Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184768
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Farm ( )
Contei por quase toda a minha vida uma história sobre
o meu nascimento: eu tenho um leve afundamento craniano
na nuca. Lembrava-me bem de uma vez minha mãe comentar que eu nasci a fórceps, o qual me causou essa pequena
deformação. Logo criei toda uma teoria sobre ter vindo ao
mundo puxado por uma ferramenta, como aquelas que ficam
nos parques e shoppings em que você tenta pegar um bicho
de pelúcia com um gancho de ferro, geralmente falhando
repetidas vezes até assumir sua falta de habilidade.
Tive, ao longo da vida, diversas reflexões sobre isso.
Geralmente me via sendo colhido como um rabanete, em
outros momentos pensava muito sobre como esse afundamento era o que eu tinha de mais íntimo, por ser minha
primeira interação com o mundo: antes mesmo do látex das
luvas da equipe médica me tocar, eu já ganhava uma marca
para a vida toda, fruto desse contato inaugural. Raramente
corto o cabelo muito baixo, porque o vale fica mais evidente,
então, é muito provável que a maioria das pessoas que me
conhece nunca tenha percebido.
Eu me apeguei a esse evento e o trazia junto de mim
como uma história intrigante sobre vir ao mundo já dentro de
um tipo de violência, como se minha vida toda fosse constantemente aquela sensação estranha de acordar subitamente. Num domingo qualquer, vindo de uma fase em que
queria conhecer mais a minha história, puxei o assunto do
meu nascimento com minha mãe e quis saber sobre o
fórceps. Minha mãe, muito naturalmente, me explicou que isso
nunca aconteceu, que eu nasci em total tranquilidade – tanto que meu pai resolveu parar e fumar um cigarro a mais antes
de subir ao andar da maternidade e nesse meio-tempo eu já
estava fora do ventre de minha mãe, enrolado numa mantinha. Quem teria nascido a fórceps era a minha irmã e provavelmente eu ouvi essa conversa algum dia da minha infância
e minha cabeça a transformaria numa história em que eu era
o protagonista. Mas o que eu quero falar é sobre a minha
reação imediata diante da desfeita dessa crença particular:
eu, surpreendido, quis negar, quis falar que eu tinha certeza
de que foi do jeito que eu contava para mim mesmo, ainda
que fosse totalmente ilógico eu querer saber mais do que
minha mãe sobre o assunto.
(Ricardo Terto. Quem é essa gente toda aqui? Todavia, 2021. Adaptado)
No trecho “Raramente corto o cabelo muito baixo, porque o vale fica mais evidente, então, é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido”, é possível observar a(s) ideia(s) que relaciona(m) as partes do trecho:
AExplicação e conclusão.
BCausa e adição.
COposição e conclusão.
DAdição e explicação.
ECausa e oposição.
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GabaritoA — Explicação e conclusão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Relações semânticas entre as partes do trecho
Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que identifica as relações de explicação (introduzida por "porque") e conclusão (introduzida por "então") no trecho citado. O "porque" explica o motivo de o narrador raramente cortar o cabelo muito baixo, e o "então" conclui que, por isso, a maioria das pessoas nunca percebeu o afundamento craniano.
O comando pede que se observe a(s) ideia(s) que relaciona(m) as partes do trecho. Isso é uma questão de compreensão das relações semânticas estabelecidas pelos conectivos, não de inferência. Basta identificar o valor de cada conectivo no contexto.
No trecho, temos:
"Raramente corto o cabelo muito baixo, porque o vale fica mais evidente, então, é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido"
O conectivo "porque" introduz uma causa (o motivo de não cortar o cabelo baixo), e o conectivo "então" introduz uma conclusão (a consequência lógica dessa causa). Portanto, as relações são de causa e conclusão. A banca, no entanto, chama a primeira de "explicação", o que é aceitável, pois a oração causal explica o motivo. Assim, a alternativa A (Explicação e conclusão) é a correta.
A técnica para resolver é: identifique os conectivos e pergunte "que relação eles estabelecem?". "Porque" = causa/explicação; "então" = conclusão. Não confunda com adição (e), oposição (mas) ou outras relações.
1porque → explicação
2então → conclusão
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa identifica corretamente as relações de explicação ("porque") e conclusão ("então"). O trecho "Raramente corto o cabelo muito baixo, porque o vale fica mais evidente" apresenta uma relação de causa/explicação: o fato de o vale ficar mais evidente é o motivo de não cortar o cabelo baixo. Em seguida, "então, é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido" apresenta uma conclusão: como o cabelo não é cortado baixo, as pessoas não percebem o afundamento. Portanto, a alternativa está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "causa e adição". Embora "porque" indique causa, "então" não indica adição, mas conclusão. Adição seria expressa por "e", "também", "além disso". Portanto, a alternativa erra ao classificar a segunda relação como adição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "oposição e conclusão". Não há oposição no trecho; "porque" não expressa oposição, e sim causa/explicação. Oposição seria expressa por "mas", "porém", "contudo". A segunda relação é corretamente identificada como conclusão, mas a primeira está errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "adição e explicação". A primeira relação é de explicação (correta), mas a segunda não é de adição, e sim de conclusão. Adição seria "e", "também". Portanto, a alternativa erra na segunda relação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa menciona "causa e oposição". A primeira relação é de causa (correta), mas a segunda não é de oposição, e sim de conclusão. Oposição seria "mas", "porém". Portanto, a alternativa erra na segunda relação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura relações comuns (causa, adição, oposição) e testa se o candidato identifica corretamente o valor do "porque" (causa) e do "então" (conclusão). Não confunda "então" com adição ou oposição.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar relações entre partes de um trecho, sublinhe os conectivos e pergunte: "que relação eles estabelecem?". "Porque" = causa/explicação; "então" = conclusão; "mas" = oposição; "e" = adição.