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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184759
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Cont ( )

Jornalismo e objetividade

 

Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.

 

Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.

 

Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens.

 

O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.

 

O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.

 

Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.

 

(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/03/

jornalismo-e-objetividade.shtml. 18.03.2023. Adaptado)

A frase – Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. – sintetiza a posição assumida pelo autor, segundo a qual
  1. Aa percepção que os autores de “Beyond Objectivity” têm sobre o jornalismo não é condizente com a realidade.
  2. Ba premissa de que as matérias jornalísticas são tendenciosas é fruto de um pensamento preconceituoso e enviesado.
  3. Ca ideia de que o jornalismo deveria abandonar a objetividade é temerária, mesmo que não possa se tornar realidade.
  4. Do jornalismo pode abdicar dos princípios a partir dos quais se desenvolveu, sem que isso traga reflexos para as publicações.
  5. Ea busca pela objetividade no jornalismo é um propósito a ser perseguido, ainda que pareça impossível alcançá-la.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a busca pela objetividade no jornalismo é um propósito a ser perseguido, ainda que pareça impossível alcançá-la.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A posição do autor sobre a objetividade jornalística

Gabarito: letra E. A frase “Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica” sintetiza a posição do autor: ele concorda que a objetividade é inalcançável, mas defende que se continue buscando-a, pois essa busca impõe disciplina e melhora a qualidade das reportagens. Como se lê no texto: “Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens.”

O comando pede compreensão — a resposta está explícita no texto, apenas parafraseada. A banca quer que você identifique a tese central do autor, que se desdobra em dois movimentos: (1) ele concorda com o diagnóstico de que a objetividade é impossível; (2) mas discorda da proposta de abandoná-la. O conectivo “mas” é a chave: marca oposição entre concordar com o diagnóstico e discordar da terapêutica.

O texto é um artigo de opinião (dissertativo-argumentativo). O autor, Hélio Schwartsman, dialoga com Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward, que propõem que a objetividade deixe de ser meta declarada. O autor rebate: mesmo impossível, a busca pela objetividade é valiosa. Essa é a tese — e a alternativa E a reproduz fielmente.

A armadilha central é extrapolar ou confundir a voz do autor com a dos autores citados. Várias alternativas atribuem ao autor ideias que ele não defende, ou que são dos outros autores. O método: teste cada alternativa perguntando: “o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora?”. A correta é a única inteiramente sustentada pelo texto — nem mais, nem menos do que ele diz.

Posição do autor
  • 1Concorda com o diagnóstico
    • Objetividade é inalcançável
  • 2Discorda da terapêutica
    • Não se deve abandonar a busca
  • 3Tese central
    • Buscar objetividade, mesmo impossível
    • Disciplina melhora a qualidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a percepção dos autores de “Beyond Objectivity” “não é condizente com a realidade”. O texto, porém, concorda com o diagnóstico deles: “Concordo com o diagnóstico”. O autor não diz que a percepção deles é irreal; ele apenas discorda da “terapêutica” (a proposta de abandonar a objetividade). A alternativa inverte a posição do autor, transformando uma concordância em crítica à realidade da percepção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapola e acrescenta opinião. O texto não diz que a premissa de que as matérias são tendenciosas é “fruto de um pensamento preconceituoso e enviesado”. Pelo contrário, o autor reconhece que “Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses” — ou seja, ele aceita a tendenciosidade como fato. A alternativa embute um juízo de valor (“preconceituoso e enviesado”) que o autor não externou. É uma opinião do candidato, não do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca o sentido da oposição. A alternativa diz que a ideia de abandonar a objetividade é “temerária, mesmo que não possa se tornar realidade”. O texto, porém, afirma o oposto: a objetividade não pode ser alcançada (diagnóstico), mas deve ser buscada (terapêutica). A alternativa inverte a relação: diz que a ideia é temerária “mesmo que não possa se tornar realidade”, quando o autor defende que a busca é válida apesar de ser impossível. O “mesmo que” aqui inverte a concessão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o jornalismo “pode abdicar dos princípios a partir dos quais se desenvolveu, sem que isso traga reflexos para as publicações”. O texto, porém, defende que a busca pela objetividade melhora a qualidade das reportagens e que abandoná-la teria consequências negativas. O autor diz: “tentar alcançá-la... nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens”. A alternativa nega exatamente isso, afirmando que não haveria reflexos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela parafraseia a tese central: a busca pela objetividade é um propósito a ser perseguido, ainda que pareça impossível alcançá-la. O texto diz: “Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens.” A alternativa E reproduz exatamente essa ideia: “propósito a ser perseguido” = “tentar alcançá-la”; “ainda que pareça impossível” = “mesmo sabendo que jamais chegaremos lá”. É uma paráfrase fiel, sem acréscimos ou supressões.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a posição do autor e a dos autores citados (Downie Jr. e Heyward). Várias alternativas atribuem ao autor ideias que ele não defende, ou que são dos outros autores. Fique atento ao conectivo “mas”: ele marca a oposição entre concordar com o diagnóstico e discordar da terapêutica.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: “sintetiza a posição assumida pelo autor” — isso pede a tese do autor, não a dos autores citados. Teste cada alternativa perguntando: “o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora?”. A correta é a única inteiramente sustentada pelo texto — nem mais, nem menos do que ele diz.

Gabarito: letra E.

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