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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184801
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Viagem silenciosa

 

Certas histórias causam mais impacto quando contadas em silêncio. Em Migrantes, a artista peruana Issa Watanabe acerta ao ir por esse caminho, relatando a jornada de um grupo que se desloca de um lugar para o outro em um livro sem palavras, no qual tudo é dito por meio de ilustrações. A ausência de texto, assim como a representação dos personagens como animais, sem características que os identifiquem com uma nacionalidade ou um grupo étnico específico, ajudam a tornar o relato tão universal quanto a problemática que retrata.

 

São elefantes, coelhos, cabras, girafas, búfalos, tucanos, sapos, galos e rinocerontes, mas poderiam ser sírios ou somalis que se lançam ao Mediterrâneo em barcos precários, haitianos que atravessam a América por terra tentando chegar aos Estados Unidos, venezuelanos que se dirigem a pé para os países vizinhos e tantos outros fluxos de refugiados que coexistem neste instante no mundo. A opção pela fantasia ao retratar os migrantes tem o mérito de conectar os leitores à história. Crianças têm empatia natural por animais, lembrou Watanabe em uma entrevista, e ela define seu livro justamente como uma obra sobre empatia, que pretende despertar um sentimento de solidariedade em relação àqueles que precisam deixar tudo para trás em busca de sobrevivência.

 

O uso de luz e sombra e as expressões carregadas de humanidade dos personagens dão à história uma profundidade tocante. É uma leitura que pode suscitar perguntas difíceis, mas aborda um fenômeno que bate recorde ano após ano — são mais de 100 milhões de pessoas em situação de deslocamento forçado — com honestidade e poesia, menos pelo didatismo e mais pelo sentimento.

 

(Flávia Mantovani. Viagem silenciosa. Revista Quatro Cinco Um. 1o de fevereiro de 2023)

Leia o texto para responder à questão.

   

É correto afirmar que Flávia Mantovani, autora da resenha,

  1. Adefende que a opção da artista peruana de não adotar linguagem verbal em sua obra a torna mais impactante e universal.
  2. Bconsidera que a escolha por retratar os seres humanos como animais facilita uma abordagem mais acadêmica do livro.
  3. Celogia as cores das ilustrações, consideradas chamativas e inspiradoras de um sentimento de alegria para além do drama.
  4. Dmanifesta sua preferência por histórias que não tenham personagens humanos, pois as considera mais profundas.
  5. Ereconhece que o livro é didático ao explicar às crianças a vida dos imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — defende que a opção da artista peruana de não adotar linguagem verbal em sua obra a torna mais impactante e universal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a tese da resenha sobre 'Migrantes'

Gabarito: letra A. Flávia Mantovani defende que a opção de Issa Watanabe por não usar linguagem verbal torna a obra mais impactante e universal. Isso está explícito no primeiro parágrafo: a autora afirma que "Certas histórias causam mais impacto quando contadas em silêncio" e que a ausência de texto, junto com a representação dos personagens como animais, "ajudam a tornar o relato tão universal quanto a problemática que retrata". A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa tese.

O comando pede que se identifique o que a autora afirma — ou seja, uma informação explícita no texto, não uma dedução. A questão é de compreensão, não de interpretação profunda. Por isso, a resposta correta deve estar literalmente sustentada por uma passagem, e não exigir que o leitor acrescente ideias de fora.

O texto é uma resenha sobre o livro Migrantes, de Issa Watanabe. A tese central é que a escolha de contar a história sem palavras, apenas com ilustrações, e de representar os migrantes como animais, torna o relato mais universal e capaz de despertar empatia. A autora elogia essa opção estética, destacando seu mérito de conectar os leitores à história.

A técnica para resolver é simples: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?". Se a alternativa exigir que você acrescente uma informação que não está no texto, ela está errada. A banca adora criar distratores que extrapolam o que foi dito, muitas vezes usando fatos verdadeiros do mundo real, mas que não estão no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura informações do texto com opiniões ou detalhes que não foram mencionados, como a "abordagem acadêmica" ou o "didatismo". Fique atento a palavras como "acadêmica", "cores chamativas", "preferência" e "didático" — elas não têm respaldo no texto.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "É correto afirmar que a autora..." — isso pede uma paráfrase fiel, não uma inferência. Se a alternativa trouxer uma ideia que você não consegue apontar no texto, ela está errada.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que a autora "defende que a opção da artista peruana de não adotar linguagem verbal em sua obra a torna mais impactante e universal". Isso está diretamente apoiado no texto:

"Certas histórias causam mais impacto quando contadas em silêncio" e "A ausência de texto, assim como a representação dos personagens como animais, sem características que os identifiquem com uma nacionalidade ou um grupo étnico específico, ajudam a tornar o relato tão universal quanto a problemática que retrata."

A autora não apenas afirma que a ausência de texto causa mais impacto, mas também que isso contribui para a universalidade do relato. A alternativa A é uma paráfrase exata dessa ideia, sem acrescentar nada de fora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que a autora "considera que a escolha por retratar os seres humanos como animais facilita uma abordagem mais acadêmica do livro". O texto não menciona nada sobre "abordagem acadêmica". A autora fala em "conectar os leitores à história" e em "empatia", mas não em academicismo. Isso é uma extrapolação — a alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a autora "elogia as cores das ilustrações, consideradas chamativas e inspiradoras de um sentimento de alegria para além do drama". O texto menciona "luz e sombra" e "expressões carregadas de humanidade", mas não fala em "cores chamativas" nem em "alegria". Pelo contrário, o texto fala em "profundidade tocante" e "honestidade e poesia". A alternativa contradiz o tom do texto, que é sério e emocional, não alegre.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que a autora "manifesta sua preferência por histórias que não tenham personagens humanos, pois as considera mais profundas". O texto não expressa preferência pessoal da autora por histórias sem personagens humanos. Ela apenas analisa a obra de Watanabe, elogiando a escolha da artista. A alternativa extrapola ao atribuir à autora uma preferência pessoal que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a autora "reconhece que o livro é didático ao explicar às crianças a vida dos imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos". O texto diz o oposto: "menos pelo didatismo e mais pelo sentimento". Além disso, o livro não é especificamente sobre imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos — o texto menciona vários fluxos de refugiados, incluindo sírios, somalis, haitianos e venezuelanos. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que o livro é didático e restringe o alcance ao mencionar apenas os Estados Unidos.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou restringem indevidamente o que a autora afirmou. Lembre-se: em questões de compreensão, a resposta correta é sempre uma paráfrase fiel do texto, sem acréscimos.

Gabarito: letra A

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