e deveres na sociedade". O texto sustenta essa conclusão ao diferenciar os dois conceitos: a nacionalidade é "a qualidade de pertencer a uma nação" (um fato natural), enquanto a cidadania é "a condição de ser membro ativo do Estado" (um contrato). Como a nacionalidade é um vínculo de pertencimento que independe do exercício de direitos, o cidadão não a perde por deixar de exercê-los — ele apenas deixa de exercer a cidadania plena.
O comando da questão
O enunciado pede uma conclusão baseada na diferenciação que o autor faz entre cidadania e nacionalidade. Isso significa que a resposta não está literalmente escrita em uma única frase, mas é uma inferência ancorada na distinção conceitual que o texto estabelece. O comando "é correto concluir" exige que você deduza uma consequência lógica daquilo que o autor afirma — não que localize uma informação explícita, nem que acrescente ideias de fora do texto.
O texto e a distinção central
O autor define os dois conceitos de forma contrastiva no 4º parágrafo:
"A cidadania se diferencia da nacionalidade porque esta supõe a qualidade de pertencer a uma nação, enquanto o conceito de cidadania pressupõe a condição de ser membro ativo do Estado. A nacionalidade é um fato natural e a cidadania obedece a um verdadeiro contrato."
Aqui está o núcleo da questão. A nacionalidade é um vínculo de pertencimento (fato natural, como nascer em um país); a cidadania é um vínculo de participação ativa (contrato, exercício de direitos e deveres). Se a nacionalidade é um fato natural, ela não depende do exercício de direitos — ela permanece mesmo que a pessoa deixe de exercê-los. Já a cidadania, por ser um contrato, está ligada ao exercício ativo.
A técnica que decide
A armadilha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas acrescentam ideias que o texto não autoriza (como "abrir mão da nacionalidade", "viver soberanamente fora do país" ou "ganhar mais notoriedade"). O método é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta conclusão, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa B é a única que se limita a extrair a consequência lógica da distinção feita pelo autor: se a nacionalidade é um fato natural de pertencimento, ela não se perde pelo não exercício da cidadania.
Cidadania × Nacionalidade
1Nacionalidade
Fato natural
Pertencer a uma nação
Independe do exercício de direitos
2Cidadania
Contrato
Membro ativo do Estado
Exercício de direitos e deveres
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o cidadão "é um homem livre sem exercer a democracia, sendo esta um contrato social que limita os direitos do cidadão". O texto não diz que a democracia é um contrato social que limita direitos — pelo contrário, a cidadania é apresentada como um conjunto de direitos que possibilita a participação. A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de "limitação" e ao desvincular o cidadão do exercício democrático, o que contradiz a noção de "membro ativo" presente no texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o cidadão "mantém a sua nacionalidade, ainda que deixe de exercer seus direitos e deveres na sociedade". Isso é uma inferência legítima da distinção feita no texto: a nacionalidade é "a qualidade de pertencer a uma nação" e "um fato natural", enquanto a cidadania é "a condição de ser membro ativo do Estado" e "um verdadeiro contrato". Se a nacionalidade é um fato natural de pertencimento, ela independe do exercício de direitos e deveres — o cidadão que deixa de exercê-los continua sendo nacional, apenas não exerce plenamente a cidadania. A alternativa não acrescenta nada de fora; ela apenas extrai a consequência lógica da distinção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o cidadão "pode ser cidadão em qualquer país, desde que abra mão de sua nacionalidade, de seus direitos e deveres". O texto não diz que a cidadania exige abrir mão da nacionalidade — pelo contrário, a cidadania é apresentada como um vínculo com o Estado que pressupõe a nacionalidade. A alternativa extrapola ao inventar uma condição (abrir mão da nacionalidade) que o texto não menciona e que contradiz a relação entre os dois conceitos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o cidadão "vive soberanamente dentro e fora de seu país, ainda que o exercício da cidadania se limite ao seu país de origem". O texto não aborda a soberania do cidadão fora do país — ele fala apenas do vínculo com o Estado e da participação ativa. A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de "viver soberanamente fora do país", que não tem base no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o cidadão "ganha mais notoriedade cidadã fora de seu país, onde a nacionalidade impõe excesso de deveres com poucos direitos". O texto não faz qualquer comparação entre a notoriedade dentro e fora do país, nem afirma que a nacionalidade impõe "excesso de deveres com poucos direitos". A alternativa extrapola ao inventar uma avaliação negativa da nacionalidade que o autor não expressa — pelo contrário, o texto a apresenta como um fato natural de pertencimento.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "concluir", teste cada alternativa perguntando: "o texto me obriga a concluir isto, ou eu estou acrescentando uma ideia de fora?". A resposta correta é sempre a que se limita a extrair a consequência lógica do que está escrito.