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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184733
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Araçatuba
Ano
2023
Cargo
ADI ( )

Educação midiática

 

Avaliar a confiabilidade de uma informação antes de repassá-la, identificar a intenção das mensagens a que estamos expostos, compreender o papel do jornalismo na sociedade(a) e, principalmente, reconhecer a responsabilidade de cada um de nós ao produzir e compartilhar conteúdos. Esses são alguns dos temas incluídos no currículo de escolas preocupadas com a avalanche de fake news que vem corroendo o direito da população a informações de qualidade.

 

“Unimos dados históricos ao ensino de pesquisa digital para que os alunos possam reconhecer mensagens falsas, aprendam a elaborar perguntas e, na dúvida, sempre verifiquem a informação”,(b) contou Rita de Cássia Baccari, professora de educação digital na EMEF M’Boi Mirim II, na zona sul de São Paulo.

 

Além de diversos projetos pelo país, o que mais chama atenção é o entendimento crescente de que a tarefa de combater fake news e navegar com responsabilidade pelo universo da informação precisa ser incorporada ao currículo das escolas.(c) Nesse contexto, o EducaMídia, programa criado para capacitar professores e organizações de ensino e engajar a sociedade no processo de educação midiática dos jovens, desenvolveu diversos materiais didáticos(d) adotados pela rede pública do Estado de São Paulo, além de ter parcerias com outras dez secretarias de educação para formação de professores.

 

A educação midiática no Brasil, ainda que não seja uma política pública com nome e sobrenome, encontra diversos espaços de aplicação na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esta é uma oportunidade que não podemos desperdiçar. O documento, que norteia a construção de currículos escolares, dá importante destaque para a cultura digital, preconizando a necessidade de os estudantes reconhecerem diferentes gêneros midiáticos, avaliarem a confiabilidade das informações que consomem e produzirem conteúdos com responsabilidade.

 

Diante dos imensos desafios trazidos pela desinformação, não há solução mágica que transforme o cenário da noite para o dia — é preciso investir em educação de qualidade, abrindo as escolas para os problemas atuais e criando oportunidades para que crianças e jovens sejam agentes de transformação.(e)

 

(Daniela Machado. O tempero brasileiro para uma educação finlandesa. Folha de S. Paulo, 08.12.2022)

Pode-se identificar a opinião da autora do texto no trecho:
  1. AAvaliar a confiabilidade de uma informação antes de repassá-la, identificar a intenção das mensagens a que estamos expostos, compreender o papel do jornalismo na sociedade...
  2. B“Unimos dados históricos ao ensino de pesquisa digital para que os alunos possam reconhecer mensagens falsas, aprendam a elaborar perguntas e, na dúvida, sempre verifiquem a informação”...
  3. C... a tarefa de combater fake news e navegar com responsabilidade pelo universo da informação precisa ser incorporada ao currículo das escolas.
  4. D... o EducaMídia, programa criado para capacitar professores e organizações de ensino e engajar a sociedade no processo de educação midiática dos jovens, desenvolveu diversos materiais didáticos...
  5. E... é preciso investir em educação de qualidade, abrindo as escolas para os problemas atuais e criando oportunidades para que crianças e jovens sejam agentes de transformação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — ... é preciso investir em educação de qualidade, abrindo as escolas para os problemas atuais e criando oportunidades para que crianças e jovens sejam agentes de transformação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Opinião da autora em texto dissertativo-argumentativo

Gabarito: letra E. O trecho da alternativa E é o único em que a autora expressa claramente sua opinião — um juízo de valor sobre o que deve ser feito —, enquanto as demais alternativas apresentam fatos, citações ou descrições de iniciativas. A passagem que sustenta essa leitura está no último parágrafo: "é preciso investir em educação de qualidade, abrindo as escolas para os problemas atuais e criando oportunidades para que crianças e jovens sejam agentes de transformação". O verbo "precisar" e a estrutura "é preciso" revelam uma avaliação da autora sobre a solução necessária, e não uma simples constatação.

