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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184688
Banca
VUNESP
Órgão
CM Bady Bassit
Ano
2023
Cargo
ALg ( )

A hora do empurrão

 

Quem escreve tem sua lista de temores associados à atividade. A ideia que teima em escapar, a frustrante busca pela palavra exata, a incerteza sobre a adequação do tom, a tela vazia, onde um cursor piscando lembra que a passagem do tempo é insensível a prazos editoriais. Mas o maior medo é não ser lido ou, pior, ser lido com indiferença.

 

Elogios não são apenas uma questão de gentileza. Eles podem fazer a diferença entre o êxito e o fracasso de um aspirante a profissional. Não falo daquelas palavras protocolares, mas da expressão de uma avaliação genuína, que procura no detalhe o motivo para reconhecer o engenho e a arte de quem escreveu. Menciono escrita por ser algo com que, até por conta desta coluna, já estou hoje mais acostumada. Mas o estímulo é algo decisivo para pretendentes a qualquer atividade, sobretudo os jovens, muitos deles talentosos e inseguros.

 

Às vezes subestimamos o poder do estímulo. Costumamos refletir sobre o que fazer para mudar nossa vida, mas esquecemos de estimular quem está ao nosso redor. Uma ajuda concreta ou uma palavra certeira têm o poder de renovar energias, encorajar, dar a confiança necessária para que um amigo, um colega, um parente, persista em seu objetivo.

 

Encorajar é também fazer alguém encarar suas dificuldades. Uma vez superado o obstáculo, não há limites para o crescimento pessoal. Apoiar alguém é uma forma de cultivar talentos, não de criá-los. Quando estendemos a mão não plantamos a semente da motivação, mas premiamos a força de vontade que há no outro. É uma via de mão dupla. Afinal, ao estimular alguém, construímos nosso próprio legado.

 

(Lucila Diniz. Veja, 03.02.2022. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.   Assinale a alternativa que interpreta adequadamente e com coerência o sentido da passagem a seguir. Não falo daquelas palavras protocolares, mas da expressão de uma avaliação genuína, que procura no detalhe o motivo para reconhecer o engenho e arte de quem escreveu.
  1. AMesmo não se expressando educadamente, a autora nos assevera da verdade, que se encontra nas menores coisas e consequentemente traz em si o mérito do escritor.
  2. BA autora não se refere a termos formais e sim à manifestação de uma apreciação autêntica, que busca no pormenor a causa para identificar o talento e o dom do autor.
  3. CA autora não faz menção a expressões legais, porém identifica um juízo espontâneo, que pesquisa na minúcia o que propicia o reconhecimento do autor habilidoso.
  4. DRecusando-se a empregar termos jurídicos, a autora prefere o uso de palavras autênticas, que permitam achar a razão da aclamação do artista talentoso.
  5. EAo não se expressar por palavras cerimoniosas, a autora afirma a manifestação original, que investiga na circunstância o que leva a engendrar a intelectualidade do autor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A autora não se refere a termos formais e sim à manifestação de uma apreciação autêntica, que busca no pormenor a causa para identificar o talento e o dom do autor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Paráfrase fiel: reescrever sem trair o sentido

Gabarito: letra B. A alternativa correta é a única que reescreve o trecho com fidelidade integral, trocando cada expressão por um sinônimo contextual que preserva o sentido: "palavras protocolares" → "termos formais", "avaliação genuína" → "apreciação autêntica", "detalhe" → "pormenor", "reconhecer o engenho e a arte" → "identificar o talento e o dom". Como se lê no 2º parágrafo do texto:

"Não falo daquelas palavras protocolares, mas da expressão de uma avaliação genuína, que procura no detalhe o motivo para reconhecer o engenho e a arte de quem escreveu."

A questão pede uma reescritura equivalente (paráfrase), não uma interpretação livre nem uma dedução. O comando "interpreta adequadamente e com coerência o sentido" exige que a alternativa traduza o trecho sem acrescentar, suprimir ou distorcer nenhuma ideia. A letra B faz exatamente isso: mantém a estrutura "não X, mas Y" (oposição), preserva o sentido de "genuína" (autêntica, verdadeira) e de "engenho e arte" (talento e dom).

A técnica central é o teste da paráfrase: compare cada alternativa termo a termo com o original. Pergunte: "o texto autoriza esta palavra?" — se a alternativa troca um vocábulo por outro que muda o sentido (ex.: "educadamente" por "verdade", "legais" por "juízo espontâneo", "jurídicos" por "autênticas"), ela está errada, ainda que soe parecida.

A armadilha da banca é oferecer sinônimos aparentes que, no contexto, alteram o significado. Por exemplo, "palavras protocolares" não significa "educadamente" (modo de falar), mas sim "palavras formais, cerimoniosas". "Avaliação genuína" não é "juízo espontâneo" (que pode ser impulsivo), mas "apreciação autêntica". "Engenho e arte" não é "intelectualidade" (capacidade intelectual), mas "talento e dom" (habilidade criativa).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca termos por sinônimos que parecem equivalentes, mas alteram o sentido (ex.: "educadamente" por "verdade", "legais" por "juízo espontâneo").

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, mantenha a estrutura "não X, mas Y" e verifique se cada sinônimo preserva o sentido no contexto. Desconfie de palavras que mudam o tom (ex.: "legais" por "jurídicos").

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa diz "Mesmo não se expressando educadamente", mas o texto não fala de modo de expressão (educadamente), e sim de tipo de palavras (protocolares). Além disso, "assevera da verdade" é uma extrapolação: o texto não afirma que a verdade está nas menores coisas, mas que a avaliação genuína procura no detalhe o motivo para reconhecer o talento. A alternativa contradiz o trecho ao introduzir a ideia de "verdade" que não está presente.

Alternativa B — ✅ Correta

Paráfrase fiel. A alternativa reescreve o trecho com sinônimos contextuais que preservam o sentido: "termos formais" (protocolares), "apreciação autêntica" (avaliação genuína), "pormenor" (detalhe), "identificar o talento e o dom" (reconhecer o engenho e a arte). Mantém a estrutura de oposição "não X, mas Y" e não acrescenta nem suprime ideias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Expressões legais" é um falso sinônimo de "palavras protocolares": "legal" remete a jurídico, não a formal. Além disso, "juízo espontâneo" sugere algo impulsivo, enquanto "avaliação genuína" é autêntica, verdadeira. A alternativa distorce o sentido ao trocar "genuína" por "espontânea".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Termos jurídicos" é um falso sinônimo de "palavras protocolares": o texto não fala de linguagem jurídica, mas de formalidade. Além disso, "aclamação" (aplauso público) não equivale a "reconhecimento" (apreciação). A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de "artista talentoso" que não está no trecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Palavras cerimoniosas" é um sinônimo aceitável de "protocolares", mas "manifestação original" não equivale a "avaliação genuína" (original pode ser inédito, não autêntico). Além disso, "engendrar a intelectualidade" é uma extrapolação: o texto fala de "reconhecer o engenho e a arte", não de "criar intelectualidade". A alternativa distorce o sentido ao trocar "reconhecer" por "engendrar".

Conclusão: a letra B é a única que reescreve o trecho sem trair o sentido. As demais trocam termos por sinônimos que alteram o significado (extrapolam, contradizem ou distorcem). Ao resolver questões de paráfrase, compare termo a termo e desconfie de sinônimos que mudam o tom ou o alcance.

Gabarito: letra B

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