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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu184750
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Santo André
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref St André)

‘Te amo’ é resposta brasileira

à dificuldade de amar em português

 

Foi por Sérgio Rodrigues, que leio sempre com prazer nesta Folha, que soube que uma página de internet dedicada ao português desaconselha o uso da expressão “te amo” porque “não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”.

 

Ora, a formulação “te amo” é uma excelente resposta brasileira à dificuldade de amar em português. No português de Portugal nós dizemos “amo-te”, uma palavra essa sim verdadeiramente átona que, dita com o sotaque europeu, parece mais um rosnado do que um arrebatamento apaixonado.a

 

Boas alternativas são difíceis de encontrarb. Em tempos propus a substituição de “amo-te” por “estimo-te intensamente”, esperando que a aliteração do t animasse a declaração, até por remeter para o som festivo das latas que se costumam atar ao carro dos recém-casados.

A minha sugestão não foi bem-sucedida. Ninguém aceitou passar a estimar intensamente, e o problema é tão gravec que, muitas vezes, por falta de alternativas satisfatórias, falantes de português decidem cair nos braços da língua inglesa, caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”.d

 

Mas a opção brasileira por “te amo” merece encorajamento, e não repúdio. Ao contrário do que sugere a página citada por Sérgio Rodrigues, a expressão “te amo” não começa com um pronome átono. Ou melhor, talvez comece se for eu a proferi-la com o sotaque portuguêse. Mas um brasileiro não diz “te amo”. Diz “tchi amo”.

 

E “tchi” não é átono, é tônico. Tônico como um gin tônico, tanto que parece o som de um copo a bater no outro. “Tchi amo” é uma declaração de amor e um brinde. Ainda agora o amor começou e quem o declara já está a brindar a ele.

 

É uma excelente alternativa. Pelo menos, muito melhor do que “estimo-te intensamente”.

 

(Ricardo Araújo Teixeira. Em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas, 08. 04. 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

Koch e Travaglia (1990) afirmam que o fenômeno da intertextualidade é muito comum entre as matérias jornalísticas de um mesmo dia ou de uma mesma semana, na música popular, em nossas apropriações de provérbios e ditos populares, em textos literários, publicitários etc. Os autores indicam ainda que as relações entre textos podem ser explícitas ou implícitas.

 

(Anna Christina Bentes, “Linguística Textual”. Em: Mussalim e Bentes [orgs.], 2005, v. 1)

 

No texto, exemplifica o conceito de intertextualidade explícita a seguinte passagem:

  1. A... parece mais um rosnado do que um arrebatamento apaixonado.
  2. BBoas alternativas são difíceis de encontrar.
  3. CNinguém aceitou passar a estimar intensamente, e o problema é tão grave...
  4. D... caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”.
  5. EOu melhor, talvez comece se for eu a proferi-la com o sotaque português.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ... caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade explícita: a citação direta como marca

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a única que apresenta uma intertextualidade explícita, pois traz uma citação direta de outro texto — a declaração de Marisa Monte, “amor, I love you” —, marcada por aspas e atribuída a uma fonte nomeada. Como se lê no texto: “caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you””. As demais alternativas ou são opiniões do autor, ou paráfrases de ideias, ou referências indiretas, mas nenhuma cita literalmente um texto alheio.

O comando: identificar o exemplo do conceito

A questão pede que você exemplifique o conceito de intertextualidade explícita com uma passagem do texto. O enunciado traz a definição de Koch e Travaglia: as relações entre textos podem ser explícitas ou implícitas. A tarefa é reconhecer, no texto de Ricardo Araújo Teixeira, qual trecho materializa a forma explícita — ou seja, aquela em que o texto alheio é marcado, citado diretamente, com aspas e/ou indicação da fonte.

O texto: onde mora a resposta

O texto discute a expressão “te amo” como uma resposta brasileira à dificuldade de amar em português. O autor menciona uma página da internet que desaconselha o uso da expressão, comenta a forma portuguesa “amo-te” e propõe alternativas. No quarto parágrafo, ele cita um caso concreto de intertextualidade:

“caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”

Aqui, o autor retoma um texto alheio — a música de Marisa Monte — de forma explícita: há aspas, há a autoria nomeada e há a reprodução literal da declaração. É exatamente o que caracteriza a intertextualidade explícita: a presença marcada de outro texto.

A técnica: explícito × implícito

A intertextualidade é a relação entre textos. Ela é explícita quando o texto citado é identificável e marcado — por aspas, itálico, referência ao autor, título da obra etc. É implícita quando o texto alheio está subentendido, sem marcação, exigindo do leitor o reconhecimento (como a alusão a um provérbio ou a uma propaganda).

A pegadinha da banca está em confundir citação direta com paráfrase ou com referência indireta. A alternativa D é a única que traz uma citação literal, com aspas e autoria. As demais ou são opiniões do autor, ou reformulações de ideias, ou referências vagas — nenhuma reproduz um texto alheio de forma marcada.

Análise das alternativas

Intertextualidade
  • 1Explícita
    • Citação direta
    • Marcada (aspas, autoria)
    • Ex.: “amor, I love you” (Marisa Monte)
  • 2Implícita
    • Sem marcação
    • Subentendida (alusão, provérbio)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“parece mais um rosnado do que um arrebatamento apaixonado”

Aqui há uma comparação feita pelo autor, uma opinião sobre a sonoridade de “amo-te”. Não há citação de outro texto, nem referência a uma obra alheia. É uma avaliação subjetiva, não intertextualidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Boas alternativas são difíceis de encontrar”

É uma afirmação genérica do autor, uma constatação sobre a dificuldade de substituir “amo-te”. Não remete a nenhum texto específico. É apenas uma opinião, sem relação intertextual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Ninguém aceitou passar a estimar intensamente, e o problema é tão grave...”

O trecho menciona a sugestão do autor (“estimar intensamente”), mas não cita um texto alheio. É uma referência à própria proposta do autor, não a outro texto. Não há intertextualidade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”

A passagem cita diretamente a declaração de Marisa Monte, com aspas e autoria nomeada. É a materialização da intertextualidade explícita: o texto alheio está marcado e identificável. É a única alternativa que exemplifica o conceito pedido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Ou melhor, talvez comece se for eu a proferi-la com o sotaque português”

O trecho é uma reflexão do autor sobre a pronúncia de “te amo”. Não há citação de outro texto, nem referência a uma obra. É uma consideração pessoal, sem intertextualidade.

Conclusão

A intertextualidade explícita exige marcação: aspas, autoria, referência direta. A alternativa D é a única que apresenta esses elementos, citando literalmente a declaração de Marisa Monte. As demais são opiniões, comparações ou reflexões do autor, sem relação com outro texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar intertextualidade, procure por aspas, itálico, nome do autor ou título da obra. Se houver marcação, é explícita; se não, é implícita.

Gabarito: letra D

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