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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184883
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2023
Cargo
Ana SJ ( )

A inteligência artificial e o desafio humano

 

O mundo da inteligência artificial (IA) tem sido foco de debate recente, particularmente com os avanços apresentados pelo GPT-4. A nova versão do modelo de IA generativa demonstrou capacidades notáveis, incluindo responder a imagens e textos, programar com maior facilidade, fornecer respostas mais precisas e apresentar um desempenho surpreendente em diversos benchmarks profissionais e acadêmicos. Esses novos poderes maravilham, mas também acirram as discussões e preocupações sobre o futuro da IA.

 

Ao longo da História, muitas tecnologias revolucionárias enfrentaram oposições. Em retrospectiva, como lembra o cientista da computação Scott Aaronson, críticos teriam nos alertado que a radiodifusão ajudaria o discurso totalitário ou que o advento da imprensa poderia incitar guerras religiosas.

 

Embora essas tecnologias tenham gerado consequências negativas, interrompê-las teria sido um erro. No longo prazo, elas transformaram nosso mundo para melhor.

 

Em vez de nos prendermos em especulações e apreensões reacionárias ou estacionárias, devemos nos concentrar nos resultados e nas aplicações práticas da IA. Sob esse foco, as promessas da IA para melhorar o bem-estar humano parecem imensas. Aumento da produtividade, revolução na Medicina e na Biotecnologia e superação de desafios crônicos são apenas algumas das possibilidades. A IA tem o potencial de melhorar inúmeras vidas, otimizando processos, possibilitando descobertas inovadoras e oferecendo soluções efetivas para questões globais como meio ambiente e pobreza.

 

É crucial reconhecer que diferentes tecnologias têm diferentes vieses. A tecnologia do rádio, por exemplo, teve um viés centralizador, enquanto a da imprensa teve um viés descentralizador. Mas, no fundo, são ferramentas que podem solucionar problemas, além de expandir o poder criador da espécie humana. O que a IA faz é aumentar incrivelmente o fluxo e o estoque de inteligência no mundo. Se uma sociedade não é capaz de aproveitar o poder do aumento da inteligência para o bem coletivo, o problema não está na tecnologia, mas nas estruturas sociais vigentes.

 

Ao olharmos para o futuro, é importante não nos deixarmos paralisar pelo medo ou pela nostalgia, mas nos movermos com curiosidade e sabedoria. Considere que, talvez, o verdadeiro desafio humano não esteja na nossa habilidade de controlar o desconhecido, mas na nossa capacidade de nos adaptarmos, aprendermos e crescermos a partir das adversidades que ele nos apresenta.

 

(Diogo Costa, “A inteligência artificial e o desafio humano”.

https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.05.2023. Adaptado)

Ao discutir o futuro da inteligência artificial (IA), o autor propõe que a sociedade
  1. Aesteja consciente dos limites da tecnologia no cotidiano, tendo como referência situações de viés centralizador, como foi o caso da tecnologia do rádio, cujas consequências negativas repercutem com intensidade até os dias de hoje.
  2. Bseja mais cautelosa com o uso das ferramentas tecnológicas no seu dia a dia, procurando respostas para as preocupações decorrentes da relação com o desconhecido, que naturalmente não pode ser controlado pelo ser humano.
  3. Cprocure condições de despertar seu espírito criativo e inovador, aproveitando todas as oportunidades que os recursos tecnológicos oferecem para a solução prática e rápida, de forma a contribuir com as estruturas sociais vigentes.
  4. Dtenha uma postura menos conservadora e invista nas possiblidades proporcionadas pelos recursos tecnológicos, deixando de priorizar os aspectos desfavoráveis dela para caminhar rumo ao progresso com curiosidade e sabedoria.
  5. Etransforme a sua relação com o conhecimento, deixando de lado o medo gerado por tecnologias já tão difundidas no nosso meio, como o rádio e a televisão, de modo a agregar-lhes o acesso ao vasto conhecimento possibilitado pela IA.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — tenha uma postura menos conservadora e invista nas possiblidades proporcionadas pelos recursos tecnológicos, deixando de priorizar os aspectos desfavoráveis dela para caminhar rumo ao progresso com curiosidade e sabedoria.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A proposta do autor sobre o futuro da IA

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que sintetiza a tese central do texto: o autor defende uma postura menos conservadora e o investimento nas possibilidades da IA, deixando de priorizar os aspectos desfavoráveis para avançar "com curiosidade e sabedoria". Essa ideia está ancorada no último parágrafo, quando ele afirma que "é importante não nos deixarmos paralisar pelo medo ou pela nostalgia, mas nos movermos com curiosidade e sabedoria".

