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Questão de Português — Partícula "Se" — VUNESP 2023

PortuguêsPartícula "Se"
Código
vu184664
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Ag (Pref Pinda)

Vicente Manoel da Silva (ou Vicente Guató) faz parte de uma comunidade pantaneira que foi expulsa de suas terras e chegou a ser considerada extinta nos anos 1950. Ele acha que tem 82 anos, mas confessa não saber em que ano nasceu: “Só sei que foi no dia 10 de maio”. Um registro tirado quando tinha cerca de 30 anos, seu único documento, traz uma data fictícia de 1946. Datas, contudo, não têm muita importância para os guatós que, segundo ele, preferem se orientar “pelo rumo”.

 

Embora tímido, ele conta em sua língua natal que todos os dias pega a canoa, sai para pescar e, quando retorna, acende o fogo e frita ou cozinha os peixes, refeição que compartilha com cerca de 30 gatos que são suas únicas companhias. “Também tinha alguns cachorros, mas a onça comeu”, informa, acrescentando que “também caçava, matava e vendia o couro de onças, que valia muito, mas agora não pode mais mexer com elas”. A caça está proibida no Brasil desde 1967, mas a onça-pintada, típica do Pantanal, está na lista de espécies em risco de extinção.

 

Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam. “Ele acha que só faz sentido falar a língua se estiver ensinando alguém”, diz o antropólogo e linguista Gustavo Godoy que, junto com a esposa Kristina Balykowa, também linguista, esteve com Vicente várias vezes.

 

Além de Vicente, que se tornou um “consultor” para o casal, outra falante nativa era Eufrásia Ferreira, falecida no ano passado. Há outras pessoas com elevado conhecimento do idioma, como o irmão de Vicente, André, e Dalva Maria de Souza Ferreira, também moradora de Corumbá, casada com um guató não falante e que aprendeu a língua com a sogra e amigos. Ambos, no entanto, não são fluentes.

 

Seu Vicente prefere se entregar à solidão para ter a liberdade de permanecer na terra que considera sua, onde enterrou a mãe e um tio e onde mantém as tradições dos seus ancestrais. Ele se sente feliz em ajudar a nova geração a se interessar pelo idioma, mas lamenta não ter com quem conversar em sua língua nativa: “Se ainda tivesse alguém vivo… mas todos com quem eu falava já morreram”.

 

(Cleide Silva. Um idioma em risco de extinção: conheça o último indígena a falar a língua guató. www.estadao.com.br, 16.12.2022. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     No trecho – “Ele acha que só faz sentido falar a língua se estiver ensinando alguém”... –, a palavra se exerce a mesma função gramatical da palavra destacada em:
  1. A… os guatós que, segundo ele, preferem se orientar “pelo rumo”.
  2. BAlém de Vicente, que se tornou um “consultor” para o casal…
  3. CSeu Vicente prefere se entregar à solidão para ter a liberdade…
  4. DEle se sente feliz em ajudar a nova geração a se interessar pelo idioma…
  5. ESe ainda tivesse alguém vivo… mas todos com quem eu falava já morreram”.
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GabaritoE — “Se ainda tivesse alguém vivo… mas todos com quem eu falava já morreram”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções da partícula "se": conjunção condicional × pronome

Gabarito: letra E. No trecho do enunciado, o "se" é conjunção subordinativa condicional — introduz a condição para que "fazer sentido falar a língua" se realize. A única alternativa que repete essa função é a E, em que "se" também inicia uma oração condicional: "Se ainda tivesse alguém vivo…" (equivale a "caso ainda houvesse alguém vivo"). As demais trazem o "se" como pronome (reflexivo, apassivador ou parte integrante do verbo), funções distintas da conjunção.

O comando

A questão pede que você identifique a mesma função gramatical da palavra "se" destacada no trecho. Isso é uma questão de morfossintaxe: você precisa classificar o "se" no contexto do enunciado e, depois, comparar com cada alternativa. Não se trata de interpretação de texto, mas de reconhecer a classe e a função da partícula em cada ocorrência.

O texto e o trecho em análise

No trecho: "Ele acha que só faz sentido falar a língua se estiver ensinando alguém", o "se" liga duas orações estabelecendo uma condição: falar a língua só faz sentido caso ele esteja ensinando alguém. O verbo da oração condicional está no subjuntivo ("estiver"), marca típica da conjunção condicional. Essa é a pista decisiva: conjunção condicional exige verbo no subjuntivo.

A técnica que decide

Para classificar o "se", use dois testes:

  1. Substituição por "caso": se a troca mantiver o sentido, é conjunção condicional. Ex.: "só faz sentido falar a língua caso esteja ensinando alguém" — perfeito.

  2. Verbo no subjuntivo: a oração condicional apresenta o verbo no modo subjuntivo ("estiver", "tivesse", "fosse").

Já o "se" pronome aparece em construções como:

  • Reflexivo: "Ele se feriu" (a ação recai sobre o sujeito).

  • Partícula apassivadora: "Vendem-se casas" (voz passiva sintética).

  • Parte integrante do verbo: "Ele se queixou" (verbo pronominal).

  • Índice de indeterminação do sujeito: "Precisa-se de ajuda".

Análise das alternativas

Partícula "se"
  • 1Conjunção condicional
    • Substituível por "caso"
    • Verbo no subjuntivo
    • Ex.: "Se ainda tivesse alguém vivo"
  • 2Pronome
    • Reflexivo
      • Ação recai no sujeito
      • Ex.: "se orientar", "se entregar"
    • Parte integrante do verbo
      • Verbo pronominal
      • Ex.: "se tornou", "se queixou"
    • Partícula apassivadora
      • Voz passiva sintética
      • Ex.: "Vendem-se casas"
    • Índice de indeterminação
      • Ex.: "Precisa-se de ajuda"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"…os guatós que, segundo ele, preferem se orientar 'pelo rumo'."

Aqui o "se" é pronome reflexivo (ou parte integrante do verbo "orientar-se"), pois indica que a ação de orientar recai sobre o próprio sujeito (os guatós se orientam a si mesmos). Não há condição; é uma ação reflexiva. Erro: troca de função — pronome em vez de conjunção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Além de Vicente, que se tornou um 'consultor' para o casal…"

O "se" é parte integrante do verbo "tornar-se" (verbo pronominal). Não há condição nem reflexividade plena; o "se" integra o verbo. Erro: troca de função — parte integrante do verbo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Seu Vicente prefere se entregar à solidão para ter a liberdade…"

O "se" é pronome reflexivo (entregar a si mesmo à solidão). A ação recai sobre o sujeito. Erro: troca de função — pronome reflexivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Ele se sente feliz em ajudar a nova geração a se interessar pelo idioma…"

Nos dois casos, o "se" é pronome reflexivo (sentir-se, interessar-se). A ação recai sobre o sujeito. Erro: troca de função — pronome reflexivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Se ainda tivesse alguém vivo… mas todos com quem eu falava já morreram".

O "se" introduz uma condição (hipótese): "caso ainda houvesse alguém vivo". O verbo "tivesse" está no subjuntivo, confirmando a conjunção condicional. É exatamente a mesma função do trecho do enunciado. Correta.

Conclusão

A questão testa a distinção entre o "se" conjunção (condicional) e o "se" pronome (reflexivo, apassivador, etc.). A pista infalível é o modo subjuntivo do verbo na oração introduzida por "se": se o verbo está no subjuntivo e a ideia é de condição, é conjunção condicional. Nas alternativas A–D, o "se" é pronome; apenas a E é conjunção. Gabarito: letra E.

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