Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu184867
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2023
Cargo
CFO/QC ( )
Leia o texto, para responder a questão.
If
Houve um autor chamado Rudyard Kipling. Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo. Nascido na Índia dominada pelos ingleses, foi uma espécie de “profeta do imperialismo”. Seu poema O Fardo do Homem Branco é sempre citado como exemplo de racismo e de culturalismo colonial. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua inglesa.
Meu contato inicial com Kipling foi o poema If (Se). O poema estabelece uma ideia recorrente condicional: “Se consegues manter a calma, se consegues esperar sem desesperar, se és capaz de sonhar sem fazer do sonho seu mestre, se consegues continuar mesmo quando todos estiverem exaustos, etc., etc... tu herdarás toda a Terra e serás um homem de verdade”.
Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica. O súdito fleumático era um modelo. Alguns poetas o amaram (como Guilherme de Almeida). Houve detratores, como Pablo Neruda, que destacou a sabedoria pedestre e a moral hipócrita de Kipling.
Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo. Poderia também ser uma maneira inglesa de traduzir o Bhagavad Gita, que trata sobre a aceitação de uma missão pessoal. Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso.
Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade. Os versos finais ecoam na minha memória: “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes / E, entre reis, não perder a naturalidade / E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes / Se a todos podes ser de alguma utilidade / E se és capaz de dar, segundo por segundo / Ao minuto fatal todo o valor e brilho / Tua é a terra com tudo o que existe no mundo / E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!” Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?
Assinale a alternativa redigida de acordo com a norma-padrão de concordância verbal e nominal.
ANo geral, os poetas brasileiro e chileno criticaram o poema; um e outro crítico recusaram quaisquer concessões, que custam crer que coubesse.
BEm que pese as críticas, a poesia de Kipling atravessou décadas sendo lida e relida, em razão do próprio lirismo dos versos que a caracterizam.
CAtribuem-se ao poeta, em uma ou outra análise, pendores colonialistas; são análises o mais possível rigorosas, as quais pouco cabe questionar.
DCada um dos comentários desabonadores que se fez à poesia de Kipling destacam que se tratam de versos repetitivos.
EÉ certo que mais de um leitor apreciaram Kipling, a despeito dos questionados poema e ideologia, cujas ideias seriam questionáveis.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Atribuem-se ao poeta, em uma ou outra análise, pendores colonialistas; são análises o mais possível rigorosas, as quais pouco cabe questionar.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Concordância verbal e nominal: a norma-padrão em jogo
Gabarito: letra C. A única alternativa redigida de acordo com a norma-padrão de concordância verbal e nominal é a C, pois nela o verbo "atribuem-se" concorda corretamente com o sujeito composto "pendores colonialistas" (posposto), e a expressão "o mais possível" permanece invariável, como exige a norma. As demais alternativas apresentam desvios claros, como veremos a seguir.
O comando pede que você identifique a alternativa redigida de acordo com a norma-padrão de concordância verbal e nominal. Isso significa que você deve analisar cada frase isoladamente, verificando se o verbo concorda com o sujeito (concordância verbal) e se os determinantes (artigos, adjetivos, pronomes) concordam com os substantivos a que se referem (concordância nominal). Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras gramaticais.
O texto-base sobre Kipling serve apenas como contexto temático; a questão é puramente gramatical. A banca VUNESP adora testar casos especiais de concordância, como sujeito posposto, expressões partitivas, pronomes indefinidos e a concordância com "mais de um". Vamos analisar cada alternativa com atenção.
A técnica central é: identifique o núcleo do sujeito e verifique se o verbo está na mesma pessoa e número. Em seguida, verifique se os adjetivos e pronomes concordam com os substantivos. Desconfie de palavras como "cada", "mais de um", "um e outro", que têm regras específicas.
Concordância verbal e nominal
1Casos especiais
"Cada um de" → verbo no singular
"Mais de um" → verbo no singular
"Em que pese" → invariável
"O mais possível" → invariável
Adjetivo anteposto a 2 substantivos
Concorda com o mais próximo
Ou vai para o plural
Verbo impessoal "custar" (ser difícil)
Fica no singular
2Sujeito posposto
Verbo concorda com o núcleo
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz a norma-padrão. A frase "No geral, os poetas brasileiro e chileno criticaram o poema; um e outro crítico recusaram quaisquer concessões, que custam crer que coubesse" apresenta dois problemas graves:
Concordância nominal: "os poetas brasileiro e chileno" — quando o adjetivo vem anteposto a dois substantivos, deve concordar com o mais próximo ou ir para o plural. Aqui, o adjetivo "brasileiro" está no singular, mas o substantivo "poetas" está no plural, gerando incoerência. O correto seria "os poetas brasileiro e chileno" (concordando com o mais próximo) ou "os poetas brasileiros e chilenos" (concordando com ambos).
