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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184762
Banca
VUNESP
Órgão
CM SBO
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

O carro do Beto tinha duas portas. A do passageiro não abria, então, a rota de entrada para todos era pelo lado do motorista. O banco do motorista não levantava para quem ia sentar atrás. Acomodar três pessoas exigia uma certa ginástica. Não era o veículo ideal para uma fuga de emergência, mas era o que tínhamos e, mais que isso, era o que garantia nossa liberdade e nossas infinitas possibilidades. Com ele, São Paulo era pequena para nós.

 

Eu tinha 16 anos, o Beto e a Solange um pouco mais do que eu. Eu acabara de voltar de um ano de intercâmbio em uma cidade no interior dos Estados Unidos e estava achando tudo muito moderno naquela São Paulo dos anos 80. O que levei comigo e trouxe de volta foi a trilha sonora: a discografia completa da Rita Lee. O programa daquele fim de semana seria uma homenagem a ela.

 

Pela lista telefônica, tinha descoberto o endereço do pai dela e decidi deixar uma frase pichada no muro da casa dele na Vila Mariana. Beto e Solange toparam na hora.

 

Tudo aconteceria de madrugada. Eles ficariam dentro do carro com o motor ligado. Eu desceria com o spray, escreveria a frase na parede, me jogaria pela janela carro adentro, o Beto acelerava e a gente se mandava. Os medos eram muitos. E foi com o coração aos pulos de terror e emoção que escrevi no muro branco: “Rita, pra você, a agilidade do gato e o brilho da estrela”. Minha mensagem adolescente de amor por Rita Lee estava registrada para toda a cidade ver.

 

Trinta e sete anos depois, fui com uns amigos ver uma exposição sobre a Rita Lee. Logo na entrada do museu, uma parede pintada de azul trazia a estampa da minha frase, letra por letra (acrescentaram as letras esses no “das estrelas”). Foi como se um raio tivesse me atingido na cabeça. A sensação me pareceu ter sido a mesma de quando escrevi no muro naquela madrugada: pernas bambas, coração acelerado, mãos tremendo. A minha frase na parede do museu!

 

Uma das monitoras da exposição quis saber o que acontecia. Eu contei a história. Ela se espantou, já que a exposição não trazia nenhuma explicação sobre a origem daquela frase. Não me importava: ela era minha e estava lá.

 

Deparei-me outras vezes com o meu grafite. O dia do museu, porém, foi o mais emocionante. Não era só uma menção, era uma reprodução.

 

(Ana Ribeiro. Frase que pichei para Rita Lee reapareceu 37 anos depois em exposição. www1.folha.uol.com.br, 19.02.2022. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

   

Assinale a alternativa que apresenta informação correta quanto ao que se afirma no texto.

  1. AA autora do texto satisfazia-se em saber que seu feito teve relevo na biografia da artista, não fazendo questão de reclamar autoria.
  2. BA transcrição fiel na parede do museu demonstrava que a frase pichada no muro ficou marcada na biografia da cantora.
  3. CA incredulidade dos amigos ao verem na exposição a pichação de que, indiretamente, participaram contagiou a autora do texto.
  4. DEntre os muitos programas que os três amigos faziam, levados pelo carro, estava o de reverenciar a artista, visitando sua exposição.
  5. EO gosto da autora do texto por Rita Lee cresceu devido à monotonia de uma cidade do interior dos Estados Unidos que lhe forçava a escutar a cantora.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A autora do texto satisfazia-se em saber que seu feito teve relevo na biografia da artista, não fazendo questão de reclamar autoria.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a satisfação da autora com sua frase na exposição

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que afirma que a autora satisfazia-se em saber que seu feito teve relevo na biografia da artista, não fazendo questão de reclamar autoria. Isso está ancorado no trecho em que ela diz: "Não me importava: ela era minha e estava lá", após descobrir que a exposição não trazia explicação sobre a origem da frase. A autora não reivindica crédito público; basta-lhe a certeza íntima de que a frase é sua e que foi reproduzida.

