Em “Podem falar à vontade que eu nem ligo” (2º quadro), o termo em destaque introduz uma
Aexplicação.
Bcondição.
Cconclusão.
Dexemplificação.
Econcessão.
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GabaritoA — explicação.
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O valor semântico do "que" em "Podem falar à vontade que eu nem ligo"
Gabarito: letra A. No trecho "Podem falar à vontade que eu nem ligo", o termo "que" introduz uma explicação — mais especificamente, uma oração que explica o porquê de o interlocutor poder falar à vontade: porque o falante não liga. A relação é de causa/explicação, e não de condição, conclusão, exemplificação ou concessão, como se lê no 2º quadro da tira.
O comando da questão
O enunciado pergunta: "o termo em destaque introduz uma...". Isso é uma questão de semântica do conectivo — não se pede a classificação sintática (se é conjunção integrante, pronome relativo etc.), mas sim o valor semântico que o "que" estabelece entre as orações. Em provas, essa distinção é crucial: o mesmo vocábulo pode ter múltiplos valores, e a banca quer que você identifique a relação de sentido no contexto específico.
O texto e a relação entre as orações
Na tira, o personagem diz: "Podem falar à vontade que eu nem ligo". A primeira oração — "Podem falar à vontade" — expressa uma permissão ou um convite. A segunda — "que eu nem ligo" — apresenta o motivo pelo qual essa permissão é dada: o falante não se importa com o que vão dizer. O "que" aqui equivale a "porque", "pois", introduzindo uma explicação (ou causa) da ação anterior.
"Podem falar à vontade que eu nem ligo"
A oração introduzida pelo "que" responde à pergunta "por que podem falar à vontade?" — porque ele não liga. Essa é a relação típica de causa/explicação, e não de concessão (que seria algo como "embora eu ligue"), nem de condição ("se eu ligar"), nem de conclusão ("portanto").
A técnica para distinguir os valores do "que"
Para não errar, substitua o "que" por outros conectivos e veja qual preserva o sentido:
Explicação/causa: "Podem falar à vontade porque eu nem ligo." → faz sentido.
Concessão: "Podem falar à vontade embora eu nem ligue." → muda o sentido (aí ele ligaria, mas mesmo assim poderiam falar).
Condição: "Podem falar à vontade se eu nem ligar." → não faz sentido.
Conclusão: "Podem falar à vontade, portanto eu nem ligo." → inverte a lógica.
Exemplificação: "Podem falar à vontade, por exemplo, eu nem ligo." → não se encaixa.
A única substituição que mantém o sentido original é "porque". Portanto, o "que" tem valor explicativo.
Análise das alternativas
Valor semântico do "que": Explicação/causa (Equivale a "porque", "Podem falar à vontade porque eu nem ligo"); Concessão (Equivale a "embora", "Podem falar à vontade embora eu nem ligue"); Condição (Equivale a "se", "Podem falar à vontade se eu nem ligar"); Conclusão (Equivale a "portanto", Inverte a relação de causa); Exemplificação (Equivale a "por exemplo", Não ilustra um caso)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O "que" introduz uma explicação: a segunda oração explica o motivo de o falante permitir que falem à vontade. Equivale a "porque". Como vimos, a substituição por "porque" preserva o sentido: "Podem falar à vontade porque eu nem ligo." É a relação de causa/explicação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Condição seria expressa por "se" ou "caso": "Podem falar à vontade se eu nem ligar." Isso não faz sentido no contexto — a permissão não está condicionada a ele não ligar. A alternativa troca o conectivo (condicional em vez de explicativo), alterando a relação lógica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Conclusão seria introduzida por "portanto", "logo", "então": "Podem falar à vontade, portanto eu nem ligo." Isso inverteria a relação: a primeira oração seria a causa e a segunda, a consequência. No texto, é o contrário: a segunda oração é a causa/explicação da primeira. A alternativa inverte a direção da relação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Exemplificação seria introduzida por "por exemplo", "como": "Podem falar à vontade, por exemplo, eu nem ligo." Não há exemplificação — a segunda oração não ilustra um caso, mas explica o motivo. A alternativa foge ao sentido do conectivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Concessão seria expressa por "embora", "ainda que", "mesmo que": "Podem falar à vontade embora eu nem ligue." Isso mudaria o sentido: na concessão, haveria uma quebra de expectativa (ele ligaria, mas mesmo assim poderiam falar). No texto, não há essa oposição — a segunda oração é a razão da primeira. A alternativa confunde concessão com explicação, uma pegadinha clássica, pois ambos podem ser introduzidos por "que" em contextos informais.
Conclusão
A questão testa a polissemia do "que" e a capacidade de identificar a relação semântica no contexto. A técnica infalível é substituir o conectivo por outro de mesmo valor e verificar se o sentido se mantém. Aqui, apenas "porque" (explicação) preserva o sentido original. Portanto, a resposta é a letra A.
NÃO CAIA NESSA!
Em questões de valor semântico de conectivos, sempre faça a substituição por sinônimos (porque, embora, se, portanto, por exemplo) e veja qual mantém o sentido. Isso elimina a maioria das pegadinhas.