Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184926
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararapes
Ano
2023
Cargo
Prof (Guararapes)
Antigamente vivi a natureza como um martírio. Ela é impiedosa, congela, queima, e você queima ou congela junto. Os verões chamuscantes, quentes, a sede na garganta, o pó da terra, você não consegue se defender. O corpo não é feito para isso, ele dói e se cansa. Não somos uma pedra ou uma árvore. O material que nos compõe não resiste à natureza. Todo trabalho no campo originava uma tristeza que eu não queria ter, pois ela custava ainda mais força. Mas ela vinha, era contra mim e não me deixava em paz. Ali estava uma tristeza tão infundada, tão estúpida, como se ela estivesse sempre lá no campo ou no vale esperando por mim. Achava a natureza hostil. Também no inverno. Mais tarde, então, soube que fenômenos naturais eram empregados para maltratar pessoas, nas prisões, nos campos forçados. O círculo polar e os desertos, o gelo e o calor podem matar e ser usados como instrumentos de tortura para destruir as pessoas. Sempre me lembrei disso e, também mais tarde, na cidade, não conseguia entender que pessoas se pusessem sobre uma montanha, olhassem com os olhos e os dedos dos pés para o vale e fossem felizes. Como elas conseguem?
(Herta Müller. Minha pátria era um caroço de maçã, 2019. Adaptado)
É correto afirmar que, para a autora,
Aeram especialmente ruins os dias de inverno, pois no verão eram menores os desconfortos físicos.
Bo campo, por estar afastado da cidade, era um lugar em que se passava fome e outras privações.
Co corpo humano não está preparado para resistir a certas condições impostas pela natureza.
Das pessoas mentiam ao dizer que as intempéries eram empregadas por alguns como meio de tortura.
Eé mais intensa e incontrolável a tristeza da vida adulta do que aquela que sentia na infância.
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GabaritoC — o corpo humano não está preparado para resistir a certas condições impostas pela natureza.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A fragilidade do corpo diante da natureza
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto, pois parafraseia uma afirmação explícita da autora: o corpo humano não é feito para resistir às intempéries. Como se lê no texto: "O corpo não é feito para isso, ele dói e se cansa. Não somos uma pedra ou uma árvore. O material que nos compõe não resiste à natureza." Essa passagem autoriza diretamente a ideia de que o corpo não está preparado para certas condições impostas pela natureza.
O comando pede que você identifique o que é correto afirmar sobre a autora — ou seja, uma questão de compreensão, não de inferência. A resposta deve ser uma paráfrase fiel de algo que está escrito, sem acrescentar informações de fora. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que ele diz, ou tangenciam o tema.
O texto narra a relação da autora com a natureza: ela a via como um martírio, pois o calor, o frio e o trabalho no campo causavam sofrimento físico. A tese central é a hostilidade da natureza e a fragilidade do corpo humano diante dela. A passagem-chave é a que afirma que o corpo não resiste à natureza — é exatamente isso que a alternativa C reproduz.
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?". Se a alternativa exige acrescentar algo que não está escrito (como fome no campo ou comparação entre infância e vida adulta), ela está errada. A correta é a que apenas reescreve o que o texto diz, sem tirar nem pôr.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "eram especialmente ruins os dias de inverno, pois no verão eram menores os desconfortos físicos". O texto não faz essa comparação. A autora menciona tanto o verão quanto o inverno como estações hostis, mas não diz que uma é pior que a outra. Veja: "Os verões chamuscantes, quentes, a sede na garganta, o pó da terra, você não consegue se defender" e "Também no inverno". A alternativa restringe o alcance do texto ao afirmar que o inverno era especialmente ruim, quando o texto trata ambos como igualmente difíceis. Erro: generalização indevida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "o campo, por estar afastado da cidade, era um lugar em que se passava fome e outras privações". O texto menciona o trabalho no campo e a tristeza que ele causava, mas não menciona fome nem faz qualquer comparação com a cidade. A autora diz: "Todo trabalho no campo originava uma tristeza que eu não queria ter" — mas isso é sobre tristeza, não sobre fome. A alternativa extrapola o texto, acrescentando uma informação que não está nele. Erro: extrapolação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "o corpo humano não está preparado para resistir a certas condições impostas pela natureza". Isso é uma paráfrase direta do texto: "O corpo não é feito para isso, ele dói e se cansa. Não somos uma pedra ou uma árvore. O material que nos compõe não resiste à natureza." A autora diz explicitamente que o corpo não é feito para resistir à natureza, que ele dói e se cansa. A alternativa reproduz exatamente essa ideia, sem acrescentar nada. É a única que está inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "as pessoas mentiam ao dizer que as intempéries eram empregadas por alguns como meio de tortura". O texto diz o contrário: a autora afirma que "fenômenos naturais eram empregados para maltratar pessoas, nas prisões, nos campos forçados" e que "o gelo e o calor podem matar e ser usados como instrumentos de tortura". Ou seja, o texto confirma que as intempéries eram usadas como tortura, não que as pessoas mentiam. A alternativa contradiz o texto. Erro: contradiz_texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "é mais intensa e incontrolável a tristeza da vida adulta do que aquela que sentia na infância". O texto fala da tristeza que a autora sentia no campo, mas não faz comparação entre infância e vida adulta. A autora diz: "Ali estava uma tristeza tão infundada, tão estúpida, como se ela estivesse sempre lá no campo ou no vale esperando por mim" — mas não diz que a tristeza da vida adulta é maior. A alternativa extrapola o texto, criando uma comparação que não existe. Erro: extrapolação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de projetar no texto informações do mundo real (fome no campo, comparação entre infância e vida adulta) e de inverter o sentido com troca de vocábulo (mentiam). A correta é a única que apenas reescreve o que está escrito.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que acrescentam detalhes (fome, comparações) ou que invertem o sentido (mentiam). A resposta certa é sempre uma paráfrase fiel.