Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184967
Banca
VUNESP
Órgão
CM SJC
Ano
2023
Cargo
TLE ( )
Por trás dos cartazes amarelos de supermercados, onipresentes em centros urbanos, há um profissional quase invisível: o cartazista.
Nos estudos sobre design gráfico, o trabalho dos cartazistas de supermercado se encontra na área de pesquisas da tipografia vernacular, definida por Marcus Dohmann, professor de design da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como “uma forma de expressão gráfica que consiste na produção de letras e caracteres, em geral para peças de comunicação como cartazes, muros e fachadas e que tem como características principais os aspectos culturais e a informalidade técnica na confecção das letras”.
O trabalho dos cartazistas de supermercado não segue o rigor acadêmico e aquilo que são consideradas como as melhores práticas para a construção gráfica de um texto escrito. A preocupação da tipografia vernacular é apenas comunicar uma mensagem, da forma que for possível. “Um dos pontos principais dessa forma de design é a falta de regras formais em sua concepção e confecção”, diz um artigo publicado em 2019.
Na visão de Fátima Finizola, doutora em design gráfico, os cartazes de supermercado – que surgiram na primeira metade do século 20 – formam uma base de uma identidade autenticamente brasileira e que acabou sendo ofuscada pela homogeneização dos processos de criação por empresas cada vez maiores, tornando esse trabalho desconhecido, apesar de extensamente difundido.
O cartazista paulista Breno Almeida diz que há uma série de aspectos que precisam ser levados em conta na hora de produzir um cartaz e que não se trata somente de letras escritas livremente.
Almeida acredita que as pessoas se interessaram pelo conteúdo justamente por ser um ofício abundante nos centros urbanos, mas de cuja autoria a maioria da população não tem conhecimento. Ele conta que a demanda por seus serviços aumentou com a exposição. Durante o período mais rigoroso do isolamento social da pandemia da covid-19, o trabalho de cartazistas de supermercado se tornou sucesso nas redes.
(Cesar Gaglioni. O design tipicamente brasileiro dos cartazistas de supermercados. www.nexojornal.com.br, 25.09.2023. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. Assinale a alternativa em que há trecho do texto reescrito em conformidade com o sentido original e a norma-padrão.
AMesmo tendo como única inquietação transmitir uma informação, a tipografia vernacular assume as formas que estão a seu dispor.
BComo grande parte da população desconhece as pessoas por trás dos cartazes de supermercado, esse trabalho é comum nos centros urbanos.
CA tipografia vernacular segue padrões próprios do meio acadêmico, mas estes não respeitam um rigor estético e mais formalizado.
DDevido ao fato de estarem atrás dos cartazes amarelos de supermercados, seus criadores acabam sendo invisibilizados pela sociedade.
ENão obstante a vasta disseminação do trabalho de confecção dos cartazes de supermercado, os seus autores estão no anonimato.
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GabaritoE — Não obstante a vasta disseminação do trabalho de confecção dos cartazes de supermercado, os seus autores estão no anonimato.
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Reescritura de trecho: sentido original e norma-padrão
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que reescreve um trecho do texto preservando integralmente o sentido original e obedecendo à norma-padrão. Ela parafraseia a passagem do 4º parágrafo em que se afirma que o trabalho dos cartazistas é "extensamente difundido", mas "desconhecido", trocando os termos por sinônimos equivalentes: "vasta disseminação" e "anonimato". As demais alternativas ou invertem relações de causa e consequência, ou contradizem o texto, ou acrescentam informações que não estão nele.
O comando da questão
O enunciado pede que se assinale a alternativa em que há um trecho do texto reescrito em conformidade com o sentido original e a norma-padrão. Isso significa que a tarefa é de reescritura/paráfrase: a alternativa deve manter o mesmo conteúdo proposicional do trecho original, apenas com outras palavras, e deve estar gramaticalmente correta. Não se trata de interpretar ou inferir, mas de reconhecer uma reescritura fiel — nem mais, nem menos do que o texto diz.
O texto e o movimento argumentativo relevante
O texto apresenta o cartazista de supermercado como um profissional "quase invisível" (1º parágrafo), explica o que é a tipografia vernacular (2º parágrafo), destaca sua falta de rigor acadêmico (3º parágrafo) e, no 4º parágrafo, traz a fala de Fátima Finizola, que é a base da alternativa correta:
"formam uma base de uma identidade autenticamente brasileira e que acabou sendo ofuscada pela homogeneização dos processos de criação por empresas cada vez maiores, tornando esse trabalho desconhecido, apesar de extensamente difundido."
A relação estabelecida é de oposição/concessão: o trabalho é muito difundido (espalhado, comum), mas, ainda assim, é desconhecido (as pessoas não sabem quem o faz). A alternativa E captura exatamente essa relação com o conectivo "não obstante" (que equivale a "apesar de") e os sinônimos "vasta disseminação" e "anonimato".
