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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu184813
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

No início de junho, a psiquiatra e epidemiologista Cleusa Ferri, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), corria para concluir um extenso e importante relatório que apresentará em setembro ao Ministério da Saúde. Elaborado com a participação de especialistas em neurologia, geriatria e saúde mental, o documento reúne as estimativas mais recentes, calculadas pela primeira vez para todo o país, de um problema que nas próximas décadas deve atingir em cheio o sistema de saúde: o aumento dos casos de demência. Com o relatório, os especialistas esperam mobilizar o governo e contribuir para criar uma estratégia de ação nacional para lidar com o tema, algo recomendado desde 2015 pela Organização Pan-americana da Saúde (Opas).

 

Há pressa. Ao menos 1,76 milhão de brasileiros com mais de 60 anos vivem com alguma forma de demência, um conjunto de enfermidades sem cura que, por mecanismos diferentes, causam a perda progressiva das células cerebrais e levam à incapacitação e à morte. A maior parte dessas pessoas – uma fração ainda não bem conhecida que, segundo especialistas, pode superar 70% do total – nem sequer tem diagnóstico, o que as impede de receber tratamento adequado para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento que surgem com a progressão da doença.

 

Ferri e a neuropsicóloga Laiss Bertola chegaram a essa estimativa de casos depois de aferir, por meio de testes neuropsicológicos e de competência funcional no dia a dia, a proporção de pessoas que tinham demência em um grupo de 5.249 indivíduos, uma amostra representativa da população brasileira com 60 anos ou mais. As pesquisadoras projetaram a proporção então obtida (5,8%) para o restante da população brasileira da mesma faixa etária medida pelo Censo demográfico de 2010, o último de abrangência nacional então disponível. O número foi, por fim, corrigido para refletir o aumento de idosos na população nos anos seguintes. Os dados foram originalmente publicados em 22 de janeiro em um artigo na revista científica Journal of Gerontology.

 

(Ricardo Zorzetto, “Ao menos 1,76 milhão de pessoas têm alguma forma de demência no Brasil”. Em: revistapesquisa.fapesp.br, julho de 2023)

Leia o texto para responder à questão.

   

Na passagem do 2o parágrafo – ... o que as impede de receber tratamento adequado... –, o termo destacado corresponde ao que Koch e Elias (2011) denominam de

  1. Apronome anafórico.
  2. Banáfora associativa.
  3. Cpronome dêitico.
  4. Danáfora indireta.
  5. Epronome catafórico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — pronome anafórico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o pronome "as" como anáfora

Gabarito: letra A. O termo destacado "as" em "o que as impede" é um pronome anafórico, pois retoma um termo já mencionado no texto: "essas pessoas" (a fração de brasileiros com demência sem diagnóstico). A anáfora é o mecanismo de coesão que retoma uma informação anterior, e é exatamente isso que o pronome faz aqui — ele evita a repetição de "essas pessoas" e mantém a continuidade do texto.

O comando da questão

A questão pede que você identifique o tipo de coesão referencial empregado pelo pronome "as" no trecho citado. Isso é uma questão de conceito — não de interpretação de sentido, mas de reconhecimento de um mecanismo linguístico. Para resolvê-la, você precisa saber a diferença entre:

  • Anáfora: retoma um termo já dito (referência endofórica para trás).

  • Catáfora: antecipa um termo que ainda será dito (referência endofórica para frente).

  • Dêixis: refere-se a elementos fora do texto (exofórica), como tempo e espaço.

O texto e a passagem decisiva

No 2º parágrafo, o autor afirma:

"A maior parte dessas pessoas – uma fração ainda não bem conhecida que, segundo especialistas, pode superar 70% do total – nem sequer tem diagnóstico, o que as impede de receber tratamento adequado..."

O pronome "as" está no lugar de "essas pessoas" (ou "a maior parte dessas pessoas"). Ele retoma essa expressão, que apareceu antes na mesma frase. Não há nenhuma informação nova sendo antecipada — o pronome apenas substitui o termo anterior para evitar repetição. Isso é a definição clássica de anáfora.

A técnica que decide

Para classificar um pronome como anafórico, catafórico ou dêitico, pergunte:

  1. O pronome se refere a algo que já foi dito? → Anáfora.

  2. O pronome se refere a algo que será dito em seguida? → Catáfora.

  3. O pronome depende do contexto extratextual (quem fala, onde, quando)? → Dêixis.

No caso, "as" só pode ser entendido se você olhar para trás, para "essas pessoas". Não há como interpretá-lo sem esse referente anterior. Portanto, é anafórico.

Análise das alternativas

Coesão referencial
  • 1Endofórica (dentro do texto)
    • Anáfora (retoma termo já dito)
    • Catáfora (antecipa termo que virá)
  • 2Exofórica (fora do texto)
    • Dêixis (contexto de fala)
  • 3Anáfora associativa/indireta
    • Referente não explícito
    • Inferido por associação
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pronome "as" é anafórico porque retoma "essas pessoas", termo já mencionado no texto. A prova está na passagem:

"A maior parte dessas pessoas ... nem sequer tem diagnóstico, o que as impede de receber tratamento adequado"

O pronome substitui "essas pessoas" para evitar repetição, estabelecendo coesão referencial por anáfora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Anáfora associativa (ou indireta) ocorre quando o referente não está explícito, mas é inferido por associação — por exemplo, "entramos na casa; a sala era ampla" (a sala é parte da casa, mas não foi nomeada antes). Aqui, o referente "essas pessoas" está explícito no texto, então não há associação indireta. A alternativa confunde anáfora direta com indireta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Pronome dêitico refere-se a elementos fora do texto (exofóricos), como "eu", "aqui", "agora", que dependem da situação de fala. O pronome "as" não depende de contexto extratextual; seu referente está dentro do texto. A alternativa extrapola o conceito de dêixis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Anáfora indireta é sinônimo de anáfora associativa (ver B). O referente não é nomeado diretamente, mas inferido por relações semânticas. No texto, o referente é explícito ("essas pessoas"), então não se aplica. A alternativa troca o conceito de anáfora direta por indireta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Pronome catafórico antecipa um termo que virá depois — por exemplo, "Ela chegou: Maria estava cansada". No trecho, o pronome "as" retoma algo já dito, não antecipa nada. A alternativa inverte a direção da referência (catáfora em vez de anáfora).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre anáfora (retoma o que veio antes) e catáfora (antecipa o que vem depois). O pronome "as" só faz sentido se você olhar para trás no texto — se olhar para frente, não há referente.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar pronomes, localize o referente: se está antes, é anáfora; se está depois, é catáfora; se está fora do texto, é dêixis. Grife o pronome e pergunte: "a que ele se refere?" — a resposta estará no texto, antes ou depois.

Gabarito: letra A.

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