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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184786
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2023
Cargo
APPGG ( )

Incivilidade brasileira

 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) sublinha a cada ano o caráter violento da sociedade brasileira e o quão distante as políticas de governo adotadas até hoje estão de arrefecê-lo. Em nada muda essa realidade o fato de o mais recente anuário dessa organização, divulgado anteontem, ter registrado a segunda queda anual consecutiva nos homicídios em 2022. O total continua gritante. Houve 47.508 assassinatos no Brasil ou, para tornar o número mais compreensível, uma média de 130 mortes violentas por dia.

 

Divulgado desde 2011, o anuário do FBSP reproduz a cada ano o mesmo traço comum aos assassinados no Brasil: negros, de 12 a 29 anos de idade, majoritariamente do sexo masculino e mortos por armas de fogo. Esse perfil indica que a violência não prospera apenas no vácuo das políticas de segurança pública do País, mas também na fragilidade das agendas de educação, de emprego, de crescimento econômico sustentável, de combate ao racismo e de inclusão e assistência social.

 

O diagnóstico é perturbador. Muitos preferirão manter seus antolhos para alimentar a ilusão de um Brasil pacífico, alegre e cordial. Tal opção, porém, não cabe aos formuladores de políticas públicas. Desse grupo exige-se análise profunda das estatísticas do FBSP e a concepção de políticas capazes de conduzir o País às condições básicas de civilidade.

 

(Opinião. ttps://www.estadao.com.br, 22.07.2023)

Leia o texto para responder à questão.     O anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública traz um diagnóstico perturbador da violência no Brasil porque ela,
  1. Acomo tem atingido novos níveis contundentes, tornou incivilizada a maioria da população.
  2. Bainda que não tenha recrudescido no ano de 2022, continua em um patamar inadmissível.
  3. Cà medida que avança ao longo dos anos, exige agendas efetivas de educação e de emprego.
  4. Dpor mais que tenha sido combatida impetuosamente, continua a aumentar sem controle.
  5. Eapesar de estar em patamar aceitável, deixou de ser uma prioridade das políticas públicas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ainda que não tenha recrudescido no ano de 2022, continua em um patamar inadmissível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incivilidade brasileira: o diagnóstico do anuário do FBSP

Gabarito: letra B. O anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública traz um diagnóstico perturbador da violência no Brasil porque ela, ainda que não tenha recrudescido no ano de 2022, continua em um patamar inadmissível. O texto afirma que houve a "segunda queda anual consecutiva nos homicídios em 2022", mas que "o total continua gritante", com "47.508 assassinatos" e "uma média de 130 mortes violentas por dia". A alternativa B é a única que captura essa dualidade: reconhece a queda, mas enfatiza a permanência do problema em nível inaceitável.

O comando da questão pede uma compreensão do texto: "O anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública traz um diagnóstico perturbador da violência no Brasil porque ela...". Ou seja, precisamos encontrar a causa que o autor atribui ao caráter perturbador do diagnóstico. Não se trata de inferir algo além do texto, mas de localizar a informação explícita que justifica essa avaliação. A resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem acrescentar opiniões ou dados externos.

O texto é um artigo de opinião que parte de um dado concreto (o anuário do FBSP) para defender a tese de que a violência no Brasil é um problema grave e que exige políticas públicas eficazes. O primeiro parágrafo é crucial: ele apresenta o dado da queda nos homicídios, mas imediatamente o relativiza, mostrando que o número absoluto ainda é alarmante. É exatamente essa relativização que a alternativa B reproduz com precisão.

A técnica para resolver é simples: grife as palavras que indicam oposição ou ressalva (como "mas", "porém", "ainda que") e desconfie de quantificadores absolutos ("todos", "sempre", "nunca"). No texto, a ressalva "mas o total continua gritante" é a chave: ela mostra que a queda não é suficiente para tornar o quadro aceitável. A alternativa B usa exatamente essa estrutura: "ainda que não tenha recrudescido" (reconhece a queda) + "continua em um patamar inadmissível" (a ressalva).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tentação de extrapolar: o texto fala em queda, mas a alternativa correta exige reconhecer que o patamar continua inadmissível. As distratoras ou exageram (A, D), ou invertem o sentido (E), ou tangenciam o tema (C).

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o comando, identifique se ele pede compreensão (localizar informação explícita) ou interpretação (inferir). Aqui, é compreensão: a resposta está literalmente no texto, apenas reescrita com outras palavras.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a violência "tornou incivilizada a maioria da população". O texto não diz isso em nenhum momento. Ele fala em "caráter violento da sociedade brasileira" e em "condições básicas de civilidade", mas não afirma que a maioria da população se tornou incivilizada. Isso é uma generalização indevida — o texto não quantifica nem qualifica a população dessa forma.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque é uma paráfrase fiel do texto. O texto diz:

"ter registrado a segunda queda anual consecutiva nos homicídios em 2022. O total continua gritante."

A alternativa B reproduz exatamente essa ideia: "ainda que não tenha recrudescido no ano de 2022" (a queda) + "continua em um patamar inadmissível" (o total gritante). Não acrescenta nada, não suprime nada. É a única que captura a dualidade do texto: reconhece a melhora, mas enfatiza a gravidade persistente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema. A alternativa fala em "avança ao longo dos anos" e "exige agendas efetivas de educação e de emprego". O texto menciona a necessidade de políticas de educação e emprego, mas não diz que a violência "avança ao longo dos anos" — pelo contrário, houve queda. Além disso, a relação de causa e efeito está invertida: o texto diz que a violência exige políticas, mas não que ela "avança" por isso. É uma fuga ao tema com um dado que contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a violência "continua a aumentar sem controle". O texto diz explicitamente que houve "a segunda queda anual consecutiva nos homicídios em 2022". Portanto, a violência não está aumentando — ela caiu. A alternativa contradiz diretamente o texto, trocando o verbo "cair" por "aumentar".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a violência está "em patamar aceitável" e "deixou de ser uma prioridade das políticas públicas". O texto diz o oposto: "o total continua gritante" e que os formuladores de políticas públicas devem "conceber políticas capazes de conduzir o País às condições básicas de civilidade". Ou seja, a violência não está em patamar aceitável e é uma prioridade. A alternativa inverte completamente o sentido do texto.

Conclusão: a questão pede a alternativa que explica por que o diagnóstico é perturbador. A única que faz isso com fidelidade é a letra B, pois reconhece a queda ("não tenha recrudescido") mas mantém a gravidade ("patamar inadmissível"), exatamente como o texto: "O total continua gritante".

Gabarito: letra B

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