Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
- Código
- vu184910
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref SP
- Ano
- 2023
- Cargo
- AFTM SP

- Aaborrecimento.
- Bdescontentamento.
- Cperplexidade.
- Dentretenimento.
- Eparcimônia.

GabaritoD — entretenimento.
Gabarito: letra D. Na charge, a expressão "mas me divertindo" prioriza a ideia de entretenimento, pois o conectivo "mas" — conjunção coordenativa adversativa — introduz uma quebra de expectativa que desloca o foco para a segunda parte da oração, tornando-a a informação mais relevante. A passagem que ancora essa leitura é a própria fala do personagem, que contrapõe uma situação negativa a um aspecto positivo, e o "mas" sinaliza que o que vem depois é o que importa.
O enunciado pergunta qual ideia é priorizada pela informação "mas me divertindo". Isso é uma questão de compreensão — não de inferência —, pois a resposta está diretamente no texto, na relação estabelecida pelo conectivo. A banca quer que o candidato perceba o efeito de sentido do "mas": ele não apenas liga duas ideias, mas inverte a hierarquia entre elas, fazendo com que a segunda seja o foco.
O "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa. Sua função básica é introduzir uma oposição ou ressalva em relação ao que foi dito antes. No entanto, em muitos contextos — como neste —, o "mas" também tem um valor de priorização: ele sinaliza que a informação que vem depois é a mais importante, aquela que o autor quer destacar.
Na charge, a estrutura é algo como: "[situação negativa], mas [situação positiva]". Ao usar o "mas", o personagem relativiza a primeira parte e enfatiza a segunda. É como se dissesse: "apesar de X, o que importa é Y". O "mas" funciona como um operador argumentativo que orienta o leitor para a conclusão de que a segunda ideia é a que deve ser levada em conta.
"mas me divertindo"
O trecho citado é a chave: o "mas" contrapõe a ideia anterior (que não temos na íntegra, mas que é claramente negativa — algo como "não estou trabalhando" ou "estou numa situação ruim") e introduz a ideia de diversão, de entretenimento. A priorização recai exatamente sobre essa segunda parte.
Para resolver questões assim, pergunte: qual parte o conectivo destaca? Conectivos adversativos como "mas", "porém", "contudo" têm a função de quebrar a expectativa criada pela primeira oração. A informação nova, introduzida após o "mas", é a que o autor considera mais relevante — é o foco informacional do enunciado. Por isso, a ideia priorizada é a de entretenimento, e não a de aborrecimento ou descontentamento.
Aborrecimento é o oposto do que o "mas" prioriza. O conectivo introduz uma ideia positiva (diversão), que contrasta com a negativa anterior. Se o texto quisesse priorizar o aborrecimento, usaria uma estrutura como "me divertindo, mas aborrecido" — o que não ocorre. A alternativa contradiz o efeito do conectivo.
Descontentamento também é uma ideia negativa, incompatível com a priorização da diversão. O "mas" não reforça a insatisfação; ele a supera com a ideia de entretenimento. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto um sentimento que não é o foco.
Perplexidade (espanto, surpresa) não é uma ideia presente na charge. O "mas" não expressa surpresa, mas oposição e priorização. A alternativa tangencia o tema, pois fala de um sentimento que não está no texto.
Entretenimento é exatamente o que "me divertindo" expressa. O "mas" destaca essa ideia como a mais relevante, priorizando-a. A passagem "mas me divertindo" é a prova: o conectivo introduz a diversão como o ponto central da fala. A alternativa é uma paráfrase fiel do sentido do trecho.
Parcimônia (moderação, economia) não tem relação com o texto. A charge não trata de contenção ou prudência, mas de diversão. A alternativa extrapola completamente, trazendo um conceito que não está no texto.
A banca explora a inversão de hierarquia promovida pelo "mas": o candidato pode achar que a primeira parte (negativa) é o foco, quando o conectivo destaca a segunda (positiva). Fique atento: em "X, mas Y", o Y é o que importa.
Ao ver "mas", "porém", "contudo", pergunte: "qual ideia o autor quer que eu leve em conta?" A resposta é sempre a que vem depois do conectivo.
Gabarito: letra D — a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto, que prioriza a ideia de entretenimento por meio do conectivo "mas".
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