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Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2023

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
vu184746
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Santo André
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref St André)

‘Te amo’ é resposta brasileira

à dificuldade de amar em português

 

Foi por Sérgio Rodrigues, que leio sempre com prazer nesta Folha, que soube que uma página de internet dedicada ao português desaconselha o uso da expressão “te amo” porque “não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”.

 

Ora, a formulação “te amo” é uma excelente resposta brasileira à dificuldade de amar em português. No português de Portugal nós dizemos “amo-te”, uma palavra essa sim verdadeiramente átona que, dita com o sotaque europeu, parece mais um rosnado do que um arrebatamento apaixonado.

 

Boas alternativas são difíceis de encontrar. Em tempos propus a substituição de “amo-te” por “estimo-te intensamente”, esperando que a aliteração do t animasse a declaração, até por remeter para o som festivo das latas que se costumam atar ao carro dos recém-casados.

A minha sugestão não foi bem-sucedida. Ninguém aceitou passar a estimar intensamente, e o problema é tão grave que, muitas vezes, por falta de alternativas satisfatórias, falantes de português decidem cair nos braços da língua inglesa, caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”.

 

Mas a opção brasileira por “te amo” merece encorajamento, e não repúdio. Ao contrário do que sugere a página citada por Sérgio Rodrigues, a expressão “te amo” não começa com um pronome átono. Ou melhor, talvez comece se for eu a proferi-la com o sotaque português. Mas um brasileiro não diz “te amo”. Diz “tchi amo”.

 

E “tchi” não é átono, é tônico. Tônico como um gin tônico, tanto que parece o som de um copo a bater no outro. “Tchi amo” é uma declaração de amor e um brinde. Ainda agora o amor começou e quem o declara já está a brindar a ele.

 

É uma excelente alternativa. Pelo menos, muito melhor do que “estimo-te intensamente”.

 

(Ricardo Araújo Teixeira. Em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas, 08. 04. 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

Na passagem do 5º parágrafo – Mas a opção brasileira por “te amo” merece encorajamento, e não repúdio. –, a relação de sentido estabelecida entre os termos destacados é de

  1. Acausa.
  2. Bcomparação.
  3. Coposição.
  4. Dambiguidade.
  5. Econsequência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — oposição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de sentido entre “encorajamento” e “repúdio”

Gabarito: letra C. A relação de sentido entre os termos destacados é de oposição, pois “encorajamento” e “repúdio” são antônimos, e o conectivo “mas” reforça essa contraposição. Como se lê no 5º parágrafo: “Mas a opção brasileira por ‘te amo’ merece encorajamento, e não repúdio.” — o autor contrapõe duas atitudes opostas diante da expressão brasileira.

O comando pede que você identifique a relação de sentido entre os termos destacados, ou seja, o tipo de vínculo semântico que eles estabelecem no contexto. Não se trata de interpretar o texto como um todo, mas de analisar a relação entre duas palavras específicas dentro de uma frase. Para isso, é essencial observar o significado de cada termo e o conectivo que os articula.

No trecho, os termos destacados são “encorajamento” e “repúdio”. Enquanto “encorajamento” significa incentivo, apoio, “repúdio” significa rejeição, desaprovação. São, portanto, antônimos — palavras de sentido contrário. Além disso, a estrutura “merece encorajamento, e não repúdio” usa a expressão “e não” para negar o segundo termo e afirmar o primeiro, o que reforça a ideia de contraposição. O conectivo “mas”, que inicia o período, também é um conectivo adversativo, típico de oposição.

A banca explora a confusão entre oposição e outras relações como causa e consequência. Causa e consequência envolvem uma relação de dependência lógica (algo que provoca outro), o que não ocorre aqui: “encorajamento” e “repúdio” não são causa um do outro, nem um é consequência do outro. São apenas ideias contrárias que o autor coloca em confronto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece “causa” e “consequência” como distratores, tentando fazer você pensar que há uma relação de causa e efeito entre os termos. Mas não há: “encorajamento” e “repúdio” são apenas opostos, e o conectivo “mas” confirma a oposição.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Causa seria uma relação em que um termo explica a origem do outro (ex.: “repúdio porque desaprova”). No trecho, não há nenhuma relação de causa entre “encorajamento” e “repúdio”; eles são apenas ideias contrárias. A alternativa extrapola ao atribuir uma relação de causa que o texto não estabelece.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Comparação envolve aproximar termos por semelhança (ex.: “tão bom quanto”). Aqui, os termos são opostos, não semelhantes. A alternativa contradiz o sentido do trecho, pois compara o que é contrário.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Oposição é a relação correta. “Encorajamento” e “repúdio” são antônimos, e o conectivo “mas” (adversativo) reforça a contraposição. O autor afirma que a opção brasileira merece apoio, e não rejeição — duas atitudes opostas. A passagem “merece encorajamento, e não repúdio” deixa explícita a oposição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ambiguidade seria a possibilidade de duplo sentido, o que não ocorre: os termos têm sentido claro e oposto. A alternativa tangencia o tema, pois fala de um fenômeno que não está presente no trecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Consequência seria uma relação em que um termo é o efeito do outro (ex.: “repúdio, portanto desaprovação”). Não há relação de consequência entre “encorajamento” e “repúdio”; eles são apenas opostos. A alternativa extrapola ao inventar uma relação de causa e efeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar relações de sentido, pergunte-se: os termos são opostos (oposição), um explica o outro (causa), um é efeito do outro (consequência), ou são semelhantes (comparação)? O conectivo “mas” é um forte indicativo de oposição.

Gabarito: letra C.

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