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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184723
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2023
Cargo
PACC ( )

Pelé, o reinventor

 

O Santos veio jogar em Porto Alegre, e o menino entrou no segundo tempo. Eu gostaria de dizer que identifiquei logo o gênio, mas não seria verdade. Só me impressionei com a sua pouca idade, ele parecia ainda não ter físico para jogar com gente grande.

 

Como o resto do Brasil, descobri que Pelé era um fenômeno apenas na Copa de 58. Quando morei no Rio de Janeiro, eu ia ao Maracanã ver o Pelé jogar. O Maracanã enchia para ver o Pelé jogar, não importava contra quem. Um caso raro no mundo de jogador que tinha sua torcida particular, muito maior do que a torcida do seu clube.

 

Ele era brilhante. Mas nunca se viu ele fazer uma brilhatura só pela brilhatura. A jogada espetacular do Pelé era sempre um meio para chegar mais rapidamente ao fim, que era o gol. Se para chegar ao gol adversário ele ia reinventando o futebol pelo caminho, melhor para nós.

 

(Luiz Fernando Verissimo. https://www.estadao.com.br)

Leia o texto para responder à questão.     No texto, Pelé é apresentado por um viés de
  1. Acrítica, reforçado pelo início precoce do jogador no futebol, antes do domínio de técnicas esportivas.
  2. Bdubiedade, reforçado pelas oposições estabelecidas entre o jovem jogador e o jogador brilhante.
  3. Cadmiração, reforçado pelo relato intimista do narrador e pela enumeração de defeitos do jogador.
  4. Dexaltação, reforçado pelas impressões subjetivas do cronista e pelas habilidades do jogador.
  5. Epolidez, reforçado pela forma objetiva e impessoal na citação de momentos hesitosos do jogador.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — exaltação, reforçado pelas impressões subjetivas do cronista e pelas habilidades do jogador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O viés de exaltação no texto sobre Pelé

Gabarito: letra D. O texto apresenta Pelé por um viés de exaltação, reforçado pelas impressões subjetivas do cronista e pelas habilidades do jogador. Como se lê no 3º parágrafo: "Ele era brilhante" e "A jogada espetacular do Pelé era sempre um meio para chegar mais rapidamente ao fim, que era o gol" — expressões que enaltecem o jogador, somadas ao relato em 1ª pessoa do narrador, que compartilha suas impressões pessoais.

O comando pede que se identifique o viés (o ângulo, a perspectiva) pelo qual Pelé é apresentado. Isso é uma questão de compreensão global: não se trata de localizar uma informação pontual, mas de captar o tom que o autor imprime ao texto. O cronista Luiz Fernando Verissimo escreve uma crônica memorialística, em que narra suas experiências pessoais com o jogador — do primeiro contato no Santos até a consagração no Maracanã — sempre com palavras de encômio.

O texto é claramente elogioso. Veja os indícios: no 2º parágrafo, "O Maracanã enchia para ver o Pelé jogar, não importava contra quem" e "Um caso raro no mundo de jogador que tinha sua torcida particular"; no 3º, "Ele era brilhante" e a ideia de que ele "reinventava o futebol pelo caminho". Não há nenhuma crítica, nenhuma ressalva negativa, nenhuma ambiguidade. O narrador assume a própria subjetividade — "Eu gostaria de dizer que identifiquei logo o gênio, mas não seria verdade" — o que reforça o caráter pessoal e afetivo do relato.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito, sem acrescentar nada de fora. As distratoras ou extrapolam (inventam uma crítica que não existe), ou restringem (transformam uma impressão em defeito), ou tangenciam (falam de algo que o texto não aborda).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o texto apresenta Pelé por um viés de crítica, reforçado pelo início precoce. Isso contradiz o texto: não há nenhuma crítica ao jogador. O narrador até menciona que "ele parecia ainda não ter físico para jogar com gente grande", mas isso é uma impressão inicial do narrador, não uma crítica a Pelé — e logo em seguida o texto o exalta. A alternativa extrapola ao transformar uma observação pontual em um viés crítico global.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em dubiedade, reforçada por oposições entre o jovem jogador e o jogador brilhante. O texto não estabelece oposição: a pouca idade é apenas um dado do primeiro contato, e a brilhantismo é o que predomina. Não há ambiguidade nem contradição no retrato. A alternativa tangencia o texto, projetando uma estrutura de oposição que não existe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em admiração, mas diz que ela é reforçada pela "enumeração de defeitos do jogador". O texto não enumera defeitos — não há nenhum defeito apontado. A palavra "defeitos" é uma extrapolação clara. A admiração existe, mas o reforço apontado é falso.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa D é a única inteiramente sustentada. O texto é uma exaltação de Pelé: "Ele era brilhante", "A jogada espetacular do Pelé era sempre um meio para chegar mais rapidamente ao fim", "reinventava o futebol pelo caminho". As impressões subjetivas do cronista aparecem em todo o relato em 1ª pessoa ("Eu gostaria de dizer...", "Só me impressionei..."), e as habilidades do jogador são o centro do elogio. Tudo isso está no texto, sem acréscimos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em polidez, reforçada por "forma objetiva e impessoal". O texto é exatamente o oposto: é subjetivo e pessoal (relato em 1ª pessoa, com impressões e afetos). Além disso, "polidez" não é o viés do texto — não há cortesia formal, há admiração. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que a forma é objetiva e impessoal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de projetar no texto informações do mundo real (crítica, dubiedade, defeitos) que não estão nele. A correta é a que se limita ao que o texto diz.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "viés" pede o tom do texto. Pergunte: o autor elogia, critica, ironiza? As palavras-chave de valor ("brilhante", "espetacular", "gênio") revelam o tom.

Gabarito: letra D — a única que o texto sustenta integralmente, sem extrapolar, restringir ou contradizer.

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