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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184702
Banca
VUNESP
Órgão
CM Taubaté
Ano
2023
Cargo
CI ( )

Mídias sociais e o desafio de regulamentar sem ferir as

liberdades individuais

 

Nos últimos anos, houve um crescimento exponencial das mídias sociais por meio de aplicativos de conversação, postagens diversas e mensagens de texto. Tudo somado representa cerca de 10 bilhões de usuários no mundo, lembrando que um usuário pode estar em mais de um aplicativo. Com toda essa dimensão, o conteúdo dessas plataformas apresenta vários perfis de usuários, desde aqueles que sempre se submetem às regras do aplicativo até os que ignoram qualquer tipo de regra. A grande questão é como disciplinar o uso das plataformas, garantindo a todos o respeito ao princípio da liberdade de expressão e manifestação do pensamento, sem ferir outros princípios, como proteção da vida, da dignidade humana, da honra.

 

Por princípio, a liberdade de expressão é garantida, mas, como não é absoluta, encontra limites objetivos em condutas criminosas. Assim, quando se fala em regulamentar as mídias sociais, deve-se buscar um difícil equilíbrio. É preciso haver critérios objetivos sobre o que é vedado; não se pode permitir propagação do que é crime, como pedofilia, racismo, tráfico de drogas, enfim, tudo que se tipifica como conduta criminosa. Esta é a parte mais fácil, pois pode constar de forma objetiva numa regulamentação.

 

Mas, como lidar com mentiras, distorções dos fatos, fake news? É tarefa que não mostra facilidade objetiva e não pode ficar sujeita ao subjetivismo dos julgadores.

 

Como distinguir aquele que, de boa-fé, posta uma mentira daquele que posta a mentira com o objetivo de distorcer os fatos e provocar tumulto? A resposta mais próxima de uma solução parece ser esta: a avaliação pelo conjunto da obra de quem postou, monitorando o histórico de postagens.

 

Interessa que esse monitoramento se dê no âmbito privado, sem envolver o Estado. Ou seja, as plataformas devem se autorregulamentar e, ao receber uma denúncia ou capturar postagem inverídica, tomar as providências adequadas, que podem, no limite, sancionar o usuário com a suspensão ou o cancelamento do perfil.

 

E, caso nada se faça, devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo, em todos os âmbitos. Atualmente, as plataformas não têm nenhuma responsabilidade e podem inclusive ignorar conteúdos inapropriados que muitas vezes geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro.

 

(Francisco Gomes Júnior.

Disponível em: https://gazetadopovo.com.br/opinião/artigos. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.

 

É correto concluir que o autor defende

  1. Aa necessidade de responsabilizar as plataformas pelos conteúdos nelas veiculados, pois, no momento, a veiculação de conteúdos impróprios pode lhes ser rentável.
  2. Buma regulamentação rigorosa das mídias sociais, impedindo que se tornem porta-vozes de ideias atentatórias à integridade dos julgadores.
  3. Co monitoramento das postagens pelas plataformas, impondo veto prioritariamente às que permitam constatar que se trata de boa-fé do usuário.
  4. Dum novo estatuto para as mídias digitais, que passariam a ser geridas pelo Estado, a fim de garantir que não venham a veicular dados comprometedores.
  5. Ea corresponsabilidade das plataformas pelos conteúdos postados por seus usuários, além de propor que suas licenças para atuar no país sejam canceladas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a necessidade de responsabilizar as plataformas pelos conteúdos nelas veiculados, pois, no momento, a veiculação de conteúdos impróprios pode lhes ser rentável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mídias sociais e a responsabilidade das plataformas

Gabarito: letra A. O autor defende a necessidade de responsabilizar as plataformas pelos conteúdos nelas veiculados, pois, no momento, a veiculação de conteúdos impróprios pode lhes ser rentável. Essa conclusão está ancorada no último parágrafo do texto, quando o autor afirma que as plataformas "devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo" e que, atualmente, "não têm nenhuma responsabilidade e podem inclusive ignorar conteúdos inapropriados que muitas vezes geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro". A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa passagem.

