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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184689
Banca
VUNESP
Órgão
CM Bady Bassit
Ano
2023
Cargo
ALg ( )

Viajandões

 

Violência urbana nunca foi novidade. Aumentou, mas sempre existiu. Porém, até ela já teve dias mais românticos. Podemos quase sentir saudades de uma época em que os crimes eram protagonizados por uma turma que queria apenas enriquecer sem trabalhar, e para isso invadia sua casa, levava seu carro ou afanava sua bolsa, mas sempre tendo a delicadeza de avisar antes: “Mãos ao alto, isso é um assalto!”. Eles sabiam o que estavam fazendo. E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida. Quase posso ver George Clooney no papel.

 

Hoje os meliantes chegam agressivamente comunicando “Perdeu! Perdeu!”, a polícia não aparece e ninguém sabe direito o que está fazendo: se antes éramos surpreendidos por um pessoal que, a seu modo, tentava evitar confusões desnecessárias, hoje nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato. Não se pode mais escolher entre a vida ou a bolsa: eles levam ambos.

 

A recomendação sempre foi a de não reagir. Eles têm uma arma, você não. Obedeça. Porém, até um tempo atrás, contávamos com um mínimo de discernimento a nosso favor. Quem nos assaltava sabia que estava cometendo um crime, sabia que deveria agir rápido e fazer o menor estrago possível, sem chamar atenção. Havia esperança de eles serem minimamente lúcidos e fazerem um serviço limpo.

 

Hoje, o cara que nos ataca pensa que é todo-poderoso. Tem delírio de todos os tipos. Se você ousar piscar os olhos, ele poderá interpretar como um sinal feito para o carro da frente. Se você estiver de camiseta verde, isso pode ser considerado uma provocação, já que a grama também é verde, você por acaso o está mandando pastar? Em sua infinita doideira, nós é que somos a ameaça.

 

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.   Tratando o tema da violência, a autora
  1. Afaz um cotejo entre os meliantes do passado e os de hoje, pintando uma imagem ao mesmo tempo idealizada e glamorosa daqueles.
  2. Bdescreve com objetividade e detalhes a postura dos meliantes como algo que se repete, apesar da passagem do tempo.
  3. Cexpressa sua confiança na possibilidade de que, nos dias de hoje, as vítimas de meliantes recebam tratamento mais humanitário.
  4. Ddeclara de modo assertivo a importância do reconhecimento da população diante da ação pronta e eficaz da polícia.
  5. Elamenta que o comportamento dos assaltantes dê prioridade à abordagem galante das vítimas da violência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — faz um cotejo entre os meliantes do passado e os de hoje, pintando uma imagem ao mesmo tempo idealizada e glamorosa daqueles.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cotejo entre passado e presente: a visão idealizada dos meliantes antigos

Gabarito: letra A. A autora faz um cotejo entre os meliantes do passado e os de hoje, e o faz pintando uma imagem idealizada e glamorosa dos antigos. Isso se prova no 1º parágrafo, quando ela diz que os crimes de outrora eram protagonizados por uma turma que "queria apenas enriquecer sem trabalhar", mas que "sempre tendo a delicadeza de avisar antes: 'Mãos ao alto, isso é um assalto!'", e que, ao ouvirem as sirenes, iam embora "não sem antes fazer uma mesura de despedida". A idealização aparece na palavra "delicadeza" e na "mesura de despedida" — gestos de cortesia que romantizam o assaltante — e o glamour se explicita na frase final do parágrafo: "Quase posso ver George Clooney no papel".

O comando pede uma compreensão/interpretação do texto: "Tratando o tema da violência, a autora...". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia que o texto sustenta, sem acrescentar nada de fora. A alternativa correta é a que resume o movimento central do texto: a comparação (cotejo) entre o assaltante de antigamente e o de hoje, com uma avaliação nostálgica e romantizada do primeiro.

O texto se organiza em dois blocos contrastantes. No 1º parágrafo, a autora descreve o meliante do passado com traços quase cavalheirescos: avisava antes do assalto, fugia ao ouvir a sirene e ainda fazia uma "mesura de despedida". No 2º parágrafo, o contraste é explícito: "Hoje os meliantes chegam agressivamente comunicando 'Perdeu! Perdeu!'", "nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato". Esse contraste entre o "antes" e o "hoje" é exatamente o cotejo — a comparação entre duas épocas — e a escolha de palavras como "delicadeza", "mesura" e a referência a George Clooney revela a idealização do passado.

