Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Vocábulo "Como" — VUNESP 2023

PortuguêsVocábulo "Como"
Código
vu184704
Banca
VUNESP
Órgão
CM Taubaté
Ano
2023
Cargo
CI ( )

Mídias sociais e o desafio de regulamentar sem ferir as

liberdades individuais

 

Nos últimos anos, houve um crescimento exponencial das mídias sociais por meio de aplicativos de conversação, postagens diversas e mensagens de texto. Tudo somado representa cerca de 10 bilhões de usuários no mundo, lembrando que um usuário pode estar em mais de um aplicativo. Com toda essa dimensão, o conteúdo dessas plataformas apresenta vários perfis de usuários, desde aqueles que sempre se submetem às regras do aplicativo até os que ignoram qualquer tipo de regra. A grande questão é como disciplinar o uso das plataformas, garantindo a todos o respeito ao princípio da liberdade de expressão e manifestação do pensamento, sem ferir outros princípios, como proteção da vida, da dignidade humana, da honra.

 

Por princípio, a liberdade de expressão é garantida, mas, como não é absoluta, encontra limites objetivos em condutas criminosas. Assim, quando se fala em regulamentar as mídias sociais, deve-se buscar um difícil equilíbrio. É preciso haver critérios objetivos sobre o que é vedado; não se pode permitir propagação do que é crime, como pedofilia, racismo, tráfico de drogas, enfim, tudo que se tipifica como conduta criminosa. Esta é a parte mais fácil, pois pode constar de forma objetiva numa regulamentação.

 

Mas, como lidar com mentiras, distorções dos fatos, fake news? É tarefa que não mostra facilidade objetiva e não pode ficar sujeita ao subjetivismo dos julgadores.

 

Como distinguir aquele que, de boa-fé, posta uma mentira daquele que posta a mentira com o objetivo de distorcer os fatos e provocar tumulto? A resposta mais próxima de uma solução parece ser esta: a avaliação pelo conjunto da obra de quem postou, monitorando o histórico de postagens.

 

Interessa que esse monitoramento se dê no âmbito privado, sem envolver o Estado. Ou seja, as plataformas devem se autorregulamentar e, ao receber uma denúncia ou capturar postagem inverídica, tomar as providências adequadas, que podem, no limite, sancionar o usuário com a suspensão ou o cancelamento do perfil.

 

E, caso nada se faça, devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo, em todos os âmbitos. Atualmente, as plataformas não têm nenhuma responsabilidade e podem inclusive ignorar conteúdos inapropriados que muitas vezes geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro.

 

(Francisco Gomes Júnior.

Disponível em: https://gazetadopovo.com.br/opinião/artigos. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.

 

Os trechos destacados nas passagens – ... a liberdade de expressão é garantida, mas, como não é absoluta, encontra limites... / ... tudo que tipifica como conduta criminosa. – expressam, correta e respectivamente, as noções de

  1. Acausa e modo.
  2. Bcomparação e modo.
  3. Ccausa e conclusão.
  4. Dcomparação e conclusão.
  5. Emodo e modo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — causa e modo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico do vocábulo "como"

Gabarito: letra A. A questão pede o valor semântico do vocábulo "como" em dois trechos distintos: no primeiro, "como não é absoluta" expressa causa (a razão pela qual a liberdade de expressão encontra limites); no segundo, "tudo que se tipifica como conduta criminosa" expressa modo (a maneira como algo é tipificado). A alternativa A é a única que combina corretamente essas duas noções.

O comando

O enunciado pede que se identifique a noção semântica expressa pelo vocábulo "como" em cada ocorrência destacada. Isso é uma questão de interpretação de texto aplicada à gramática: não basta saber a classe gramatical, é preciso analisar o contexto para determinar o sentido. A banca explora a polissemia do "como", que pode assumir diversos valores: causa, modo, comparação, conformidade, entre outros.

O texto

O texto discute a regulamentação das mídias sociais e a necessidade de equilibrar a liberdade de expressão com outros princípios. No segundo parágrafo, o autor afirma:

"a liberdade de expressão é garantida, mas, como não é absoluta, encontra limites objetivos em condutas criminosas"

Aqui, o "como" introduz a justificativa para o fato de a liberdade de expressão encontrar limites: ela não é absoluta. Portanto, é uma relação de causa.

No mesmo parágrafo, lê-se:

"tudo que se tipifica como conduta criminosa"

Nesse trecho, o "como" indica a maneira pela qual algo é tipificado: na qualidade de conduta criminosa. É uma relação de modo.

A técnica

Para resolver questões de valor semântico, o método é substituir o vocábulo por um sinônimo ou expressão equivalente e verificar se o sentido se mantém. No primeiro caso, "como não é absoluta" pode ser substituído por "porque não é absoluta" — mantém o sentido de causa. No segundo, "tipifica como conduta criminosa" pode ser substituído por "tipifica na qualidade de conduta criminosa" — mantém o sentido de modo.

A pegadinha da banca está em confundir "como" com valor de comparação (que exige dois termos comparados) ou de conformidade (que exige acordo com algo). No primeiro trecho, não há comparação entre dois elementos; há uma justificativa. No segundo, não há comparação nem conformidade; há a maneira como algo é classificado.

1Causa
Substitui por "porque"
Ex.: "como não é absoluta"
2Modo
Substitui por "na qualidade de"
Ex.: "tipifica como conduta criminosa"
3Comparação
Exige dois termos
Ex.: "tão livre como o vento"
4Conformidade
Exige acordo com algo
Ex.: "conforme a lei"
Valor semântico do "como"
LEVELsoulevel.com.br
Valor semântico do "como": Causa (Substitui por "porque", Ex.: "como não é absoluta"); Modo (Substitui por "na qualidade de", Ex.: "tipifica como conduta criminosa"); Comparação (Exige dois termos, Ex.: "tão livre como o vento"); Conformidade (Exige acordo com algo, Ex.: "conforme a lei")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque combina os dois valores semânticos identificados: causa no primeiro trecho e modo no segundo. A substituição por "porque" e "na qualidade de" confirma os sentidos, respectivamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao classificar o primeiro "como" como comparação. No trecho "como não é absoluta", não há dois elementos sendo comparados; há uma justificativa. A comparação exigiria dois termos, como em "ela é tão livre como o vento". O erro é de troca de conceito: confundir causa com comparação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C erra ao classificar o segundo "como" como conclusão. No trecho "tudo que se tipifica como conduta criminosa", não há uma conclusão; há a maneira como algo é tipificado. A conclusão seria expressa por conectivos como "portanto" ou "logo". O erro é de troca de conceito: confundir modo com conclusão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D erra duplamente: classifica o primeiro "como" como comparação (quando é causa) e o segundo como conclusão (quando é modo). O erro é de troca de conceito em ambas as ocorrências.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra ao classificar o primeiro "como" como modo. No trecho "como não é absoluta", o "como" não indica a maneira como algo é feito; indica a causa. O erro é de troca de conceito: confundir causa com modo.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de valor semântico, substitua o vocábulo por sinônimos e veja qual mantém o sentido. "Como" pode ser causa (porque), modo (na qualidade de), comparação (tal qual) ou conformidade (conforme).

Gabarito: letra A — a única que identifica corretamente os valores de causa e modo.

Link permanente: /questoes/vu184704