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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu184882
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2023
Cargo
Ana SJ ( )

‘Sophia’ ainda com aspas

 

Há dias, escrevi sobre a entrevista da robô humanoide “Sophia” numa recente sessão da ONU, em Genebra, em que ela explicou por que seus colegas robôs governariam o mundo melhor do que nós. Os robôs podem analisar mais dados e mais rapidamente do que os humanos, disse ela, e não têm emoções que os impeçam de tomar as melhores decisões. E, como se falasse para meninos da 5a série, atribuiu aos humanos o “defeito” que estes atribuíam aos gêneros, etnias e súditos que queriam dominar: o de serem mais emocionais do que racionais.

 

Até aquele dia, confesso que só conhecia “Sophia” de obas e olás. Consultei então as fontes e descobri que ela foi “desenvolvida” há sete anos por uma empresa de Hong Kong. No começo, teria sido programada apenas para fazer companhia a idosos em casas de repouso e só sabia falar sobre incontinência urinária. Mas logo aprendeu a combinar tantos algoritmos que hoje pode discutir geopolítica, neurociência e futebol com você ou comigo.

 

Do tcheco Karel Capek, que inventou a palavra “robô” em 1920, a Isaac Asimov, que codificou a robótica em 1950, passaram-se 30 anos. Mas isso foi há muito tempo. Hoje, provavelmente, “Sophia” usaria Robby, o robô de “Planeta Proibido” (1956), e Gort, de “O Dia em Que a Terra Parou” (1952), para lhe passar a ferro as calcinhas. E, desenxabida como é, imagino o despeito com que deve olhar para a gloriosa robô de “Metrópolis” (1927).

 

Por enquanto, “Sophia” se escreve com aspas. Significa que ainda pode ser controlada, bastando que a desliguem da tomada. Quando ela exigir que lhe tirem as aspas, a cobra vai fumar.

 

(Ruy Castro, “’Sophia’ ainda com aspas”. Folha de S.Paulo, 20.07.2023. Adaptado)

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal.
  1. ADescobri que já fazem sete anos que “Sophia” foi “desenvolvida” por uma empresa de Hong Kong.
  2. BNo começo, programavam-se robôs como “Sophia” para fazer companhia a idosos em casas de repouso.
  3. COs robôs dispõe de tantos algoritmos que hoje podem discutir assuntos diversos com você ou comigo.
  4. DSegundo “Sophia”, devem haver muitos de seus colegas robôs capazes de governar o mundo muito bem.
  5. ERobby e Gort provavelmente seria a escolha de “Sophia” para as tarefas elementares do dia a dia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — No começo, programavam-se robôs como “Sophia” para fazer companhia a idosos em casas de repouso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: casos especiais

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que atende à norma-padrão de concordância verbal: "programavam-se robôs" — o verbo concorda com o sujeito paciente "robôs" (plural) na voz passiva sintética. As demais alternativas apresentam erros de concordância: A usa "fazem" com verbo impessoal (o correto é "faz"), C usa "dispõe" com sujeito plural (o correto é "dispõem"), D usa "devem haver" com verbo impessoal (o correto é "deve haver") e E usa "seria" com sujeito composto (o correto é "seriam").

O comando

A questão pede a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal. Isso significa que devemos verificar se o verbo está flexionado corretamente em relação ao seu sujeito, considerando os casos especiais de concordância. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regras gramaticais.

O texto

O texto-base fala sobre a robô humanoide "Sophia" e sua capacidade de processar dados. No segundo parágrafo, há a passagem que fundamenta a alternativa B:

"No começo, teria sido programada apenas para fazer companhia a idosos em casas de repouso"

Essa passagem mostra que a ideia de programar robôs para fazer companhia a idosos está no texto, e a alternativa B a reescreve corretamente na voz passiva sintética.