Concordância verbal: "que custam crer que coubesse" — o verbo "custar" no sentido de "ser difícil" é impessoal, ou seja, fica na 3ª pessoa do singular: "custa crer". A forma "custam" está incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Quando o adjetivo antecede dois substantivos, ele concorda com o mais próximo ou vai para o plural. Fique atento a verbos impessoais como "custar" (no sentido de "ser difícil"), que não têm sujeito e ficam no singular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz a norma-padrão. A frase "Em que pese as críticas, a poesia de Kipling atravessou décadas sendo lida e relida, em razão do próprio lirismo dos versos que a caracterizam" apresenta um desvio na expressão "em que pese".
A expressão "em que pese" é invariável, ou seja, não concorda com o termo seguinte. O correto é "em que pese as críticas" (e não "em que pesem as críticas"). A forma "pese" permanece no singular, independentemente do substantivo que a segue.
PEGA ESSA DICA!
A expressão "em que pese" é uma locução fixa, invariável. Não caia na tentação de flexioná-la para concordar com o termo seguinte.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta: segue a norma-padrão. A frase "Atribuem-se ao poeta, em uma ou outra análise, pendores colonialistas; são análises o mais possível rigorosas, as quais pouco cabe questionar" está correta por dois motivos:
Concordância verbal: o verbo "atribuem-se" concorda com o sujeito posposto "pendores colonialistas" (plural). O sujeito está depois do verbo, mas a concordância é feita normalmente.
Concordância nominal: a expressão "o mais possível" é invariável, ou seja, não concorda com o substantivo "análises". O correto é "análises o mais possível rigorosas", e não "análises as mais possíveis rigorosas".
PEGA ESSA DICA!
A expressão "o mais possível" é invariável. Não a flexione para concordar com o substantivo a que se refere.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz a norma-padrão. A frase "Cada um dos comentários desabonadores que se fez à poesia de Kipling destacam que se tratam de versos repetitivos" apresenta dois desvios:
Concordância verbal: "Cada um dos comentários... destacam" — quando o sujeito é "cada um de", o verbo deve ficar no singular: "Cada um dos comentários... destaca". A forma "destacam" está incorreta.
Concordância verbal: "que se tratam de versos repetitivos" — o verbo "tratar-se de" concorda com o sujeito "versos repetitivos", mas aqui o sujeito é "que" (referindo-se a "comentários"), então o correto seria "que se tratam" (concordando com "comentários") ou "que se trata" (concordando com "cada um"). A forma "se tratam" está incorreta, pois o sujeito é "cada um" (singular).
PEGA ESSA DICA!
Com a expressão "cada um de", o verbo fica no singular. Fique atento ao sujeito da oração para não se confundir.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz a norma-padrão. A frase "É certo que mais de um leitor apreciaram Kipling, a despeito dos questionados poema e ideologia, cujas ideias seriam questionáveis" apresenta dois desvios:
Concordância verbal: "mais de um leitor apreciaram" — quando o sujeito é "mais de um", o verbo fica no singular: "mais de um leitor apreciou". A forma "apreciaram" está incorreta.
Concordância nominal: "dos questionados poema e ideologia" — o adjetivo "questionados" está no plural, mas deveria concordar com o substantivo mais próximo ("poema") ou ir para o plural concordando com ambos. O correto seria "do questionado poema e ideologia" ou "dos questionados poema e ideologia". A forma "questionados" está incorreta, pois o adjetivo anteposto a dois substantivos deve concordar com o mais próximo.
PEGA ESSA DICA!
Com "mais de um", o verbo fica no singular. Quando o adjetivo antecede dois substantivos, ele concorda com o mais próximo.
Conclusão: A alternativa C é a única que respeita integralmente a norma-padrão de concordância verbal e nominal. As demais apresentam desvios claros, como vimos. Lembre-se: identifique o núcleo do sujeito, verifique a concordância do verbo e dos determinantes, e desconfie de expressões fixas como "em que pese" e "o mais possível".