Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2023
- Código
- vu184933
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- PM SP
- Ano
- 2023
- Cargo
- Alun Of ( )

- Aeufemismo.
- Bparadoxo.
- Cpleonasmo.
- Dantítese.
- Ehipérbole.

GabaritoB — paradoxo.
A alternativa correta é a B, pois a imagem explora a coexistência de elementos opostos que se anulam logicamente, mas que juntos produzem o efeito de humor e crítica.
A questão pede que você reconheça a figura de linguagem que sustenta o sentido da charge. Isso é diferente de interpretar o conteúdo: aqui, o foco está no recurso estilístico — a ferramenta que o cartunista usa para construir a mensagem. Em provas, esse tipo de questão exige que você diferencie as figuras pelo mecanismo que as define, não apenas pelo tema.
A charge é um gênero que combina linguagem verbal e não verbal para criticar algo. No caso, a imagem apresenta uma situação em que dois elementos se contradizem — por exemplo, um personagem que afirma uma coisa e faz outra, ou uma cena em que o discurso e a prática se opõem. O efeito cômico e crítico nasce exatamente dessa contradição interna, que é a marca do paradoxo.
A pegadinha central está na confusão entre paradoxo e antítese. Veja a diferença:
Critério | Antítese | Paradoxo |
|---|---|---|
Definição | Oposição de palavras ou ideias | Contradição lógica aparentemente absurda |
Exemplo | "O amor e o ódio caminham juntos" | "Vivo sem viver em mim" |
Efeito | Reforça um ponto de vista pela oposição | Surpreende pela impossibilidade lógica |
Na charge, não há apenas palavras opostas (antítese); há uma situação contraditória que desafia a lógica — por isso, paradoxo. A antítese seria se o cartunista colocasse, por exemplo, "paz" e "guerra" lado a lado; o paradoxo ocorre quando a própria cena é impossível ou contraditória em si.
A banca explora a confusão entre antítese e paradoxo. Na charge, a oposição é aparente e se resolve em uma contradição lógica — típica do paradoxo, não da antítese.
Eufemismo é a suavização de uma ideia desagradável (ex.: "partiu" por "morreu"). A charge não suaviza nada; ela acentua a contradição. Erro: troca de conceito — confunde o recurso de atenuação com o de contradição.
Paradoxo é a figura que une ideias contraditórias em uma expressão que parece absurda, mas que, no contexto, revela uma verdade. Na charge, a cena apresenta uma contradição interna — por exemplo, um personagem que age contra o que diz, ou uma situação em que o discurso e a prática se opõem. Essa coexistência de opostos em um mesmo ato é a essência do paradoxo.
Pleonasmo é a repetição de ideias (ex.: "subir para cima"). A charge não repete nada; ela contradiz. Erro: troca de conceito — confunde repetição com contradição.
Antítese é a oposição de palavras ou ideias (ex.: "o amor e o ódio"). Na charge, a oposição não está em termos isolados, mas em uma situação contraditória — por isso, o recurso é o paradoxo, não a antítese. Erro: troca de conceito — confunde oposição de termos com contradição lógica.
Hipérbole é o exagero intencional (ex.: "morreu de rir"). A charge não exagera; ela contradiz. Erro: troca de conceito — confunde exagero com contradição.
A charge constrói seu sentido pela contradição interna — um elemento que se anula logicamente, mas que, no contexto, revela uma crítica. Isso é paradoxo, não antítese, eufemismo, pleonasmo ou hipérbole. Gabarito: letra B.
Para diferenciar paradoxo de antítese, pergunte: há palavras opostas (antítese) ou uma situação impossível (paradoxo)? Na charge, a impossibilidade lógica é a chave.
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