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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184805
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Desafio ao ChatGPT

 

Outro dia, por casualidade, o advogado P. Bottini ouviu alguém recitar Ilusões da Vida, o famoso poema de Francisco Otaviano – “Quem passou pela vida em branca nuvem...” – e quis conhecer melhor o poeta. Consultou o ChatGPT, que prontamente respondeu: “Francisco Otaviano foi um político e poeta brasileiro do século 19. Eis aqui um de seus poemas”. E mandou a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias: “Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá...”.

 

Bem, não sejamos ranzinzas. O infalível ChatGPT não é obrigado a saber tudo. Mesmo porque, como poeta, Otaviano não foi um Gonçalves Dias, nem mesmo um Fagundes Varella. Lembrando-se de Fagundes Varella, Bottini resolveu checar o pungente Cântico do Calvário*: “Eras na vida a pomba predileta / Que sobre um mar de angústias conduzia / O ramo da esperança...”. Pois, em vez disso, o ChatGPT enviou-lhe um hino evangélico intitulado Cântico do Calvário. E não só um, mas quatro hinos com esse título. Decididamente, o ChatGPT não é da literatura.

 

Já escrevi aqui que, se se metesse a produzir uma biografia, o ChatGPT conseguiria macaquear o estilo de um autor. E, sim, talvez gerasse pautas com centenas de perguntas e as aplicasse a 200 fontes de informação. Mas quem vai determinar essas fontes? As melhores são as que nos surgem de repente, às vezes por acaso. E aquelas que se fazem de difíceis? E o olho no olho com elas, sem o que não se arrancam certas informações? E a descoberta de documentos perdidos em gavetas?

 

Uma biografia exige paciência, alguma esperteza, sorte e buracos na sola do sapato. O algoritmo poderá fazer tudo isso?

 

Um dia, talvez. Mas só depois de aprender que as aves que aqui gorjeiam não passam pela vida em branca nuvem nem gorjeiam como lá.

 

(https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2023/04/desafio-ao-chatgpt.shtml Publicado em 20.04.2023. Adaptado)

 

* Cântico do Calvário: poema de Fagundes Varela dedicado ao filho Emiliano, que faleceu aos três meses de idade.

Leia a crônica de Ruy Castro para responder à questão.     Segundo o cronista, para a realização de uma biografia, deve-se:
  1. Aimitar o estilo artístico do biografado e selecionar pessoas que sejam fontes confiáveis.
  2. Bdesconfiar de fontes que surgem casualmente e submeter o biografado a um minucioso questionário.
  3. Cdispor de bastante tempo e paciência e restringir ao máximo o campo de pesquisa.
  4. Dapostar na sorte e evitar contato com conhecidos do biografado que sejam pessoas arrogantes.
  5. Eestabelecer empatia com os entrevistados e procurar por material e informações ainda inéditos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — estabelecer empatia com os entrevistados e procurar por material e informações ainda inéditos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: o que o cronista diz sobre fazer uma biografia

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que parafraseia fielmente o que o cronista afirma no 3º parágrafo: para uma biografia, é preciso estabelecer empatia com os entrevistados (o "olho no olho") e procurar material inédito ("documentos perdidos em gavetas"). As demais alternativas extrapolam ou contradizem o texto, acrescentando exigências que o autor não fez.

O comando pede compreensão ("Segundo o cronista... deve-se"), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, como uma paráfrase — uma reescritura que mantém o sentido, sem deduções ou acréscimos. A banca não quer que você infira nada além do que está escrito; quer que você localize a passagem que sustenta a alternativa.

No 3º parágrafo, o cronista questiona a capacidade do ChatGPT de fazer uma biografia, listando o que ela exige:

"E o olho no olho com elas, sem o que não se arrancam certas informações? E a descoberta de documentos perdidos em gavetas?"

Aqui estão os dois elementos centrais: "olho no olho" (contato direto, empatia com as fontes) e "documentos perdidos em gavetas" (material inédito, não publicado). A alternativa E traduz exatamente isso: "estabelecer empatia com os entrevistados" (olho no olho) e "procurar por material e informações ainda inéditos" (documentos perdidos).

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que não acrescenta nem contradiz — ela apenas reescreve com outras palavras o que o autor disse.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona que o ChatGPT "conseguiria macaquear o estilo de um autor" (3º parágrafo), mas isso é uma capacidade da máquina, não uma exigência para o biógrafo humano. Além disso, "selecionar pessoas que sejam fontes confiáveis" não está no texto — o cronista fala em fontes que "surgem de repente, às vezes por acaso", não em seleção criteriosa. A alternativa inventa uma recomendação que o autor não fez.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O cronista valoriza as fontes que surgem por acaso: "As melhores são as que nos surgem de repente, às vezes por acaso" (3º parágrafo). A alternativa manda desconfiar delas, o que é o oposto do que o texto afirma. Além disso, "submeter o biografado a um minucioso questionário" não aparece — o autor fala em "gerar pautas com centenas de perguntas" como algo que o ChatGPT poderia fazer, não como recomendação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: restringe indevidamente. O texto diz que "Uma biografia exige paciência" (4º parágrafo), mas a alternativa acrescenta "restringir ao máximo o campo de pesquisa" — isso não está no texto. O cronista não fala em limitar a pesquisa; pelo contrário, valoriza a descoberta de "documentos perdidos em gavetas", o que sugere ampliar a busca. A alternativa restringe o alcance do que o autor disse.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e contradição. O texto menciona "sorte" como um dos ingredientes da biografia (4º parágrafo), mas a alternativa inverte a ideia ao dizer "evitar contato com conhecidos do biografado que sejam pessoas arrogantes" — isso não existe no texto. O cronista fala em "olho no olho" com as fontes, o que implica contato, não evitação. A alternativa inventa uma recomendação e ainda contradiz a ideia de empatia.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto diz:

"E o olho no olho com elas, sem o que não se arrancam certas informações? E a descoberta de documentos perdidos em gavetas?"

"Olho no olho" = empatia com os entrevistados; "documentos perdidos em gavetas" = material e informações ainda inéditos. A alternativa reescreve exatamente essas ideias, sem acrescentar nada. É a única que se sustenta integralmente no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca pega elementos reais do texto (paciência, sorte, fontes, estilo) e os distorce — troca "olho no olho" por "evitar contato", "fontes casuais" por "desconfiar", "documentos perdidos" por "restringir pesquisa". A correta é a que não faz nenhuma dessas trocas.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto os elementos que aparecem nas alternativas. Se a alternativa acrescenta uma palavra como "apenas", "sempre", "evitar", "restringir" — desconfie: quase sempre é extrapolação ou restrição indevida.

Gabarito: letra E — a única que parafraseia o texto sem extrapolar, restringir ou contradizer.

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