O comando pede uma conclusão sobre o que o autor defende, ou seja, uma inferência baseada nas ideias centrais do texto. Não se trata de localizar uma informação literal, mas de sintetizar a tese do autor a partir dos argumentos apresentados. O texto é dissertativo-argumentativo: o autor discute o desafio de regulamentar as mídias sociais sem ferir a liberdade de expressão, propõe a autorregulamentação pelas plataformas e, ao final, defende que elas sejam corresponsáveis pelo conteúdo veiculado.

A tese central do autor está na conclusão do texto, onde ele propõe a corresponsabilidade das plataformas. O argumento que sustenta essa tese é o fato de que a veiculação de conteúdos impróprios pode ser lucrativa para as plataformas, pois gera engajamento e tráfego. A alternativa A captura exatamente essa relação: a necessidade de responsabilizar as plataformas (corresponsabilidade) e o motivo (rentabilidade da veiculação de conteúdos impróprios).

A técnica para resolver esta questão é identificar a tese do autor (o que ele defende) e o argumento que a sustenta. A tese está na conclusão, e o argumento está na justificativa apresentada. A alternativa correta deve conter ambos os elementos, sem acrescentar informações que o texto não traz.

"E, caso nada se faça, devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo, em todos os âmbitos. Atualmente, as plataformas não têm nenhuma responsabilidade e podem inclusive ignorar conteúdos inapropriados que muitas vezes geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro."

Este trecho prova a alternativa A: o autor defende a corresponsabilidade ("devem tornar-se corresponsáveis") e aponta a rentabilidade como um dos problemas ("geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro").

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é uma paráfrase fiel do último parágrafo. O autor defende que as plataformas "devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo" e critica o fato de que, atualmente, elas "não têm nenhuma responsabilidade" e podem ignorar conteúdos impróprios que geram lucro. A alternativa condensa essas duas ideias: a necessidade de responsabilização e o motivo (rentabilidade). Não há qualquer acréscimo de informação externa ao texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B extrapola o texto ao afirmar que o autor defende uma "regulamentação rigorosa" que impeça as plataformas de serem "porta-vozes de ideias atentatórias à integridade dos julgadores". O texto não menciona "integridade dos julgadores" nem defende uma regulamentação "rigorosa" nesses termos. O autor fala em "critérios objetivos" e em "difícil equilíbrio", mas não propõe uma regulamentação que proteja os julgadores. A expressão "porta-vozes de ideias atentatórias à integridade dos julgadores" é uma invenção que não encontra respaldo no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C contradiz o texto ao afirmar que o autor defende "veto prioritariamente às que permitam constatar que se trata de boa-fé do usuário". O texto propõe exatamente o oposto: a avaliação deve distinguir quem posta de boa-fé de quem posta com intenção de distorcer. O autor não defende "veto" a postagens de boa-fé; ele defende a avaliação "pelo conjunto da obra de quem postou, monitorando o histórico de postagens". A alternativa inverte o sentido da proposta do autor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D contradiz o texto ao afirmar que as plataformas "passariam a ser geridas pelo Estado". O autor é explícito ao defender o contrário: "Interessa que esse monitoramento se dê no âmbito privado, sem envolver o Estado. Ou seja, as plataformas devem se autorregulamentar". A alternativa inverte a posição central do autor, que é favorável à autorregulamentação privada, não à gestão estatal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E extrapola o texto ao afirmar que o autor propõe "que suas licenças para atuar no país sejam canceladas". O texto não menciona "licenças" nem "cancelamento" de licenças. O autor fala em "suspensão ou o cancelamento do perfil" do usuário, não da plataforma. A alternativa confunde o objeto da sanção: o autor propõe sanções aos usuários, não às plataformas. Além disso, a corresponsabilidade é defendida, mas o cancelamento de licenças é uma medida que não está no texto.

Conclusão: A questão testa a capacidade de identificar a tese do autor e o argumento que a sustenta. A alternativa A é a única que sintetiza fielmente a posição do autor, sem acrescentar, omitir ou inverter informações. As demais alternativas ou extrapolam o texto (B, E), ou o contradizem (C, D).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de interpretação, identifique primeiro a tese do autor (o que ele defende) e o argumento principal (por que ele defende). A alternativa correta deve conter ambos, sem informações de fora do texto. Desconfie de alternativas que usam palavras absolutas como "rigorosa", "prioritariamente" ou "canceladas", que geralmente indicam extrapolação.

Gabarito: letra A

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