O comando pede uma questão de compreensão ("informação correta quanto ao que se afirma no texto"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de algo explicitamente dito, sem deduções ou acréscimos. O texto é uma narrativa em primeira pessoa sobre a redescoberta, 37 anos depois, de uma pichação feita para Rita Lee, agora reproduzida em uma exposição. O ponto central para esta questão está no 5º parágrafo, quando a monitora se espanta com a história e a autora reage com indiferença à falta de crédito.

A técnica decisiva é testar cada alternativa contra o texto, perguntando: "o texto autoriza isto?". A alternativa A é a única que se sustenta integralmente, pois a reação da autora diante da ausência de explicação sobre a origem da frase é de pura satisfação pessoal, não de cobrança. As demais alternativas ou extrapolam (acrescentam informações que o texto não traz), ou contradizem o que está escrito, ou tangenciam o tema.

Vamos analisar cada uma:

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que a autora "satisfazia-se em saber que seu feito teve relevo na biografia da artista, não fazendo questão de reclamar autoria". Isso é exatamente o que o texto diz no 5º parágrafo:

"Uma das monitoras da exposição quis saber o que acontecia. Eu contei a história. Ela se espantou, já que a exposição não trazia nenhuma explicação sobre a origem daquela frase. Não me importava: ela era minha e estava lá."

A expressão "não me importava" mostra que a autora não fazia questão de reclamar autoria — ela não se importava com o fato de a exposição não creditar a frase a ela. E "ela era minha e estava lá" revela a satisfação pessoal de ver seu feito reconhecido (ainda que anonimamente) e reproduzido. A alternativa é uma paráfrase fiel desse trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que "a transcrição fiel na parede do museu demonstrava que a frase pichada no muro ficou marcada na biografia da cantora". O texto menciona que a frase foi reproduzida na exposição, mas não afirma que isso demonstra que a frase ficou marcada na biografia da cantora. A palavra "biografia" aqui é uma extrapolação: o texto fala de uma exposição sobre Rita Lee, não de sua biografia. Além disso, a autora não faz essa conexão. A alternativa extrapola o alcance do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que "a incredulidade dos amigos ao verem na exposição a pichação de que, indiretamente, participaram contagiou a autora do texto". O texto não menciona que os amigos estavam presentes na exposição nem que houve incredulidade deles. A autora foi "com uns amigos", mas não há relato de reação deles. A alternativa extrapola ao inventar uma reação que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que "entre os muitos programas que os três amigos faziam, levados pelo carro, estava o de reverenciar a artista, visitando sua exposição". O texto mostra que o programa do fim de semana era uma homenagem a Rita Lee, mas não diz que eles visitaram a exposição naquela época — a exposição ocorreu 37 anos depois. A alternativa contradiz a cronologia do texto: a visita à exposição foi um evento posterior, não um dos programas da juventude.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que "o gosto da autora do texto por Rita Lee cresceu devido à monotonia de uma cidade do interior dos Estados Unidos que lhe forçava a escutar a cantora". O texto diz que a autora "estava achando tudo muito moderno naquela São Paulo dos anos 80" e que trouxe a discografia da Rita Lee, mas não menciona monotonia nem que o gosto tenha crescido por causa disso. A alternativa extrapola ao inventar uma causa que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que parecem plausíveis, mas acrescentam informações que o texto não traz (como a reação dos amigos ou a monotonia nos EUA). A correta é a única que se limita a parafrasear o que está escrito.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que acrescentam detalhes, causas ou reações que não estão no texto. A resposta correta é sempre uma reescritura fiel de uma passagem.

Conclusão: a alternativa A é a única que se sustenta integralmente no texto, pois a autora demonstra satisfação pessoal e indiferença à falta de crédito público. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o que está escrito.

Gabarito: letra A

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