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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184866
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2023
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto, para responder a questão.

 

If

 

Houve um autor chamado Rudyard Kipling. Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo. Nascido na Índia dominada pelos ingleses, foi uma espécie de “profeta do imperialismo”. Seu poema O Fardo do Homem Branco é sempre citado como exemplo de racismo e de culturalismo colonial. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua inglesa.

 

Meu contato inicial com Kipling foi o poema If (Se). O poema estabelece uma ideia recorrente condicional: “Se consegues manter a calma, se consegues esperar sem desesperar, se és capaz de sonhar sem fazer do sonho seu mestre, se consegues continuar mesmo quando todos estiverem exaustos, etc., etc... tu herdarás toda a Terra e serás um homem de verdade”.

 

Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica. O súdito fleumático era um modelo. Alguns poetas o amaram (como Guilherme de Almeida). Houve detratores, como Pablo Neruda, que destacou a sabedoria pedestre e a moral hipócrita de Kipling.

 

Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo. Poderia também ser uma maneira inglesa de traduzir o Bhagavad Gita, que trata sobre a aceitação de uma missão pessoal. Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso.

 

Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade. Os versos finais ecoam na minha memória: “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes / E, entre reis, não perder a naturalidade / E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes / Se a todos podes ser de alguma utilidade / E se és capaz de dar, segundo por segundo / Ao minuto fatal todo o valor e brilho / Tua é a terra com tudo o que existe no mundo / E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!” Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?

 

(Leandro Karnal. Disponível em:<estadão.com.br>. Acesso em: 02.07.2023. Adaptado)

O comentário do autor sobre a poesia de Rudyard Kipling se caracteriza como
  1. Acrítica literária, que associa a criação do autor a movimentos libertários em sua terra natal, temática que o levou a conquistar o Nobel.
  2. Bcrítica literária, que privilegia a análise de versos de seu famoso poema “If “, um libelo contra o conformismo dos povos colonizados.
  3. Canálise descritiva, que traça um paralelo entre diferentes obras, o que permite afirmar a modernidade do autor na escolha de seus temas.
  4. Dtexto de opinião, que nela destaca ideias que enaltecem o estoicismo, isto é, a rigidez de princípios morais e a ética da imperturbabilidade.
  5. Etexto de opinião, que reforça o pertencimento da obra a um momento histórico caracterizado pelo expansionismo liberal na Índia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — texto de opinião, que nela destaca ideias que enaltecem o estoicismo, isto é, a rigidez de princípios morais e a ética da imperturbabilidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O comentário do autor sobre a poesia de Kipling: texto de opinião e o estoicismo

Gabarito: letra D. O comentário do autor se caracteriza como texto de opinião, pois ele emite juízos e avaliações pessoais sobre a poesia de Kipling, destacando nela ideias que enaltecem o estoicismo, definido como a rigidez de princípios morais e a ética da imperturbabilidade. Essa definição está ancorada no texto, que afirma: "Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica" e "Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo".

O comando pede que se caracterize o comentário do autor sobre a poesia de Kipling. Isso exige identificar a tipologia textual predominante (texto de opinião) e o tema central que o autor desenvolve (o estoicismo). Não se trata de uma questão de compreensão literal, mas de interpretação: é preciso reconhecer a intenção do autor e o eixo temático que ele constrói ao longo do texto.

O texto é um artigo de opinião, gênero em que o autor (Leandro Karnal) apresenta seu ponto de vista sobre Kipling e sua obra. Ele não se limita a descrever ou narrar; ele avalia, comenta e opina. Isso fica evidente em passagens como "Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo", "Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica" e "Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso". O autor também expressa uma opinião pessoal ao final: "Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?", o que reforça o caráter opinativo.

A alternativa D é a única que combina corretamente a tipologia (texto de opinião) com o tema central (estoicismo). O texto define o estoicismo como "serenidade interior indiferente ao mundo", o que corresponde à "ética da imperturbabilidade" mencionada na alternativa. Além disso, o autor destaca a "rigidez de princípios morais" ao associar o poema ao "estoicismo desejado pela elite britânica".

As demais alternativas falham por diferentes razões:

  • A e B classificam o texto como "crítica literária", mas o texto não se limita a analisar tecnicamente a obra; ele expressa opiniões pessoais e reflexões subjetivas. Além disso, a alternativa A menciona "movimentos libertários" e a B "libelo contra o conformismo", ideias que não estão no texto.

  • C fala em "análise descritiva" e "modernidade do autor", mas o texto não faz uma descrição neutra nem afirma a modernidade de Kipling; pelo contrário, o autor o vê como "sinal de idade".

  • E também classifica como "texto de opinião", mas erra ao dizer que a obra reforça o "expansionismo liberal na Índia". O texto menciona que Kipling foi "profeta do imperialismo", mas o comentário do autor não se centra nisso; o foco é o estoicismo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "crítica literária" e "texto de opinião", e entre "estoicismo" e outros conceitos como "expansionismo liberal" ou "conformismo". O candidato pode ser atraído por alternativas que mencionam elementos presentes no texto (como o Nobel ou a Índia) mas que não caracterizam o comentário do autor.

PEGA ESSA DICA!

Ao caracterizar um texto, pergunte: qual é a intenção predominante? Se o autor emite juízos de valor, é texto de opinião. Depois, identifique o tema central que ele desenvolve. Aqui, o tema é o estoicismo, não o imperialismo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o comentário é uma "crítica literária" que associa a criação do autor a "movimentos libertários em sua terra natal". O texto não menciona movimentos libertários; pelo contrário, diz que Kipling foi "profeta do imperialismo". Além disso, o comentário não é uma crítica literária formal, mas uma opinião pessoal. Erro: extrapolação — acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o comentário é uma "crítica literária" que privilegia a análise de versos de "If" como um "libelo contra o conformismo dos povos colonizados". O texto não fala em "libelo contra o conformismo"; pelo contrário, o poema é associado ao estoicismo e à aceitação de uma missão pessoal. Além disso, o comentário não é uma crítica literária, mas uma opinião. Erro: contradiz o texto — inverte o sentido do poema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "análise descritiva" e "modernidade do autor na escolha de seus temas". O texto não é descritivo; é opinativo. E o autor não afirma a modernidade de Kipling; pelo contrário, diz que "Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade". Erro: contradiz o texto — o texto afirma o oposto da modernidade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa caracteriza corretamente o comentário como "texto de opinião" e destaca que ele enaltece o estoicismo, definido como "rigidez de princípios morais e ética da imperturbabilidade". O texto sustenta isso em várias passagens: "Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica" e "Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo". A definição de estoicismo como "imperturbabilidade" é uma paráfrase de "serenidade interior indiferente ao mundo".

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa também classifica como "texto de opinião", mas erra ao dizer que a obra reforça o "expansionismo liberal na Índia". O texto menciona que Kipling foi "profeta do imperialismo", mas o comentário do autor não se centra nisso; o foco é o estoicismo. Erro: tangencia o tema — fala de um assunto presente no texto, mas não é o eixo do comentário.

Conclusão: A alternativa D é a única que combina corretamente a tipologia (texto de opinião) com o tema central (estoicismo). As demais ou classificam errado o gênero, ou atribuem ao texto ideias que ele não defende. Ao resolver questões de caracterização, lembre-se: o texto de opinião é marcado por juízos de valor e pela defesa de um ponto de vista; aqui, o ponto de vista é a valorização do estoicismo na poesia de Kipling.

Gabarito: letra D

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