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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184731
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Araçatuba
Ano
2023
Cargo
AEsc (Araçatuba)

A comadre Beth Carvalho

 

O jogador de futebol Alcir Portella deixou a quadra do Cacique de Ramos, achou um orelhão, que por sorte estava funcionando e ligou para Beth Carvalho: “Tudo bem, comadre? Queria que você desse um pulo aqui na rua Uranos para conhecer um negócio. Ninguém vai pedir para você cantar nada. Tem uma comida de que você vai gostar. Vamos jogar um buraco...”.

 

Alcir queria que Beth conferisse uma reunião informal, sempre às quartas-feiras, uma pelada entre amigos, uma galinhada com cerveja e depois uma roda de samba intimista, com o pessoal tocando banjo, tantã e repique de mão, cantando e improvisando versos debaixo de uma enorme tamarineira.

 

Ali nasceu, em meados dos anos 1970, o que mais tarde o mercado fonográfico batizaria de “pagode carioca”, tendo à frente o grupo Fundo de Quintal e os compositores e cantores Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Jovelina Pérola Negra. Mas era muito mais do que isso, verdadeira revolução no gênero.

 

O historiador e sambista Nei Lopes afirma: “O movimento que surgiu no Cacique de Ramos tem o mesmo peso da revolução da bossa nova. E vai além, porque inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.

 

Beth não saiu mais do Cacique, a ponto de Bira, o presidente do clube e do bloco de embalo, sugerir a construção na quadra de um banheiro feminino, que se chamaria Beth Carvalho. A cantora, educadamente, recusou a homenagem.

 

Mas levou aquela vitalidade sonora para seu disco de 1978, “De Pé no Chão”, cuja história acaba de ser contada em um livro recém-lançado do jornalista Leonardo Bruno.

 

(Alvaro Costa e Silva, A comadre Beth Carvalho. https://www.folha.uol.com.br, 09.12.2022. Adaptado)

Na passagem do parágrafo – “... o que mais tarde o mercado fonográfico batizaria de “pagode carioca”... –, o emprego da forma verbal destacada indica que o nome “pagode carioca”

  1. Ase contrapunha à vontade dos artistas, que se viam ainda como sambistas.
  2. Bse atribuiu de imediato à criação dos grupos e do movimento artístico.
  3. Cse mostrava como designação improvável quando o movimento surgiu.
  4. Dse firmou tempos depois, pois a arte musical foi fraca em seu início.
  5. Ese consolidou anos após o surgimento do movimento musical.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — se consolidou anos após o surgimento do movimento musical.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor do futuro do pretérito em “batizaria”

Gabarito: letra E. O emprego de “batizaria” (futuro do pretérito do indicativo) indica que o nome “pagode carioca” se consolidou anos após o surgimento do movimento musical — exatamente o que afirma a alternativa E. A forma verbal expressa um fato posterior a um marco passado (o nascimento do movimento, em meados dos anos 1970), e o advérbio “mais tarde” reforça essa posterioridade. Como se lê no texto: “Ali nasceu, em meados dos anos 1970, o que mais tarde o mercado fonográfico batizaria de ‘pagode carioca’”.

O comando pede compreensão (não inferência): a resposta está explícita na relação entre o tempo verbal e o contexto. A tarefa é reconhecer o valor semântico do futuro do pretérito — tempo que, no passado, indica um fato que ainda não tinha ocorrido naquele momento, ou seja, algo que viria a acontecer depois. Aqui, o verbo “batizaria” não expressa uma ação imediata nem uma hipótese: expressa uma ação futura em relação ao passado narrado.

O texto narra a origem do pagode carioca: primeiro, a reunião informal no Cacique de Ramos; depois, o batismo do gênero pelo mercado fonográfico. A ordem dos eventos é clara: o movimento nasceu primeiro; o nome veio depois. O futuro do pretérito é a ferramenta gramatical que materializa essa sequência — ele projeta, a partir do passado, um acontecimento que ainda estava por vir.

A armadilha central da questão está em confundir o tempo verbal com juízos de valor ou com a velocidade do batismo. As alternativas A, B, C e D introduzem ideias que o texto não autoriza: oposição dos artistas, imediatismo, improbabilidade ou fraqueza inicial do movimento. Nada disso está no texto — são extrapolações. A única leitura sustentada é a da posterioridade: o nome só se firmou tempos depois.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tempo verbal (futuro do pretérito) e a ideia de imediatismo ou de qualidade do movimento. O verbo “batizaria” não diz quando nem como o nome foi dado — diz apenas que foi depois. Qualquer alternativa que acrescente causa, oposição ou juízo de valor está extrapolando.

  1. 1Fato no passado (nasceu)
  2. 2Fato posterior (batizaria)
  3. 3Nome consolidado depois
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona qualquer oposição dos artistas ao nome “pagode carioca”. A passagem apenas diz que o mercado fonográfico batizou o movimento assim, sem registrar reação alguma dos envolvidos. A alternativa inventa um conflito que não existe no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O advérbio “mais tarde” e o futuro do pretérito “batizaria” indicam posterioridade, não imediatismo. Dizer que o nome “se atribuiu de imediato” contraria frontalmente a ideia de que o batismo ocorreu depois do surgimento do movimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que o nome era improvável quando o movimento surgiu. A palavra “improvável” expressa um juízo de probabilidade que não está no texto. O autor apenas registra a sequência temporal: primeiro o movimento, depois o nome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação com opinião embutida. A alternativa afirma que a arte musical foi fraca em seu início — informação totalmente ausente do texto. O texto, ao contrário, valoriza o movimento (“verdadeira revolução no gênero”). A alternativa mistura um dado temporal (o nome veio depois) com uma avaliação negativa que o autor não faz.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia com fidelidade o que o texto diz. O futuro do pretérito “batizaria” + o advérbio “mais tarde” indicam que o nome “pagode carioca” se consolidou anos após o surgimento do movimento musical. Não há acréscimo de informação: apenas a leitura correta da relação temporal expressa pela forma verbal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre valor de tempo verbal, pergunte-se: “esse tempo expressa anterioridade, simultaneidade ou posterioridade?”. O futuro do pretérito, no passado, quase sempre indica posterioridade — algo que viria depois. Grife os advérbios que reforçam a relação (“mais tarde”, “depois”, “anos após”).

Gabarito: letra E — a única alternativa que se limita a reconhecer a posterioridade expressa por “batizaria”, sem acrescentar nada que o texto não diga.

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