A técnica que decide: paráfrase com conectivo de valor equivalente
Para resolver, é preciso testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta relação lógica? A alternativa correta deve manter o mesmo conector lógico (no caso, a concessão) e os mesmos referentes. As erradas cometem erros típicos do catálogo:
Inverter causa e consequência (alternativas A, B e D): o texto não diz que a invisibilidade é causa da difusão, nem que a difusão é causa do desconhecimento — são fatos simultâneos, ligados por oposição.
Contradizer o texto (alternativa C): o texto afirma que a tipografia vernacular não segue o rigor acadêmico; a alternativa diz o oposto.
Extrapolar (alternativa D): o texto não diz que os criadores são invisibilizados porque estão atrás dos cartazes; essa é uma relação de causa que não está no texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"A preocupação da tipografia vernacular é apenas comunicar uma mensagem, da forma que for possível."
A alternativa diz: "Mesmo tendo como única inquietação transmitir uma informação, a tipografia vernacular assume as formas que estão a seu dispor." O problema está na relação de concessão introduzida por "mesmo tendo". No texto, a falta de regras formais é uma característica da tipografia vernacular, não uma ressalva que se opõe a algo. A alternativa inverte a lógica: o texto não diz que, apesar de querer comunicar, ela assume formas; diz que, porque quer comunicar, ela não segue regras. Há também uma troca de sentido: "da forma que for possível" (improviso, sem rigor) não é o mesmo que "as formas que estão a seu dispor" (formas disponíveis). Erro: contradiz a relação lógica do texto e troca o sentido de uma expressão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz: "Como grande parte da população desconhece as pessoas por trás dos cartazes de supermercado, esse trabalho é comum nos centros urbanos." O texto, no 6º parágrafo, diz que Almeida "acredita que as pessoas se interessaram pelo conteúdo justamente por ser um ofício abundante nos centros urbanos, mas de cuja autoria a maioria da população não tem conhecimento". A alternativa inverte a relação de causa e consequência: no texto, o trabalho é abundante (causa do interesse), e a autoria é desconhecida (fato paralelo). Na alternativa, o desconhecimento é apresentado como causa da abundância — o que não está no texto. Erro: inverte a relação causal e restringe o alcance ("grande parte" em vez de "a maioria").
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa diz: "A tipografia vernacular segue padrões próprios do meio acadêmico, mas estes não respeitam um rigor estético e mais formalizado." O texto afirma exatamente o oposto: "O trabalho dos cartazistas de supermercado não segue o rigor acadêmico e aquilo que são consideradas como as melhores práticas para a construção gráfica de um texto escrito." A alternativa contradiz frontalmente o texto ao afirmar que ela segue padrões acadêmicos. Além disso, a expressão "rigor estético e mais formalizado" não encontra respaldo no texto, que fala em "rigor acadêmico" e "melhores práticas". Erro: contradiz o texto e troca termos essenciais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa diz: "Devido ao fato de estarem atrás dos cartazes amarelos de supermercados, seus criadores acabam sendo invisibilizados pela sociedade." O texto, no 1º parágrafo, diz que "há um profissional quase invisível: o cartazista" — mas não estabelece uma relação de causa entre estar atrás dos cartazes e ser invisível. A invisibilidade é apresentada como uma característica do profissional, não como consequência de sua posição física. A alternativa extrapola ao criar uma relação causal que o texto não autoriza. Erro: extrapolação — acrescenta uma relação de causa e consequência que não está no texto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa diz: "Não obstante a vasta disseminação do trabalho de confecção dos cartazes de supermercado, os seus autores estão no anonimato." Isso é uma paráfrase fiel do trecho do 4º parágrafo:
"tornando esse trabalho desconhecido, apesar de extensamente difundido"
A correspondência é perfeita:
Trecho original
Reescritura (E)
"apesar de"
"não obstante" (conectivo concessivo equivalente)
"extensamente difundido"
"vasta disseminação" (sinônimos)
"desconhecido"
"no anonimato" (sinônimo)
"esse trabalho"
"o trabalho de confecção dos cartazes" (retomada explícita)
A relação de oposição/concessão é mantida: o trabalho é muito difundido, mas os autores são desconhecidos. A norma-padrão é respeitada: "não obstante" rege a ideia de concessão, e a estrutura da frase está correta. É a única alternativa que preserva o sentido original sem acrescentar, suprimir ou inverter nada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de relações lógicas (causa × consequência) e a contradição com o texto. A alternativa E é a única que mantém a relação de oposição original, usando o conectivo "não obstante" como equivalente exato de "apesar de".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescritura, sublinhe o conectivo do trecho original e verifique se a alternativa o mantém com valor equivalente. Se a alternativa trocar "apesar de" por "porque" ou "devido a", a relação lógica mudou — e a alternativa está errada.
Gabarito: letra E — a única reescritura que preserva o sentido original (oposição entre difusão e anonimato) e a norma-padrão.