Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184789
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2023
Cargo
Ana ( )
Dinheiro
Sem ele não há cova! quem enterra
Assim grátis, a Deo? O batizado
Também custa dinheiro. Quem namora
Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?
Demais, as Danáes também o adoram...
Quem imprime seus versos, quem passeia,
Quem sobe a deputado, até ministro,
Quem é mesmo eleitor, embora sábio,
Embora gênio, talentosa fronte,
Alma romana, se não tem dinheiro?
Fora a canalha de vazios bolsos!
(Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos)
Leia o poema de Álvares de Azevedo para responder à questão. No poema, a intenção do eu lírico é
Asatirizar as relações humanas pautadas pelo apego ao dinheiro.
Bnegar veementemente qualquer relação baseada no dinheiro.
Csugerir final conciliatório humano, com ou sem dinheiro.
Didealizar as relações humanas, ameaçadas pelo dinheiro.
Eevidenciar um caminho possível, distante do dinheiro.
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GabaritoA — satirizar as relações humanas pautadas pelo apego ao dinheiro.
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A intenção do eu lírico no poema "Dinheiro"
Gabarito: letra A. O eu lírico satiriza as relações humanas pautadas pelo apego ao dinheiro, como se vê na enumeração de situações cotidianas — enterro, batizado, namoro, eleição — todas condicionadas à posse de dinheiro, e no desfecho categórico: "Fora a canalha de vazios bolsos!". A intenção não é defender o dinheiro, mas criticar, com ironia, uma sociedade em que tudo depende dele.
O comando pede a intenção do eu lírico, ou seja, o efeito que o poema produz e o posicionamento do sujeito poético diante do tema. Isso é diferente de perguntar o que o texto "afirma" literalmente: aqui, é preciso ler nas entrelinhas, captando o tom irônico que perpassa todo o poema. A ironia é a chave: o eu lírico finge levar o dinheiro a sério para, na verdade, ridicularizar a importância que lhe é dada.
O poema é uma sátira: uma crítica mordaz, disfarçada de humor, a um comportamento social. O eu lírico lista, com exagero, tudo o que depende de dinheiro — do enterro ("Sem ele não há cova!") ao batizado, ao namoro ("Quem namora / Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?"), à política ("Quem sobe a deputado, até ministro") — e conclui com um verso de desprezo: "Fora a canalha de vazios bolsos!". A hipérbole (exagero) e a ironia (dizer o contrário do que se pensa) são as figuras que sustentam a sátira.
A técnica para resolver: identifique o tom (irônico, crítico, elogioso, neutro) e pergunte o que o eu lírico quer transmitir, não o que ele diz superficialmente. Se ele afirma que "sem dinheiro não há cova", não está defendendo o dinheiro, mas denunciando que a sociedade o tornou indispensável até para a morte. A alternativa correta é a que capta essa crítica social.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você ler o poema de forma literal, como se o eu lírico elogiasse o dinheiro. Mas a ironia inverte o sentido: ele critica a sociedade que se curva ao dinheiro. Fique atento ao tom.
Intenção do eu lírico: Sátira (crítica irônica) (Enterro, Batizado, Namoro, Política); Recursos (Ironia, Hipérbole); Desfecho ("Fora a canalha de vazios bolsos!")
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Sem ele não há cova! quem enterra / Assim grátis, a Deo?"
"Fora a canalha de vazios bolsos!"
O poema inteiro é uma sátira: o eu lírico enumera, com ironia, todas as atividades humanas que dependem de dinheiro — enterro, batizado, namoro, política — e conclui desprezando quem não o tem. A intenção é ridicularizar o apego ao dinheiro, mostrando como ele corrompe as relações humanas. A alternativa A capta exatamente essa crítica irônica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O eu lírico não nega que as relações sejam baseadas no dinheiro; pelo contrário, ele afirma que tudo depende dele: "Sem ele não há cova!", "Também custa dinheiro". A negação veemente seria o oposto do que o poema diz.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O poema não sugere nenhum final conciliatório entre as pessoas, com ou sem dinheiro. Não há proposta de reconciliação; há apenas a constatação irônica de que o dinheiro domina tudo. A alternativa inventa uma conclusão que não existe no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. O eu lírico não idealiza as relações humanas; ele as critica. A palavra "idealizar" (tornar ideal, exaltar) é o oposto da intenção satírica. O poema não exalta nada; ele desmascara a influência do dinheiro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O poema não apresenta um caminho possível distante do dinheiro. Não há proposta de solução ou alternativa. O eu lírico apenas constata, com ironia, a onipresença do dinheiro. A alternativa acrescenta uma ideia que o texto não desenvolve.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de poema, identifique o tom (irônico, crítico, nostálgico) antes de ler as alternativas. A ironia costuma inverter o sentido literal — o que parece elogio pode ser crítica.