Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184770
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
PEBII ( )
O estudo da língua inglesa pode possibilitar a todos o acesso aos saberes linguísticos necessários para engajamento e participação, contribuindo para o agenciamento crítico dos estudantes e para o exercício da cidadania ativa, além de ampliar as possibilidades de interação e mobilidade, abrindo novos percursos de construção de conhecimentos e de continuidade nos estudos. É esse caráter formativo que inscreve a aprendizagem de inglês em uma perspectiva de educação linguística, consciente e crítica, na qual as dimensões pedagógicas e políticas estão intrinsecamente ligadas.
Ensinar inglês com essa finalidade tem, para o currículo, três implicações importantes. A primeira é que esse caráter formativo obriga a rever as relações entre língua, território e cultura, na medida em que os falantes de inglês já não se encontram apenas nos países em que essa é a língua oficial. Esse fato provoca uma série de indagações, dentre elas, “Que inglês é esse que ensinamos na escola?”. Alguns conceitos parecem já não atender as perspectivas de compreensão de uma língua que “viralizou” e se tornou “miscigenada”, como é o caso do conceito de língua estrangeira, fortemente criticado por seu viés eurocêntrico. Outras terminologias, mais recentemente propostas, também provocam um intenso debate no campo, tais como inglês como língua internacional, como língua global, como língua adicional, como língua franca, dentre outras. Em que pese as diferenças entre uma terminologia e outra, suas ênfases, pontos de contato e eventuais sobreposições, o tratamento dado ao componente na BNCC prioriza o foco da função social e política do inglês e, nesse sentido, passa a tratá-la em seu status de língua franca. O conceito não é novo e tem sido recontextualizado por teóricos do campo em estudos recentes que analisam os usos da língua inglesa no mundo contemporâneo. Nessa proposta, a língua inglesa não é mais aquela do “estrangeiro”, oriundo de países hegemônicos, cujos falantes servem de modelo a ser seguido.
(BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. 2019. Adaptado)
A expressão “inglês como língua franca”
Afoi cunhada como forma de reação de teóricos à hegemônica perspectiva eurocêntrica do inglês como “língua estrangeira”.
Bcorresponde a qualquer uso da língua inglesa entre falantes de diferentes línguas maternas para quem o inglês é o meio de comunicação comum.
Calude a uma das possíveis variantes da língua inglesa, com status próprio e valorizado como as variantes britânica e americana, por exemplo.
Ddescreve a combinação de traços da língua inglesa com aqueles da língua falada por um não nativo.
Erefere-se às estratégias operadas por falantes não- -nativos para negociar suas diferenças em formas e uso da língua inglesa.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — corresponde a qualquer uso da língua inglesa entre falantes de diferentes línguas maternas para quem o inglês é o meio de comunicação comum.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Inglês como Língua Franca: definição e implicações
Gabarito: letra B. A alternativa correta define "inglês como língua franca" como o uso da língua inglesa entre falantes de diferentes línguas maternas, para quem o inglês é o meio de comunicação comum. Essa definição está ancorada no texto quando ele afirma que a BNCC "passa a tratá-la em seu status de língua franca" e que, nessa proposta, "a língua inglesa não é mais aquela do 'estrangeiro', oriundo de países hegemônicos, cujos falantes servem de modelo a ser seguido". A questão exige compreensão do conceito apresentado no texto, não uma definição externa.
O comando pede que se identifique o que a expressão "inglês como língua franca" significa no contexto do texto. Isso é uma questão de compreensão (informação explícita ou diretamente depreensível), não de inferência profunda. O texto não define formalmente o termo, mas o caracteriza ao longo do segundo parágrafo: ele é apresentado como uma das terminologias em debate, e a BNCC o prioriza "em seu status de língua franca", o que implica uma língua de comunicação entre pessoas que não a têm como língua materna, sem o modelo do falante nativo hegemônico.