A questão pede que se identifique o trecho em que a autora opina. Isso exige distinguir fato de opinião: fato é informação verificável, impessoal; opinião é um juízo de valor, geralmente marcado por verbos como "precisar", "dever", "ser necessário", ou por adjetivos avaliativos. No texto, a autora defende a educação midiática como resposta à desinformação, e sua tese aparece de forma explícita na conclusão. As alternativas A, B, C e D, embora tratem do mesmo tema, apresentam conteúdos objetivos — o que o currículo inclui, o que uma professora disse, o que se entende como tarefa, o que o programa EducaMídia fez — sem que a autora emita juízo próprio.

A técnica para resolver é: localize os verbos e estruturas que indicam modalização ("é preciso", "deve", "é necessário", "não podemos desperdiçar"). Esses elementos marcam a presença do autor, sua avaliação sobre o que é certo, necessário ou desejável. No texto, a autora usa "é preciso" no último parágrafo, e também "Esta é uma oportunidade que não podemos desperdiçar" no quarto parágrafo — ambos são marcas de opinião. Já os trechos das alternativas A, B, C e D são, respectivamente, uma enumeração de temas, uma fala citada de outra pessoa, uma constatação sobre o entendimento crescente e uma descrição de um programa — todos sem juízo de valor da autora.

Pegadinha: a banca adora colocar trechos que são fatos verdadeiros ou citações como distratores, porque o candidato pode achar que tudo o que está no texto é opinião do autor. Mas opinião é só o que expressa avaliação pessoal, não o que relata ou descreve. Fique atento aos verbos modais e às estruturas impessoais de obrigação.

PEGA ESSA DICA!

Grife no texto os verbos que indicam necessidade ou dever ("é preciso", "deve", "precisa ser") — eles são a assinatura da opinião. Se o trecho apenas informa, cita ou descreve, não é opinião.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O trecho enumera temas do currículo: "Avaliar a confiabilidade de uma informação antes de repassá-la, identificar a intenção das mensagens...". Isso é uma descrição objetiva de conteúdos, sem juízo de valor da autora. Ela não diz se isso é bom, necessário ou errado — apenas lista. Erro: fora_do_escopo (não é opinião, é fato/descrição).

Alternativa B — ❌ Incorreta

É uma citação direta da professora Rita de Cássia Baccari, entre aspas. A opinião ali é da professora, não da autora. A autora apenas reproduz a fala de outra pessoa. Erro: troca_conceito (confunde a voz citada com a voz da autora).

Alternativa C — ❌ Incorreta

O trecho afirma que "a tarefa de combater fake news... precisa ser incorporada ao currículo das escolas". Embora use "precisa", isso é apresentado como um entendimento crescente ("o que mais chama atenção é o entendimento crescente de que..."), ou seja, a autora relata uma percepção geral, não emite sua própria opinião. Ela não diz "eu acho que precisa", mas "há um entendimento de que precisa". Erro: generalizacao (atribui à autora uma opinião que ela apenas constata como alheia).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve o programa EducaMídia: "programa criado para capacitar professores... desenvolveu diversos materiais didáticos". É uma descrição factual de uma iniciativa, sem avaliação da autora. Ela não elogia nem critica, apenas informa. Erro: fora_do_escopo (é fato, não opinião).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho "é preciso investir em educação de qualidade, abrindo as escolas para os problemas atuais e criando oportunidades para que crianças e jovens sejam agentes de transformação" expressa claramente a opinião da autora. O verbo "precisar" na estrutura "é preciso" indica necessidade e revela um juízo de valor: a autora acredita que essa é a solução para os desafios da desinformação. É a tese do texto, apresentada na conclusão. As demais alternativas não trazem essa marca de subjetividade.

Conclusão: a questão testa a habilidade de distinguir fato de opinião. A única alternativa que apresenta um juízo de valor da autora é a E, pois usa o verbo "precisar" para defender uma solução. As demais ou descrevem, ou citam, ou relatam — sem que a autora emita sua própria avaliação.

Gabarito: letra E

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