Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
- Código
- vu184788
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref SP
- Ano
- 2023
- Cargo
- Ana ( )
O incômodo lembrete do Tesouro
O governo terá de arrecadar R$ 162,4 bilhões a mais para cumprir a ambiciosa meta de zerar o déficit primário no ano que vem. A projeção não é de especialistas, mas da própria Secretaria do Tesouro Nacional, que divulgou a versão mais recente do Relatório de Projeções Fiscais. O cenário apresentado pelos técnicos resume o tamanho do desafio que o governo terá se quiser realmente cumprir os objetivos definidos por seu próprio arcabouço fiscal, o que requer rever gastos e não contar com receitas que caiam do céu.
A divulgação do relatório traz um pouco de realidade para o cenário macroeconômico, marcado por boas notícias nas últimas semanas. Depois de meses de inflação elevada, o País finalmente registrou uma deflação de 0,08% no mês de junho. Ainda que pontual, o resultado animou economistas e já há quem preveja o IPCA bem mais próximo do teto da meta no fim deste ano. Puxado, sobretudo, pelo agronegócio, o Produto Interno Bruto cresceu 1,9% no primeiro trimestre, elevando as estimativas de crescimento da economia do mercado para 2,19%, segundo o mais recente Boletim Focus, e 2%, segundo o Banco Central.
A aprovação da reforma tributária pela Câmara, por sua vez, trouxe otimismo em relação ao futuro. Embora não tenha efeitos diretos ou imediatos e ainda precise passar pelo crivo do Senado, a perspectiva de simplificação do sistema tributário delineou um cenário de otimismo, em que se antevê um ambiente mais favorável aos negócios, à produção e aos investimentos.
Nesse sentido, o relatório do Tesouro Nacional traz um importante lembrete ao governo: ainda há muito a ser feito na área fiscal, e desde já. O arcabouço já havia sido criticado por uma certa frouxidão e por depender majoritariamente da recuperação de receitas. Mas, ainda que todas as medidas anunciadas pelo Ministério da Fazenda alcancem os resultados almejados, será necessário um esforço ainda maior – e permanente – por parte do governo para atingir as metas fiscais nos próximos anos.
Não há escolha fácil. O contingenciamento de despesas discricionárias foi limitado pelo Congresso, e há muitos gastos já contratados para os próximos anos, como o passivo de precatórios, o avanço das emendas parlamentares, a política de valorização do salário mínimo e a retomada dos mínimos constitucionais para as áreas de saúde e educação, de 15% da receita corrente líquida e de 18% da receita líquida de impostos, respectivamente.
(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 14.07.2023. Adaptado)
- Aa situação da economia brasileira vem se transformando nos últimos meses, como se pode confirmar com a deflação de junho, considerando-se que houve recuperação das receitas e um cenário macroeconômico que permite aumento de gastos.
- Bo Relatório de Projeções Fiscais, divulgado pelo Tesouro Nacional, revela que os objetivos definidos pelo próprio arcabouço fiscal governamental são irrealizáveis, considerando-se o ambiente de negócios, produção e investimentos.
- Ca inviabilidade de recuperação de receitas em curto prazo tem levado o governo a rever suas metas fiscais nos próximos anos, considerando-se que, no contexto econômico atual, os objetivos sociais dificilmente poderão ser alcançados.
- Do arcabouço fiscal e a deflação recente sinalizam para um cenário econômico menos austero, com valorização dos investimentos em áreas sociais, considerando-se que o contingenciamento de receitas livre permite ampliar as metas do governo.
- Eo cenário auspicioso que as últimas notícias na área econômica apontaram recentemente deve ser analisado com cautela, considerando-se que ainda há ajustes fiscais a serem implementados para garantir as metas fiscais do governo.