Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184714
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Cargo
Rev Tex ( )

Quando falamos em transplante de órgãos, existem dois tipos de doadores: o doador vivo e o doador falecido. No segundo caso, é a família quem autoriza a doação. Mas como funciona o transplante com doador vivo? Esse tipo de doador pode doar um dos rins, parte do fígado, parte dos pulmões ou parte da medula óssea. Nesses casos, a legislação brasileira permite que cônjuges e parentes de até quarto grau sejam doadores. Para pessoas que não são parentes, a doação só é possível com autorização judicial.

 

A exceção é o transplante de medula óssea. Nesse caso, os doadores podem ser buscados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), no qual pessoas podem se cadastrar voluntariamente para doar. Isso não significa que a pessoa irá doar a medula de fato. Os dados dela ficam registrados, e ela é acionada se houver um paciente compatível precisando do transplante.

 

Um ponto importante é que, idealmente, quem cuida do doador não deve cuidar do receptor. “Porque o médico que está muito envolvido com o receptor tem um grande conflito de interesse na doação”, explica Sandra Vieira, chefe do Programa de Transplante de Fígado Infantil do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. De acordo com a médica, a recomendação é que todos os doadores tenham acompanhamento de um profissional que é chamado de advocate (uma espécie de “defensor”), alguém que será responsável por esclarecer as dúvidas e dar suporte ao doador.

 

(Maiara Ribeiro. Como funciona o transplante de órgãos entre pessoas vivas. Portal Dráuzio Varella. 28 set. 2022. Adaptado)

Texto

   

De acordo com o texto, é correto afirmar que

  1. Aa doação de medula óssea independe de autorização judicial no caso de pessoas não aparentadas, sendo necessário apenas que o doador se cadastre para o caso de encontrarem um paciente compatível.
  2. Ba doação de órgãos de doadores vivos é realizada, preferencialmente, com a autorização da família, a qual deve estar ciente dos riscos envolvidos no procedimento.
  3. Co conflito de interesses em um processo de doação de órgãos de doadores vivos se deve ao fato de que o médico do paciente que precisa de um transplante não tem contato com o doador.
  4. Da lei exige que doadores de órgãos ainda vivos devem ter um advogado que lhes possa dar todo o suporte jurídico necessário e esclarecer os riscos envolvidos no processo.
  5. Eos parentes de pacientes que necessitam de transplante podem doar certos órgãos, como um rim ou parte do fígado, contanto que haja autorização judicial para tanto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a doação de medula óssea independe de autorização judicial no caso de pessoas não aparentadas, sendo necessário apenas que o doador se cadastre para o caso de encontrarem um paciente compatível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transplante de órgãos: compreensão e paráfrase fiel

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a única que parafraseia fielmente o que o texto afirma sobre a doação de medula óssea: ela independe de autorização judicial para não aparentados, bastando o cadastro voluntário no Redome para ser acionado se houver paciente compatível. Como se lê no 2º parágrafo: "A exceção é o transplante de medula óssea. Nesse caso, os doadores podem ser buscados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), no qual pessoas podem se cadastrar voluntariamente para doar." As demais alternativas contradizem o texto ou extrapolam informações que ele não traz.

O comando

O enunciado pede "de acordo com o texto" — ou seja, compreensão/recorrência: a resposta deve estar explícita no texto, reescrita por paráfrase, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir, mas de reconhecer a informação literal. Por isso, cada alternativa deve ser testada contra o texto: o que ele autoriza? O que ele não diz?

O texto e a tese

O texto explica como funciona o transplante com doador vivo, distinguindo dois casos: (1) doação de órgãos como rim, fígado, pulmão ou medula — para parentes até 4º grau e cônjuges é permitida por lei; para não parentes, exige autorização judicial; (2) exceção: a medula óssea, que pode ser doada por qualquer pessoa cadastrada no Redome, sem exigência de parentesco ou autorização judicial. O 3º parágrafo trata do conflito de interesses do médico que cuida do receptor e da recomendação de um advocate (defensor) para o doador.

A técnica que decide

A pegadinha central é a troca de termos: a banca substitui palavras-chave para inverter o sentido. Veja o padrão:

Alternativa

Termo trocado

Efeito

B

"autorização judicial" → "autorização da família"

Contradiz o texto (família autoriza só doador falecido)

C

"conflito de interesses" → causa não mencionada

Extrapola (texto não diz que médico não tem contato)

D

"advocate" → "advogado"

Troca conceito (advocate é defensor, não advogado)

E

"parentes" → "autorização judicial"

Contradiz (parentes não precisam de autorização)

A correta (A) não troca nada: mantém exatamente o que o texto diz sobre a medula.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto afirma, no 2º parágrafo:

"A exceção é o transplante de medula óssea. Nesse caso, os doadores podem ser buscados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), no qual pessoas podem se cadastrar voluntariamente para doar. Isso não significa que a pessoa irá doar a medula de fato. Os dados dela ficam registrados, e ela é acionada se houver um paciente compatível precisando do transplante."

A alternativa A parafraseia esse trecho: "independe de autorização judicial" (porque é exceção à regra geral), "basta cadastrar" (cadastro voluntário) e "acionada se houver paciente compatível" (dados registrados, acionada se compatível). Nenhuma informação foi acrescentada ou suprimida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a doação de órgãos de doadores vivos é feita "preferencialmente, com a autorização da família". O texto, porém, afirma que a autorização da família ocorre apenas no caso de doador falecido: "No segundo caso, é a família quem autoriza a doação." Para doador vivo, a regra é outra: parentes até 4º grau e cônjuges podem doar sem autorização judicial; não parentes precisam de autorização judicial. A alternativa contradiz o texto ao transferir a autorização da família para o doador vivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o conflito de interesses se deve ao fato de o médico do paciente "não ter contato com o doador". O texto diz o oposto: o conflito existe porque o médico está muito envolvido com o receptor — "Porque o médico que está muito envolvido com o receptor tem um grande conflito de interesse na doação". A alternativa inverte a causa e extrapola ao afirmar que o médico não tem contato com o doador, informação ausente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa troca "advocate" por "advogado" e afirma que a lei exige suporte jurídico. O texto menciona um profissional chamado advocate — "uma espécie de 'defensor', alguém que será responsável por esclarecer as dúvidas e dar suporte ao doador" — mas não diz que é advogado nem que a lei exige. A alternativa troca o conceito (advocate ≠ advogado) e extrapola ao impor exigência legal inexistente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que parentes podem doar órgãos "contanto que haja autorização judicial". O texto diz o contrário: "a legislação brasileira permite que cônjuges e parentes de até quarto grau sejam doadores" — sem mencionar autorização judicial para eles. A autorização judicial é exigida apenas para não parentes. A alternativa contradiz o texto ao inverter a regra.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife os termos-chave (autorização judicial, família, parentes, medula) e confira se a alternativa os usa com o mesmo sentido do texto. Desconfie de trocas sutis como "advocate" → "advogado" ou "família" → "doador vivo".

Gabarito: letra A. A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a que reproduz, sem acréscimos, a exceção da medula óssea: cadastro voluntário, sem autorização judicial, acionamento apenas se houver paciente compatível.

Link permanente: /questoes/vu184714