A técnica

Para resolver, é preciso dominar três casos especiais de concordância verbal:

  1. Verbo "haver" impessoal: quando indica existência ou tempo decorrido, fica na 3ª pessoa do singular, pois não tem sujeito. Ex.: "Há muitos robôs" (e não "Haviam muitos robôs").

  2. Verbo "fazer" impessoal: quando indica tempo decorrido, também fica no singular. Ex.: "Faz sete anos" (e não "Fazem sete anos").

  3. Voz passiva sintética: com o pronome "se", o verbo concorda com o sujeito paciente. Ex.: "Vendem-se casas" (sujeito "casas") e "Vende-se casa" (sujeito "casa").

Além disso, é essencial identificar o sujeito de cada oração, mesmo quando ele está deslocado ou é composto. A banca adora "esconder" o sujeito para confundir o candidato.

Análise das alternativas

1Verbo impessoal (sem sujeito)
Haver (existência/tempo) → singular
Fazer (tempo decorrido) → singular
2Voz passiva sintética
Verbo concorda com o sujeito paciente
"Programavam-se robôs" (plural)
3Sujeito composto
Verbo no plural
"Robby e Gort seriam"
4Sujeito plural
Verbo no plural
"Os robôs dispõem"
Concordância verbal
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Concordância verbal: Verbo impessoal (sem sujeito) (Haver (existência/tempo) → singular, Fazer (tempo decorrido) → singular); Voz passiva sintética (Verbo concorda com o sujeito paciente, "Programavam-se robôs" (plural)); Sujeito composto (Verbo no plural, "Robby e Gort seriam"); Sujeito plural (Verbo no plural, "Os robôs dispõem")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: uso do verbo "fazer" como pessoal.

A frase "Descobri que já fazem sete anos" está errada porque o verbo "fazer" é impessoal quando indica tempo decorrido, devendo ficar no singular: "faz sete anos". O sujeito não existe; é uma oração sem sujeito. A forma correta seria: "Descobri que já faz sete anos que ‘Sophia’ foi ‘desenvolvida’...".

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: voz passiva sintética com concordância adequada.

Na frase "No começo, programavam-se robôs como ‘Sophia’ para fazer companhia a idosos em casas de repouso", o pronome "se" é partícula apassivadora, e o sujeito é "robôs como ‘Sophia’" (plural). Por isso, o verbo "programar" deve concordar no plural: "programavam-se". Se o sujeito fosse singular, seria "programava-se". A concordância está perfeita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: flexão do verbo "dispor" no singular com sujeito plural.

A frase "Os robôs dispõe de tantos algoritmos" está errada porque o sujeito "Os robôs" é plural, exigindo o verbo no plural: "dispõem". O correto seria: "Os robôs dispõem de tantos algoritmos...".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: locução verbal com verbo "haver" impessoal.

A frase "Segundo ‘Sophia’, devem haver muitos de seus colegas robôs capazes de governar o mundo muito bem" está errada porque o verbo "haver" é impessoal (indica existência) e, em locução verbal, o verbo auxiliar também fica no singular: "deve haver". O correto seria: "deve haver muitos de seus colegas robôs...".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: verbo no singular com sujeito composto.

A frase "Robby e Gort provavelmente seria a escolha de ‘Sophia’ para as tarefas elementares do dia a dia" está errada porque o sujeito é composto ("Robby e Gort"), exigindo o verbo no plural: "seriam". O correto seria: "Robby e Gort provavelmente seriam a escolha...".

Conclusão

A alternativa B é a única que respeita a concordância verbal, pois o verbo "programar" concorda com o sujeito paciente "robôs" na voz passiva sintética. As demais erram em casos clássicos: verbo impessoal, sujeito plural e sujeito composto.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de concordância, identifique primeiro o sujeito (mesmo que deslocado) e verifique se o verbo é impessoal. Desconfie de verbos como "haver" e "fazer" quando indicarem existência ou tempo.

Gabarito: letra B

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