Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184681
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Pinda)
Desde seu primeiro livro para crianças, A menina do
narizinho arrebitado, Monteiro Lobato fixa o espaço e boa
parte do elenco que vai ocupá-lo e ocupar-se em aventuras
de todo tipo: é o Sítio do Picapau Amarelo, propriedade de
Dona Benta, que vive originalmente acompanhada de sua
neta Lúcia, conhecida por Narizinho, e de uma cozinheira antiga e fiel, Tia Nastácia. Trata-se de uma população
pequena para preencher um cenário tão grande, mas as
personagens multiplicam-se rapidamente.
São os laços familiares que garantem a união do grupo, mas o Sítio do Picapau Amarelo constitui sempre o ponto
de entrada de todas as narrativas: as desempenhadas pelos
netos de Dona Benta e as que alojam heróis provenientes do
exterior e de outras histórias, introduzidos pela voz da velha
senhora.
Assim, o sítio não é apenas o cenário onde a ação pode
transcorrer. Ele representa igualmente uma concepção do
mundo, da sociedade e do Brasil, bem como uma tomada
de posição a propósito da criação de obras para a infância,
como se vê no trecho de O irmão de Pinóquio:
A moda de Dona Benta ler era boa. Lia “diferente” dos
livros. Como quase todos os livros para crianças que há no
Brasil são muito sem graça, cheios de termos do tempo do
Onça ou só usados em Portugal, a boa velha lia traduzindo aquele português de defunto em língua do Brasil de hoje.
Onde estava, por exemplo, “lume”, lia “fogo”; onde estava “lareira”, lia “varanda”. E sempre que dava com um “botou-o”
ou “comeu-o”, lia “botou ele”, “comeu ele” – e ficava o dobro
mais interessante.
(Marisa Lajolo e Regina Zilberman. Literatura infantil brasileira –
história & histórias. Editora Unesp. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. De acordo com o texto de Lobato, Dona Benta lia de modo diferente os livros porque
Avalorizava a norma-padrão e a linguagem formal.
Bexplicava aos ouvintes o porquê de suas intervenções na história.
Creproduzia os gestos das personagens e imitava suas vozes.
Dadaptava o texto à linguagem empregada no dia a dia pelos ouvintes.
Epreferia livros publicados no Brasil aos publicados em Portugal.
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GabaritoD — adaptava o texto à linguagem empregada no dia a dia pelos ouvintes.
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A leitura "diferente" de Dona Benta: adaptação à língua do dia a dia
Gabarito: letra D. Dona Benta lia de modo diferente porque adaptava o texto à linguagem empregada no dia a dia pelos ouvintes — exatamente o que o trecho descreve ao dizer que ela "lia traduzindo aquele português de defunto em língua do Brasil de hoje". A alternativa D é a única paráfrase fiel dessa passagem; as demais ou contradizem o texto ou acrescentam informações que ele não traz.
O comando: compreensão, não inferência
O enunciado pede "De acordo com o texto" — isso marca uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita, basta localizar a passagem e reconhecer a reescritura equivalente. Não se trata de deduzir nada além do que está escrito; a alternativa correta é a que parafraseia o trecho sem acrescentar, restringir ou inverter ideias.
O texto: o que Dona Benta fazia
O texto-base, de Marisa Lajolo e Regina Zilberman, apresenta o Sítio do Picapau Amarelo e, no trecho citado de O irmão de Pinóquio, mostra o método de leitura de Dona Benta. A passagem decisiva é:
"a boa velha lia traduzindo aquele português de defunto em língua do Brasil de hoje. Onde estava, por exemplo, 'lume', lia 'fogo'; onde estava 'lareira', lia 'varanda'. E sempre que dava com um 'botou-o' ou 'comeu-o', lia 'botou ele', 'comeu ele' – e ficava o dobro mais interessante."
Repare no verbo "traduzindo": Dona Benta não lia o texto como estava escrito; ela convertia as palavras e construções do português europeu ("lume", "lareira", "botou-o") para a forma como se falava no Brasil ("fogo", "varanda", "botou ele"). O objetivo era tornar a leitura compreensível e próxima dos ouvintes, que eram crianças brasileiras — daí a conclusão de que ela adaptava o texto à linguagem do dia a dia.
A técnica: paráfrase fiel × extrapolação
A questão é de compreensão, então a alternativa certa precisa ser uma reescritura fiel do que está escrito, sem acrescentar motivações que o texto não menciona. As distratoras cometem erros típicos:
Extrapolar: inventar uma razão (valorizar a norma-padrão, explicar intervenções, imitar vozes) que não aparece no trecho.
Contradizer: afirmar o oposto do que o texto diz (como valorizar a norma-padrão, quando ela justamente a abandona).
Tangenciar: falar de assunto próximo (preferência por livros brasileiros) que o texto não aborda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o sentido de "traduzir" (adaptar a linguagem) por "explicar" ou "reproduzir", e ainda inverte a valorização da norma-padrão. Fique atento ao verbo "traduzindo" — ele é a chave.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, sublinhe o trecho que responde e compare cada alternativa com ele, palavra por palavra. Se a alternativa acrescentar um motivo que não está no texto, é extrapolação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Valorizava a norma-padrão e a linguagem formal. O texto diz exatamente o contrário: Dona Benta abandonava a norma-padrão ("português de defunto") para usar a linguagem coloquial do Brasil. Ela trocava "lume" por "fogo" e "botou-o" por "botou ele" — formas não padrão. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Explicava aos ouvintes o porquê de suas intervenções na história. O texto não menciona nenhuma explicação dada por Dona Benta. Ela simplesmente lia traduzindo, sem justificar suas escolhas. A alternativa extrapola — acrescenta uma ação que não está no trecho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Reproduzia os gestos das personagens e imitava suas vozes. Nada no texto fala em gestos ou imitação de vozes. A leitura de Dona Benta era uma tradução linguística, não uma encenação. A alternativa extrapola — inventa um comportamento que não é descrito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Adaptava o texto à linguagem empregada no dia a dia pelos ouvintes. É a paráfrase exata do trecho: "lia traduzindo aquele português de defunto em língua do Brasil de hoje". "Língua do Brasil de hoje" = linguagem do dia a dia; "traduzindo" = adaptando. A alternativa não acrescenta nem restringe nada — apenas reescreve com outras palavras a mesma ideia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Preferia livros publicados no Brasil aos publicados em Portugal. O texto não compara livros por país de publicação. A questão é de linguagem (português de Portugal × português do Brasil), não de origem editorial. A alternativa tangencia o tema — fala de algo próximo, mas que o texto não aborda.
Conclusão: a resposta é a letra D, pois é a única que se sustenta integralmente no texto. As demais ou contradizem (A), ou extrapolam (B, C), ou tangenciam (E). Lembre-se: em compreensão, a resposta mora no texto — se você precisou acrescentar algo de fora, errou.