A técnica que decide esta questão é a busca pela paráfrase exata. Cada alternativa deve ser testada perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A alternativa A é a única que se sustenta integralmente no texto, porque o cotejo (comparação) está na estrutura do texto (1º parágrafo × 2º parágrafo) e a idealização/glamour está nas palavras "delicadeza", "mesura" e na referência a George Clooney. As demais ou extrapolam (acrescentam ideias que o texto não diz), ou contradizem o texto, ou tangenciam o tema.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. A alternativa B, por exemplo, diz que a postura dos meliantes "se repete", mas o texto afirma exatamente o contrário: "se antes éramos surpreendidos por um pessoal que... hoje nos atacam completamente chapados". A pegadinha está em trocar a comparação (cotejo) por uma repetição — uma inversão sutil do sentido.

Cotejo entre passado e presente
  • 1Meliantes de antigamente
    • Delicadeza (avisavam antes)
    • Mesura de despedida
    • Glamour (George Clooney)
  • 2Meliantes de hoje
    • Agressivos ("Perdeu! Perdeu!")
    • Chapados e alucinados
    • Sem distinguir assalto de assassinato
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela afirma que a autora "faz um cotejo entre os meliantes do passado e os de hoje, pintando uma imagem ao mesmo tempo idealizada e glamorosa daqueles". O cotejo (comparação) está na estrutura do texto: o 1º parágrafo descreve os assaltantes de antigamente e o 2º parágrafo descreve os de hoje, com o contraste explícito "se antes éramos surpreendidos... hoje nos atacam". A idealização está nas palavras "delicadeza" e "mesura de despedida", que atribuem cortesia aos criminosos do passado. O glamour está na frase final do 1º parágrafo:

"Quase posso ver George Clooney no papel."

George Clooney é um ator associado a papéis de galã e de criminoso charmoso (como em Onze Homens e um Segredo). A referência a ele glamoriza o assaltante antigo, transformando-o em uma figura quase cinematográfica. A alternativa A é uma paráfrase fiel desse conjunto de ideias.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que a autora "descreve com objetividade e detalhes a postura dos meliantes como algo que se repete, apesar da passagem do tempo". Isso contradiz o texto. A autora não diz que a postura se repete; ela diz exatamente o oposto:

"se antes éramos surpreendidos por um pessoal que, a seu modo, tentava evitar confusões desnecessárias, hoje nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato."

O texto marca uma mudança radical de comportamento, não uma repetição. Além disso, a descrição não é "objetiva" — ela é carregada de ironia e subjetividade ("delicadeza", "mesura", "George Clooney"). A alternativa B contradiz o texto ao trocar a comparação por uma repetição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a autora "expressa sua confiança na possibilidade de que, nos dias de hoje, as vítimas de meliantes recebam tratamento mais humanitário". Isso é uma extrapolação completa. O texto não fala em "tratamento humanitário" em nenhum momento. Pelo contrário, a autora descreve os meliantes de hoje como "agressivos", "chapados", "alucinados" e sem discernimento. Não há nenhuma pista no texto que autorize a ideia de que as vítimas receberão tratamento humanitário. A alternativa C extrapola ao acrescentar uma ideia que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que a autora "declara de modo assertivo a importância do reconhecimento da população diante da ação pronta e eficaz da polícia". Isso é uma extrapolação e uma fuga ao tema. O texto menciona a polícia apenas de passagem, no 1º parágrafo, quando diz que os assaltantes antigos "iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia". Não há nenhuma discussão sobre a "importância do reconhecimento da população" nem sobre a "ação pronta e eficaz da polícia". A alternativa D tangencia o tema ao falar de algo que o texto não aborda.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a autora "lamenta que o comportamento dos assaltantes dê prioridade à abordagem galante das vítimas da violência". Isso é uma inversão do sentido do texto. A autora não lamenta que os assaltantes sejam galantes; ela lamenta que eles não sejam mais galantes. A nostalgia do 1º parágrafo é justamente pela "delicadeza" e pela "mesura" dos assaltantes antigos. A alternativa E contradiz o texto ao inverter a avaliação da autora: ela não critica a galanteria, ela sente saudade dela.

Conclusão: a questão testa a capacidade de identificar a tese central do texto e de reconhecer a paráfrase fiel. A alternativa A é a única que resume o movimento argumentativo do texto — o cotejo entre passado e presente com idealização do passado — sem acrescentar, omitir ou inverter nada. As demais alternativas ou contradizem o texto (B, E), ou extrapolam (C), ou tangenciam o tema (D).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de interpretação, grife as palavras que revelam a avaliação do autor ("delicadeza", "mesura", "George Clooney") e os conectivos de oposição ("Porém", "Hoje", "se antes... hoje"). Eles são as pistas que separam a paráfrase fiel da extrapolação.

Gabarito: letra A

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