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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184787
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

Leia a tira.

 

Imagem associada para resolução da questão

(Laerte, Piratas do Tietê. Folha de S. Paulo, 13.07.2023)

 

* sorrelfa: de forma dissimulada.

 

O efeito de humor da tira decorre

  1. Ada formalidade da interlocução e da excentricidade do objeto expropriado, esta reforçada pelo emprego do pronome na frase “E lá se foi a palavra.”.
  2. Bda quebra da formalidade hierárquica e da captura das ideias, esta reforçada pelo emprego do pronome na frase “V. Excia. pediu a palavra...”.
  3. Cda insensibilidade do interpelado e de sua gana por guardar a palavra, esta reforçada pelo emprego do pronome na frase “... que lha foi concedida...”.
  4. Ddo atendimento ao interpelador e da manutenção das relações hierárquicas, esta reforçada pelo emprego do pronome na frase “Devolva-ma...”.
  5. Edo inconveniente de furtar um objeto e de sua destinação desconhecida, esta reforçada pelo emprego do pronome na frase “... e escafedeu-se...”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — da formalidade da interlocução e da excentricidade do objeto expropriado, esta reforçada pelo emprego do pronome na frase “E lá se foi a palavra.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O efeito de humor na tira de Laerte: formalidade e excentricidade

Gabarito: letra A. O humor da tira decorre da formalidade da interlocução (o uso de "V. Excia." e "lha" em um contexto burocrático) e da excentricidade do objeto expropriado — a palavra, algo abstrato e imaterial, é tratada como um bem concreto que pode ser tomado. Essa excentricidade é reforçada pelo pronome em "E lá se foi a palavra.", que trata a palavra como um objeto que "se foi", como se fosse um bem físico que desaparece.

A questão pede que se identifique a causa do efeito de humor na tira. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de interpretar a situação criada pela personagem e pelos recursos linguísticos empregados. O humor nasce do contraste entre a seriedade do tratamento cerimonioso ("V. Excia.") e o absurdo de se apropriar de algo tão subjetivo quanto uma palavra.

A tira de Laerte, "Piratas do Tietê", frequentemente explora o absurdo do cotidiano e das relações de poder. Aqui, a personagem, em um contexto de formalidade extrema, "expropria" a palavra de alguém, tratando-a como um objeto tangível. A graça está em levar ao pé da letra uma expressão figurada — "pedir a palavra" — e transformá-la em uma ação concreta de tomada de posse.

A técnica para resolver é identificar o núcleo do humor: a quebra de expectativa gerada pela materialização de algo abstrato. A alternativa correta deve capturar essa essência, e não apenas descrever um detalhe isolado. Vamos analisar cada uma.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A acerta ao combinar os dois elementos que geram o humor: a formalidade da interlocução (o uso de "V. Excia." e "lha" em um contexto burocrático) e a excentricidade do objeto expropriado — a palavra, algo abstrato e imaterial, é tratada como um bem concreto que pode ser tomado. Essa excentricidade é reforçada pelo pronome em "E lá se foi a palavra.", que trata a palavra como um objeto que "se foi", como se fosse um bem físico que desaparece.

"E lá se foi a palavra."

Aqui, o pronome "se" (parte integrante do verbo "ir-se") e a construção "lá se foi" dão à palavra a qualidade de algo que se desloca, que parte, como um objeto que se perde. Isso reforça a ideia de que a palavra foi tratada como um bem material, o que é absurdo e, por isso, engraçado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B fala em "quebra da formalidade hierárquica", mas o texto mantém a formalidade — o personagem usa "V. Excia." e "lha", que são formas cerimoniosas. Não há quebra de hierarquia; há, sim, uma manutenção da formalidade, o que torna o absurdo ainda maior. Além disso, a frase citada "V. Excia. pediu a palavra..." não é o foco do humor, que está na expropriação em si.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C menciona "insensibilidade do interpelado" e "gana por guardar a palavra", mas o texto não sugere que o personagem seja insensível ou que tenha "gana" (avidez) por guardar a palavra. O humor está na excentricidade de tratar a palavra como objeto, não em características psicológicas do personagem. A frase "... que lha foi concedida..." apenas registra a concessão, sem reforçar o humor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D fala em "atendimento ao interpelador" e "manutenção das relações hierárquicas", o que é verdadeiro, mas não é isso que gera o humor. O humor não está no atendimento ou na manutenção da hierarquia, mas no absurdo de expropriar uma palavra. A frase "Devolva-ma..." mostra uma tentativa de recuperar a palavra, mas não é o núcleo do efeito cômico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E fala em "inconveniente de furtar um objeto" e "destinação desconhecida", mas o texto não discute o inconveniente ou a destinação. O humor está na excentricidade do objeto (a palavra) e na formalidade do tratamento, não em consequências práticas do furto. A frase "... e escafedeu-se..." indica a fuga, mas não é o elemento central do humor.

Conclusão: A alternativa A é a única que captura a essência do humor: a formalidade extrema aliada à materialização absurda de algo abstrato. As demais ou contradizem o texto (B), ou acrescentam elementos não presentes (C, E), ou focam em aspectos periféricos (D).

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre efeito de humor, pergunte-se: "qual é a quebra de expectativa?" O humor quase sempre nasce de um contraste — aqui, entre a seriedade do tratamento e o absurdo de expropriar uma palavra. Identifique o contraste e a alternativa que o nomeia será a correta.

Gabarito: letra A

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