Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu184903
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Mirassol
Ano
2023
Cargo
AFS ( )
O selvagem
Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço.
– O que é, meu filho? – gemeu a mãe.
– Tribal.
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio para ouvir música. O porteiro dedurou. Foram expulsos. A tia comentou:
– Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu uma candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas e na língua. A mãe tentou se conformar com a escolha.
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
– O que vai ser desse rapaz?
Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Dali a alguns meses, anunciou:
– Arrumei trabalho! É voluntário, em uma ONG para proteger meninos de rua.
– Pode ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo, eu só pensava em comprar um carro novo! – esbravejou o pai.
Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta. O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante.
– Por que veio aqui?
– Meu pai me mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade. Eles não me entendem.
– Quem sabe você possa me dizer por quê?
– Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando para ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia... e trabalhar com alguma coisa de que eu goste.
O terapeuta observou as tatuagens, o brinco ousado, a camiseta torta, os cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconheceu seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal... a juventude continuava sendo... a juventude.
– O que eu mais quero é dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado. Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Quem sabe até ter um filho, mais tarde.
Despediu-se do terapeuta com um abraço.
– Qual o problema do meu filho?
– quis saber o pai.
– O problema é nosso, que esquecemos como fomos.
Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?
(Walcyr Carrasco. Veja SP, 08.06.2005. Adaptado
Assinale a alternativa cuja frase atende à norma-padrão de concordância verbal.
AAs expectativas de morar numa praia e de não viver apenas para o trabalho faz parte dos projetos que o rapaz tem para o futuro.
BDurante o bate-papo com o rapaz, voltaram à mente do terapeuta lembranças da própria juventude.
CLamentavelmente, muitas vezes não interessa a alguns pais os sonhos e as aspirações dos filhos.
DO pai estava aflito ao telefone, pois queria saber se existia de fato problemas com o filho.
EBastou alguns minutos conversando com o jovem para uma sensação de alegria invadir o terapeuta.
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GabaritoB — Durante o bate-papo com o rapaz, voltaram à mente do terapeuta lembranças da própria juventude.
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Concordância verbal: sujeito posposto e verbos impessoais
Gabarito: letra B. A única frase que atende à norma-padrão é "Durante o bate-papo com o rapaz, voltaram à mente do terapeuta lembranças da própria juventude", porque o verbo "voltaram" concorda corretamente com o sujeito posposto "lembranças da própria juventude" (plural). As demais alternativas erram justamente na concordância: ou o verbo fica no singular com sujeito plural, ou o verbo "existir" é tratado como impessoal, ou o verbo "bastar" é flexionado indevidamente. A regra que decide: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, mesmo quando o sujeito vem depois do verbo — e verbos como "existir" são pessoais, enquanto "haver" no sentido de existir é impessoal.
O comando: o que a banca pede
A questão pede a frase que atende à norma-padrão de concordância verbal. Isso significa que você deve analisar cada alternativa isoladamente, verificando se o verbo está flexionado em número e pessoa de acordo com o seu sujeito. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada a frases soltas — embora o texto-base sirva de contexto, a correção é avaliada na estrutura sintática de cada opção.
A técnica: identificar o sujeito e o verbo
O passo fundamental é achar o sujeito de cada verbo. Muitas vezes o sujeito está posposto (depois do verbo), o que confunde o candidato. A dica é inverter a ordem: "voltaram lembranças" → "as lembranças voltaram". Quando o sujeito é plural, o verbo vai para o plural, independentemente da posição. Além disso, é preciso distinguir verbos pessoais (que têm sujeito) de impessoais (que não têm, como "haver" no sentido de existir). O verbo "existir" é pessoal e concorda com o sujeito; já "haver" é impessoal e fica sempre no singular.
A pegadinha central: sujeito posposto e verbos que parecem impessoais
A banca adora colocar o sujeito depois do verbo para você se perder. Em "voltaram à mente do terapeuta lembranças da própria juventude", o sujeito é "lembranças da própria juventude" (plural), por isso o verbo "voltar" deve estar no plural. Outra armadilha é o verbo "existir": muita gente o trata como impessoal, mas ele é pessoal — "existem problemas" (e não "existe problemas"). Já o verbo "bastar" concorda com o sujeito: "bastam alguns minutos" (e não "basta alguns minutos").
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" ou "o quê?" antes dele. Se a resposta vier depois, inverta a ordem mentalmente. E desconfie de verbos como "existir", "bastar", "faltar", "sobrar" — eles são pessoais e concordam com o sujeito.
Concordância verbal: Sujeito posposto (Verbo concorda com o núcleo, Ex.: "voltaram lembranças"); Verbos pessoais (Existir: "existem problemas", Bastar: "bastam minutos", Faltar, sobrar, interessar); Verbos impessoais (Haver (existir): sempre singular); Sujeito composto (Verbo no plural, Ex.: "expectativas... fazem parte")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: o verbo "faz" está no singular, mas o sujeito é composto: "As expectativas de morar numa praia e de não viver apenas para o trabalho" (plural). O correto seria "fazem parte". A banca tenta confundir com o núcleo "expectativas" (plural) e o adjunto "de morar numa praia..." que não altera a concordância. Tipo de erro: contradiz a regra de concordância com sujeito composto.
Alternativa B — ✅ Correta
Correta. O verbo "voltaram" concorda com o sujeito posposto "lembranças da própria juventude" (plural). A inversão "voltaram à mente do terapeuta lembranças" não muda a concordância: o núcleo é "lembranças", portanto o verbo fica na 3ª pessoa do plural. Regra aplicada: sujeito posposto não altera a concordância; o verbo concorda com o núcleo do sujeito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: o verbo "interessa" está no singular, mas o sujeito é composto: "os sonhos e as aspirações dos filhos" (plural). O correto seria "interessam". A frase "não interessa a alguns pais os sonhos e as aspirações" tem sujeito posposto e plural; o verbo deve concordar com ele. Tipo de erro: contradiz a concordância com sujeito composto posposto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: o verbo "existia" está no singular, mas o sujeito é "problemas com o filho" (plural). O correto seria "existiam". O verbo "existir" é pessoal e concorda com o sujeito; não é impessoal como "haver". A banca explora a confusão entre "existir" e "haver" — este sim impessoal e invariável. Tipo de erro: trata verbo pessoal como impessoal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: o verbo "bastou" está no singular, mas o sujeito é "alguns minutos" (plural). O correto seria "bastaram". O verbo "bastar" é pessoal e concorda com o sujeito; a expressão "alguns minutos" exige o plural. Tipo de erro: flexiona verbo pessoal no singular com sujeito plural.
Conclusão
A alternativa B é a única em que o verbo concorda corretamente com o sujeito, mesmo estando posposto. As demais erram por não identificar o núcleo do sujeito ou por confundir verbos pessoais com impessoais. Regra de ouro: sempre localize o sujeito (mesmo depois do verbo) e verifique se o verbo é pessoal ou impessoal. Verbos como "existir", "bastar", "faltar" são pessoais; "haver" no sentido de existir é impessoal.