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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184659
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Aj (Pref Pinda)

Objetos de estimação

 

Os objetos do outro não devem ser menosprezados. Não se pode julgar pela aparência, pois, muitas vezes, são de estimação. O valor emocional nunca está explícito na etiqueta. Assim, um tênis velho pode ser o mais confortável. Um chinelo indigente talvez represente a liberdade do lar. Não são objetos de valor, como um relógio antigo ou um colar de prata. Mas são objetos quebrados, machucados, sofridos, enferrujados.

 

O avô de Fabrício, Leônida, por exemplo, entrava em pânico quando não achava a tesourinha de aparar bigode, que tinha desde a época de sua adolescência. Às vezes, ele nem queria a tesourinha para usar na hora, era somente para se certificar de que permanecia no mesmo lugar onde a tinha deixado.

 

A maior indignação de Leônida foi quando desapareceu o seu pulôver amarelo, que repousava sempre nas costas de uma cadeira. Tamanho o apego, nem corria o risco de colocá- lo para lavar com frequência. Vestia a malha para cortar lenha de manhã. Qualquer um o enxergava de longe, trabalhando com a machadinha no quintal.

 

Um dia, depois de procurar incansavelmente o pulôver nas gavetas e nos armários, de esculhambar a casa, revirar o quarto, chegou perto da mulher, que estava encerando o piso, e perguntou-lhe se ela não tinha pegado a peça por engano. Ela nem precisou responder. Leônida, arrasado, enxergou o pulôver amarelo nos pés de sua esposa. Havia sido aposentado à força e transformado num pano para lustrar o chão.

(Fabrício Carpinejar. Família é tudo. 4a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     De acordo com o primeiro parágrafo, é correto afirmar que
  1. Achega a ser doentio guardar objetos muito antigos, uma vez que estes nem são mais utilizados com frequência.
  2. Bficar guardando coisas já bastante usadas é importante, porque evita o consumismo.
  3. Cas pessoas costumam preservar aquilo que possui maior valor material, pois fizeram muito sacrifício para a sua aquisição.
  4. Dé comum respeitar a vontade de manter os objetos já usados, porque há uma compreensão do significado que estes têm para quem os preserva.
  5. Eguardar objetos, mesmo que em mau estado, faz sentido para as pessoas, pois cada uma sabe o que eles representam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — guardar objetos, mesmo que em mau estado, faz sentido para as pessoas, pois cada uma sabe o que eles representam.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: o valor emocional dos objetos

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo primeiro parágrafo, pois parafraseia a tese central do autor: guardar objetos, mesmo em mau estado, faz sentido porque cada pessoa sabe o que eles representam. Como se lê no texto: "O valor emocional nunca está explícito na etiqueta" e "Não são objetos de valor... Mas são objetos quebrados, machucados, sofridos, enferrujados" — ou seja, o valor não está na aparência ou no preço, mas no significado afetivo que cada um atribui.

O comando pede uma questão de COMPREENSÃO ("De acordo com o primeiro parágrafo"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está EXPLÍCITO no texto, sem deduções ou acréscimos. A banca não pede inferência nem opinião do candidato: pede que você localize a ideia central do parágrafo e reconheça sua reescritura correta.

O primeiro parágrafo desenvolve uma tese clara: os objetos alheios não devem ser menosprezados pela aparência, pois podem ter valor emocional. O autor ilustra com exemplos (tênis velho, chinelo indigente) e contrapõe objetos de valor material (relógio antigo, colar de prata) aos objetos "quebrados, machucados, sofridos, enferrujados" — que, apesar do mau estado, têm significado para quem os guarda. A alternativa E captura exatamente essa ideia: o valor está no que o objeto representa para a pessoa, não no seu estado físico.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando "o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A correta é a única que não extrapola, não restringe e não contradiz o que está escrito. Vejamos cada uma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que guardar objetos antigos é "doentio" nem que eles "nem são mais utilizados com frequência". Pelo contrário, o autor valoriza o apego emocional: o avô de Fabrício, Leônida, usava a tesourinha e o pulôver. A palavra "doentio" é um juízo de valor que o autor não emite — ele trata o apego com naturalidade e até com carinho. A alternativa acrescenta uma opinião negativa que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e fuga ao tema. O texto não menciona "consumismo" nem defende que guardar coisas evita comprar. Essa é uma ideia de senso comum que o candidato pode trazer de fora, mas o autor não a aborda. O parágrafo fala de valor emocional, não de economia ou sustentabilidade. A alternativa tangencia o assunto sem se ancorar em nenhuma passagem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma exatamente o oposto: "Não são objetos de valor, como um relógio antigo ou um colar de prata". O autor diz que o valor NÃO está no material, mas no afeto. A alternativa inverte a tese ao dizer que as pessoas preservam o que tem "maior valor material" e que houve "sacrifício para a aquisição" — nada disso está no parágrafo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: restringe e acrescenta opinião. O texto não fala em "compreensão do significado" por parte de terceiros nem em "respeitar a vontade" de quem guarda. O parágrafo diz que não se deve julgar pela aparência, mas não afirma que as pessoas "compreendem" o apego alheio. A alternativa embute uma ideia de tolerância social que o autor não externou. Além disso, "é comum" generaliza: o texto não diz que isso é comum, apenas defende que deveria ser assim.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia a tese do parágrafo: "guardar objetos, mesmo que em mau estado, faz sentido para as pessoas, pois cada uma sabe o que eles representam". Isso está ancorado em:

"O valor emocional nunca está explícito na etiqueta. Assim, um tênis velho pode ser o mais confortável. Um chinelo indigente talvez represente a liberdade do lar."

O autor diz que o valor está no que o objeto representa (liberdade, conforto, afeto), não no seu estado físico. A alternativa E captura exatamente isso: o objeto "em mau estado" (quebrado, machucado, enferrujado) ainda tem sentido porque a pessoa sabe o que ele significa. É a única que não acrescenta, não restringe e não contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura extrapolações sedutoras (A, B) com inversões da tese (C) e generalizações (D). A correta exige localizar a ideia central e reconhecer sua paráfrase — sem trazer nada de fora.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de palavras absolutas ("doentio", "sempre", "todos") e de ideias de senso comum ("evita consumismo"). A resposta certa é a que reescreve o texto com outras palavras, mantendo o mesmo sentido.

Gabarito: letra E.

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