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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184676
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBC
Ano
2023
Cargo
Ass Soc ( )

Felicidade Instantânea

 

Transbordam nas prateleiras das livrarias os manuais de autoajuda. Como ser mais feliz, como ter sucesso, como pensar positivo, como conquistar um amor, como ter mais qualidade de vida. Vendem feito picolé na praia.(a) Eu só me pergunto uma coisa: adianta?(b)

 

Se o leitor, depois de ler um destes livros, ficar mesmo mais feliz, mais bem-sucedido, mais amado e mais rico, então me curvo. Mas desconfio que o único bem verdadeiro que estes livros fazem é o de dar ao leitor a impressão de que ele está reagindo diante da própria frustração. Se alguém acha que a sua vida, em certo aspecto, não anda legal, o fato de deslocar-se até uma livraria, comprar um destes livros e lê-lo até o fim já configura uma iniciativa, uma atitude favorável a si mesmo.(c) Tenho certeza de que isso ajuda mais que as palavras de ordem contidas nestas publicações, tipo “reinvente sua relação”, “pense se precisa mesmo comprar uma nova torradeira” ou “seja flexível”. Se fosse fácil assim, a psicanálise seria extinguida.

 

A princípio, todo mundo sabe que deve beber muita água,(d) praticar exercícios, ter autoestima, não se exigir demais, etc.

 

Só que, para isso deixar de ser uma intenção e se tornar um hábito, a descoberta tem que se dar de dentro para fora,(e) vagarosamente. É preciso mergulhar um pouco mais fundo em busca das próprias necessidades, e este é um aprendizado que se dá através do pensar e do sentir, duas coisas que raríssimos livros de autoajuda estimulam.

 

Autoajuda, de verdade, são todos os outros livros: romances clássicos, policiais, biografias, ficção científica, crônicas do cotidiano, enfim, tudo que convida à reflexão, tudo que diverte e intriga, faz rir e chorar, tudo que nos auxilia no autorreconhecimento e nos justifica como seres humanos.

 

(Marta Medeiros, Non-stop: crônicas do cotidiano.)

Estabelece-se uma comparação na seguinte frase do texto:
  1. AVendem feito picolé na praia.
  2. BEu só me pergunto uma coisa: adianta?
  3. C… já configura uma iniciativa, uma atitude favorável a si mesmo...
  4. D… todo mundo sabe que deve beber muita água...
  5. E… a descoberta tem que se dar de dentro para fora...
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GabaritoA — Vendem feito picolé na praia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comparação explícita: o papel do conectivo "feito"

Gabarito: letra A. A única frase que estabelece uma comparação explícita é "Vendem feito picolé na praia", pois o vocábulo "feito" funciona como conectivo comparativo, aproximando dois elementos: os manuais de autoajuda (que vendem muito) e o picolé na praia (que também vende muito). As demais alternativas não apresentam qualquer termo que sinalize comparação — são afirmações, perguntas ou descrições sem relação comparativa.

O comando

A questão pede que você identifique a frase em que se estabelece uma comparação. Isso é uma tarefa de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, marcada por um conectivo ou estrutura comparativa. Não se trata de inferir nada além do que está escrito — basta reconhecer o mecanismo linguístico da comparação.

O texto e a técnica

No primeiro parágrafo, a autora afirma que os manuais de autoajuda "Vendem feito picolé na praia". A palavra "feito", nesse contexto, equivale a "como" — é uma conjunção comparativa que introduz o segundo termo da comparação. A estrutura é clássica: elemento A (manuais) + verbo (vendem) + conectivo comparativo (feito) + elemento B (picolé na praia). A comparação realça a ideia de que esses livros são vendidos em grande quantidade, com a mesma facilidade e procura que um picolé em um dia quente de praia.

As outras frases não contêm conectivo comparativo algum:

  • B) "Eu só me pergunto uma coisa: adianta?" — é uma pergunta retórica, sem comparação.

  • C) "... já configura uma iniciativa, uma atitude favorável a si mesmo..." — é uma definição/qualificação, não compara dois elementos.

  • D) "... todo mundo sabe que deve beber muita água..." — é uma constatação genérica, sem comparação.

  • E) "... a descoberta tem que se dar de dentro para fora..." — é uma metáfora espacial, mas não há comparação explícita com conectivo.

Análise das alternativas

1Marcador linguístico
Como
Feito
Tal qual
Que nem
Igual a
2Estrutura
Elemento A
Verbo
Conectivo comparativo
Elemento B
3Exemplo
"Vendem feito picolé na praia"
Comparação explícita
LEVELsoulevel.com.br
Comparação explícita: Marcador linguístico (Como, Feito, Tal qual, Que nem, Igual a); Estrutura (Elemento A, Verbo, Conectivo comparativo, Elemento B); Exemplo ("Vendem feito picolé na praia")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Vendem feito picolé na praia."

O termo "feito" é um conectivo comparativo (equivalente a "como"). A frase compara a venda dos manuais de autoajuda à venda de picolé na praia, ambos vendidos em grande quantidade. É a única alternativa com estrutura comparativa explícita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Eu só me pergunto uma coisa: adianta?"

É uma pergunta retórica — a autora questiona a eficácia dos manuais. Não há comparação entre dois elementos; apenas uma indagação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"... já configura uma iniciativa, uma atitude favorável a si mesmo..."

A frase define ou qualifica o ato de comprar e ler o livro como uma iniciativa. Não há comparação; há uma caracterização.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... todo mundo sabe que deve beber muita água..."

É uma constatação sobre conhecimentos gerais. Não há comparação; apenas uma afirmação sobre o que todos sabem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... a descoberta tem que se dar de dentro para fora..."

A expressão "de dentro para fora" é uma metáfora espacial (indica que a mudança deve vir do interior da pessoa), mas não estabelece comparação explícita com outro elemento. Não há conectivo comparativo.

Conclusão

A comparação exige um marcador linguístico (como, feito, tal qual, que nem, etc.) que aproxime dois termos. A alternativa A é a única que apresenta esse marcador. Nas demais, há apenas ideias que poderiam sugerir comparação indiretamente, mas sem o recurso explícito.

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar comparação, sublinhe os conectivos comparativos (como, feito, tal qual, que nem, igual a). Se a frase não tiver nenhum, ela não é comparativa — mesmo que o sentido permita alguma associação.

Gabarito: letra A

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