Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184686
Banca
VUNESP
Órgão
CM Bady Bassit
Ano
2023
Cargo
ALg ( )
A hora do empurrão
Quem escreve tem sua lista de temores associados à atividade. A ideia que teima em escapar, a frustrante busca pela palavra exata, a incerteza sobre a adequação do tom, a tela vazia, onde um cursor piscando lembra que a passagem do tempo é insensível a prazos editoriais. Mas o maior medo é não ser lido ou, pior, ser lido com indiferença.
Elogios não são apenas uma questão de gentileza. Eles podem fazer a diferença entre o êxito e o fracasso de um aspirante a profissional. Não falo daquelas palavras protocolares, mas da expressão de uma avaliação genuína, que procura no detalhe o motivo para reconhecer o engenho e a arte de quem escreveu. Menciono escrita por ser algo com que, até por conta desta coluna, já estou hoje mais acostumada. Mas o estímulo é algo decisivo para pretendentes a qualquer atividade, sobretudo os jovens, muitos deles talentosos e inseguros.
Às vezes subestimamos o poder do estímulo. Costumamos refletir sobre o que fazer para mudar nossa vida, mas esquecemos de estimular quem está ao nosso redor. Uma ajuda concreta ou uma palavra certeira têm o poder de renovar energias, encorajar, dar a confiança necessária para que um amigo, um colega, um parente, persista em seu objetivo.
Encorajar é também fazer alguém encarar suas dificuldades. Uma vez superado o obstáculo, não há limites para o crescimento pessoal. Apoiar alguém é uma forma de cultivar talentos, não de criá-los. Quando estendemos a mão não plantamos a semente da motivação, mas premiamos a força de vontade que há no outro. É uma via de mão dupla. Afinal, ao estimular alguém, construímos nosso próprio legado.
(Lucila Diniz. Veja, 03.02.2022. Adaptado)
Leia o texto, para responder à questão.
É correto afirmar que a autora
Ase vale de argumentos baseados em depoimentos que levam a colocar em pauta a temática do texto, associado à valorização pessoal.
Bdesconstrói sua própria narrativa, ao se desviar do tema detalhado no início, o qual se relaciona às suas experiências como cronista.
Cvincula artificialmente temas diferentes, expressando pontos de vista conflitantes acerca de situações vividas por pessoas distintas.
Dfaz referência a circunstâncias de sua própria vivência para, a partir daí, abordar o tema do texto, focado na incitação à persistência.
Econsolida seu ponto de vista acerca do estímulo necessário para se chegar ao sucesso, centrando-se no relato de casos que testemunhou.
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GabaritoD — faz referência a circunstâncias de sua própria vivência para, a partir daí, abordar o tema do texto, focado na incitação à persistência.
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Interpretação de Texto: a autora parte da própria vivência para defender o estímulo à persistência
Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que a autora "faz referência a circunstâncias de sua própria vivência para, a partir daí, abordar o tema do texto, focado na incitação à persistência". Isso se comprova no 2º parágrafo, quando ela escreve: "Menciono escrita por ser algo com que, até por conta desta coluna, já estou hoje mais acostumada". A partir dessa experiência pessoal, ela desenvolve a tese central de que o estímulo é decisivo para quem busca êxito, como se lê em "o estímulo é algo decisivo para pretendentes a qualquer atividade, sobretudo os jovens".
O comando pede uma compreensão do texto: "É correto afirmar que a autora". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. A banca não pede inferência, mas a localização e reescritura de uma ideia explicitamente presente. Portanto, cada alternativa deve ser testada contra o texto: o que ele realmente diz?
O texto é uma crônica dissertativo-argumentativa. A autora parte de uma reflexão sobre os temores de quem escreve (1º parágrafo), mas logo se volta para a tese central: a importância do estímulo e do encorajamento para o êxito. No 2º parágrafo, ela conecta sua vivência pessoal (escrever uma coluna) ao tema geral. Nos parágrafos seguintes, desenvolve a ideia de que estimular é decisivo, que subestimamos esse poder e que encorajar é uma via de mão dupla. A alternativa D captura exatamente esse movimento: da experiência particular para a reflexão geral sobre persistência.
A técnica que decide esta questão é a paráfrase com âncora textual. A alternativa correta não inventa nada: "circunstâncias de sua própria vivência" corresponde a "Menciono escrita por ser algo com que... já estou hoje mais acostumada"; "abordar o tema do texto" corresponde ao desenvolvimento sobre o estímulo; e "focado na incitação à persistência" corresponde a "dar a confiança necessária para que um amigo, um colega, um parente, persista em seu objetivo". As demais alternativas ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora criar alternativas que parecem plausíveis, mas que extrapolam o texto — acrescentam informações que não estão nele (como "depoimentos", "desconstrução narrativa", "relato de casos testemunhados"). A correta é a única que se limita ao que está escrito.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a autora "se vale de argumentos baseados em depoimentos". O texto não traz nenhum depoimento — nem de terceiros, nem da própria autora. Ela faz reflexões genéricas, como "Elogios não são apenas uma questão de gentileza", mas não relata nenhuma fala ou testemunho. A expressão "valorização pessoal" também não aparece; o texto fala em "reconhecer o engenho e a arte de quem escreveu", o que é diferente. A alternativa inventa um recurso argumentativo que não existe no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que a autora "desconstrói sua própria narrativa, ao se desviar do tema detalhado no início". Isso é falso. O texto é coeso: o 1º parágrafo fala dos temores de quem escreve, e o 2º parágrafo conecta isso ao tema do estímulo. Não há desvio, mas uma progressão lógica. A autora não "desconstrói" nada; ela desenvolve uma linha de raciocínio. A palavra "desviar" contradiz a estrutura argumentativa do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a autora "vincula artificialmente temas diferentes, expressando pontos de vista conflitantes". Não há temas diferentes nem pontos de vista conflitantes. O texto trata de um único tema — o poder do estímulo — de forma coesa. A palavra "artificialmente" é um juízo de valor que o texto não autoriza. A alternativa projeta uma crítica que não existe.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa é uma paráfrase fiel do texto. No 2º parágrafo, a autora escreve:
"Menciono escrita por ser algo com que, até por conta desta coluna, já estou hoje mais acostumada."
Isso é uma "circunstância de sua própria vivência". A partir daí, ela aborda o tema do estímulo: "o estímulo é algo decisivo para pretendentes a qualquer atividade, sobretudo os jovens". E o foco na persistência aparece em:
"Uma ajuda concreta ou uma palavra certeira têm o poder de renovar energias, encorajar, dar a confiança necessária para que um amigo, um colega, um parente, persista em seu objetivo."
A alternativa D junta esses três elementos — vivência pessoal, tema do estímulo e foco na persistência — sem acrescentar nada de fora. É a única inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a autora "consolida seu ponto de vista... centrando-se no relato de casos que testemunhou". O texto não relata nenhum caso específico. A autora faz afirmações gerais, como "Às vezes subestimamos o poder do estímulo", mas não narra nenhuma situação concreta que tenha testemunhado. A expressão "relato de casos" é uma invenção. A alternativa também usa "sucesso", que é mais restrito que o "êxito" do texto, mas o erro principal é o "relato de casos".
Conclusão: a questão testa a habilidade de reconhecer a paráfrase correta. A alternativa D é a única que se limita ao que o texto diz, sem extrapolar, contradizer ou tangenciar. As demais ou inventam recursos (depoimentos, casos), ou contradizem a estrutura do texto (desvio, conflito).
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que corresponde a cada alternativa. Se não encontrar uma passagem que sustente a ideia, a alternativa está errada — mesmo que pareça verdadeira no mundo real.