O comando pede compreensão — ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que o autor propõe, sem acréscimos de fora. A banca testa se você consegue identificar a tese (o que o autor defende) e não se deixar levar por detalhes periféricos ou por opiniões que o texto não sustenta.

O texto é um artigo de opinião. O autor reconhece os avanços da IA (GPT-4), mas rejeita o medo e a nostalgia. Ele argumenta que tecnologias como o rádio e a imprensa também geraram temores, mas, no longo prazo, "transformaram nosso mundo para melhor". A conclusão é clara: em vez de especulações reacionárias, devemos focar nas aplicações práticas e "nos movermos com curiosidade e sabedoria".

A técnica decisiva é testar cada alternativa contra o texto: a correta é a que não acrescenta informação nova e não restringe o alcance do que foi dito. As distratoras cometem erros típicos: extrapolam (A, C), contradizem (B) ou tangenciam o tema (E).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A extrapola o texto. Ela afirma que as consequências negativas do rádio "repercutem com intensidade até os dias de hoje", mas o texto não diz isso. O autor menciona o rádio apenas como exemplo de tecnologia que gerou temores no passado, sem afirmar que seus efeitos negativos persistem. O trecho "críticos teriam nos alertado que a radiodifusão ajudaria o discurso totalitário" mostra que o autor fala de previsões passadas, não de consequências atuais. Além disso, a alternativa sugere que devemos estar "conscientes dos limites da tecnologia", ideia que não é a proposta central do autor — ele defende o oposto: focar nas possibilidades.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B contradiz o texto. Ela propõe "ser mais cautelosa" e "procurando respostas para as preocupações", mas o autor rejeita explicitamente essa postura: "Em vez de nos prendermos em especulações e apreensões reacionárias ou estacionárias, devemos nos concentrar nos resultados e nas aplicações práticas da IA". O autor não defende cautela, mas sim foco nas aplicações práticas. Além disso, a afirmação de que o desconhecido "naturalmente não pode ser controlado pelo ser humano" é uma opinião que o texto não sustenta — o autor fala em "capacidade de nos adaptarmos, aprendermos e crescermos", não em falta de controle.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C extrapola e distorce o texto. Ela afirma que devemos "aproveitar todas as oportunidades" e "contribuir com as estruturas sociais vigentes", mas o autor não diz isso. Pelo contrário, ele afirma que "se uma sociedade não é capaz de aproveitar o poder do aumento da inteligência para o bem coletivo, o problema não está na tecnologia, mas nas estruturas sociais vigentes" — ou seja, o autor critica as estruturas sociais, não propõe contribuir com elas. Além disso, "aproveitar todas as oportunidades" é uma generalização que o texto não faz; o autor fala em focar nas aplicações práticas, mas sem o caráter absoluto de "todas".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D é a paráfrase fiel da tese do autor. Ela captura três elementos centrais: (1) "postura menos conservadora" — o autor critica "apreensões reacionárias ou estacionárias"; (2) "investir nas possibilidades" — ele afirma que "as promessas da IA para melhorar o bem-estar humano parecem imensas"; (3) "caminhar rumo ao progresso com curiosidade e sabedoria" — trecho literal do último parágrafo: "nos movermos com curiosidade e sabedoria". A alternativa não acrescenta nem restringe nada: ela apenas reorganiza o que o texto diz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E tangencia o tema. Ela fala em "deixar de lado o medo gerado por tecnologias já tão difundidas no nosso meio, como o rádio e a televisão", mas o texto não menciona a televisão e não propõe "agregar-lhes o acesso ao vasto conhecimento possibilitado pela IA". O autor usa o rádio e a imprensa como exemplos históricos, não como tecnologias atuais a serem superadas. Além disso, a ideia de "transformar a sua relação com o conhecimento" é vaga e não corresponde a nenhuma passagem específica. A alternativa mistura elementos do texto (medo, rádio) com acréscimos que não estão lá (televisão, agregação de conhecimento).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. Aqui, a alternativa A usa o rádio (que está no texto) e inventa que suas consequências negativas "repercutem até hoje". A alternativa C usa "estruturas sociais vigentes" (que está no texto) e inverte o sentido: o autor as critica, não propõe contribuir com elas.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "o autor propõe" pede a tese, que costuma estar na introdução ou na conclusão. No último parágrafo, a frase "nos movermos com curiosidade e sabedoria" é a chave. Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?

Gabarito: letra D — a única que não extrapola, não contradiz e não tangencia, mas parafraseia com fidelidade a proposta central do autor.

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