A técnica central é ancorar cada alternativa no texto. A correta (B) é a única que corresponde à função social e política do inglês como língua franca: um meio de comunicação comum entre falantes de diferentes línguas maternas. As demais alternativas ou extrapolam (trazem definições de fora do texto), ou restringem indevidamente o conceito, ou o contradizem.
"o tratamento dado ao componente na BNCC prioriza o foco da função social e política do inglês e, nesse sentido, passa a tratá-la em seu status de língua franca"
Esse trecho mostra que "língua franca" é um status atribuído ao inglês, relacionado à sua função social e política, e não uma variante, uma combinação de traços ou uma estratégia de negociação. A definição da alternativa B é a que melhor captura essa função: comunicação entre falantes de diferentes línguas maternas.
"Nessa proposta, a língua inglesa não é mais aquela do 'estrangeiro', oriundo de países hegemônicos, cujos falantes servem de modelo a ser seguido."
Este trecho reforça a ideia de que o inglês como língua franca não está vinculado a um país ou cultura específica, mas sim ao uso como meio de comunicação comum entre pessoas de diferentes origens linguísticas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a expressão "foi cunhada como forma de reação de teóricos à hegemônica perspectiva eurocêntrica". O texto menciona que o conceito de "língua estrangeira" é "fortemente criticado por seu viés eurocêntrico" e que outras terminologias "provocam um intenso debate no campo", mas não diz que "língua franca" foi criada como reação a essa perspectiva. O texto apenas lista "inglês como língua internacional, como língua global, como língua adicional, como língua franca" como terminologias em debate, sem atribuir a nenhuma delas uma origem motivada por reação. A alternativa extrapola ao inventar uma motivação histórica não mencionada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa define "inglês como língua franca" como "qualquer uso da língua inglesa entre falantes de diferentes línguas maternas para quem o inglês é o meio de comunicação comum". Isso está em conformidade com o texto, que trata o inglês como língua franca em seu "status", destacando sua "função social e política" e afirmando que "não é mais aquela do 'estrangeiro', oriundo de países hegemônicos". A definição da alternativa é uma paráfrase do conceito de língua franca implícito no texto: uma língua de comunicação entre pessoas de diferentes línguas maternas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "língua franca" é "uma das possíveis variantes da língua inglesa, com status próprio e valorizado como as variantes britânica e americana". O texto não trata "língua franca" como uma variante (como britânica ou americana). Pelo contrário, o texto a trata como um status ou função da língua, não como uma variedade geográfica ou cultural. A alternativa troca o conceito: confunde "status/função" com "variante".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "língua franca" "descreve a combinação de traços da língua inglesa com aqueles da língua falada por um não nativo". Isso não está no texto. O texto não menciona combinação de traços linguísticos. Essa é uma definição de outro fenômeno (como "interlíngua" ou "code-switching"), não de língua franca. A alternativa extrapola ao introduzir um conceito linguístico que não é abordado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "língua franca" "refere-se às estratégias operadas por falantes não-nativos para negociar suas diferenças em formas e uso da língua inglesa". O texto não menciona "estratégias" de negociação. A definição de língua franca como meio de comunicação comum não implica necessariamente "estratégias" de negociação de diferenças. A alternativa extrapola ao adicionar um elemento (estratégias de negociação) que não está presente no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o conhecimento prévio do candidato sobre "língua franca" para induzir a definições de fora do texto (como as alternativas D e E, que descrevem fenômenos linguísticos específicos). A resposta correta é a que se limita ao que o texto autoriza: a função de comunicação entre falantes de diferentes línguas maternas.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que trazem definições muito técnicas ou específicas que não aparecem no texto. A resposta correta é sempre a que parafraseia o que está escrito, sem acrescentar informações externas.
Gabarito: letra B. A questão testa a capacidade de compreender o conceito de "língua franca" conforme apresentado no texto, sem recorrer a definições externas. A alternativa B é a única que se sustenta integralmente no texto, descrevendo o inglês como língua franca em sua função de comunicação comum entre falantes de diferentes línguas maternas.