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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184969
Banca
VUNESP
Órgão
CM SJC
Ano
2023
Cargo
TLE ( )

Em 1901, o médico alemão Alois Alzheimer começou a tratar, no asilo da cidade de Frankfurt, uma senhora de 51 anos chamada Auguste, que apresentava estranhos distúrbios do comportamento e perda da memória. O dr. Alzheimer, tendo se interessado pelo caso, acompanhou a paciente por cinco anos. Quando ela faleceu o médico procedeu à autópsia e encontrou nas células cerebrais da paciente lesões que nunca tinham sido descritas antes, inclusive as agora famosas placas amiloides. A partir daí, o nome de Alzheimer se associou a uma doença que preocupa muito e que hoje se configura como verdadeiro problema de saúde pública.

 

Pergunta: por que ninguém tinha descrito essa doença antes? Em parte, porque Alzheimer utilizou técnicas relativamente novas. Mas também é possível que a enfermidade não fosse tão frequente. As pessoas raramente chegavam a idades avançadas. E também o modo de vida era outro. É sobre esse modo de vida que vale a pena falar. O que evita o Alzheimer? Por causa da frequência com que a doença ocorre, e por causa das penosas limitações que representa, numerosas pesquisas têm sido feitas nesse sentido. Medicamentos e também vacinas estão em estudo. Mas, e isso é importante, a maneira como se vive influencia no surgimento e na marcha do Alzheimer. Comprovam-no as medidas que protegem contra a doença: um estilo de vida saudável protege nosso cérebro e nosso organismo em geral. As placas amiloides nada mais são do que a marca registrada de uma forma de viver inadequada. Devemos ser gratos ao dr. Alzheimer e à sua paciente de Frankfurt por terem aberto o caminho para que cheguemos a uma verdade, ao fim e ao cabo, absolutamente lógica.

 

(Moacyr Scliar. Alzheimer e estilo de vida. Companhia das Letras, 2013. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     O autor do texto considera que as investigações de Alois Alzheimer foram importantes porque
  1. Apermitiram nomear as lesões, que até então não tinham nome, batizadas de placas amiloides.
  2. Bcontaram com a sua perícia inovadora e com fatores que dele independiam, mas que lhe foram favoráveis.
  3. Cderam aos pacientes maior longevidade, o que permitiu uma maior ocorrência da doença para ser estudada.
  4. Dse focaram na observação dos hábitos que contribuíam para o surgimento dos sintomas desencadeadores da doença.
  5. Edeterminaram aquilo que as pessoas devem evitar ou adotar em suas vidas, de modo a não desenvolverem a doença.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — contaram com a sua perícia inovadora e com fatores que dele independiam, mas que lhe foram favoráveis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A importância das investigações de Alzheimer: perícia e fatores favoráveis

Gabarito: letra B. O autor considera as investigações importantes porque elas contaram com a perícia inovadora de Alzheimer e com fatores que independiam dele, mas que lhe foram favoráveis — exatamente o que o texto afirma ao explicar por que ninguém havia descrito a doença antes: "Em parte, porque Alzheimer utilizou técnicas relativamente novas. Mas também é possível que a enfermidade não fosse tão frequente. As pessoas raramente chegavam a idades avançadas. E também o modo de vida era outro." Ou seja, a importância se deve a uma combinação de mérito do médico (técnicas novas) e de circunstâncias externas (maior frequência da doença, longevidade, estilo de vida).

O comando: o que a questão pede

O enunciado pergunta "O autor do texto considera que as investigações de Alois Alzheimer foram importantes porque". Trata-se de uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, bastando localizar a passagem que explica o porquê da importância e reconhecê-la em uma paráfrase. Não é preciso inferir nada além do que está escrito — e qualquer alternativa que acrescente informação de fora ou que restrinja o alcance do texto deve ser descartada.

O texto: onde mora a resposta

O primeiro parágrafo narra o caso de Auguste e a descoberta das lesões. O segundo parágrafo é o coração da questão: o autor se pergunta por que ninguém havia descrito a doença antes e responde com duas causas — uma ligada ao médico, outra ligada ao contexto. Veja o trecho decisivo:

"Em parte, porque Alzheimer utilizou técnicas relativamente novas. Mas também é possível que a enfermidade não fosse tão frequente. As pessoas raramente chegavam a idades avançadas. E também o modo de vida era outro."

A conjunção "mas também" marca a soma de duas explicações: (1) a perícia inovadora de Alzheimer (técnicas novas) e (2) fatores que independiam dele (a doença ser mais frequente, as pessoas viverem mais, o modo de vida diferente). A alternativa B captura exatamente essa dupla causa: "contaram com a sua perícia inovadora e com fatores que dele independiam, mas que lhe foram favoráveis".

A técnica: como testar cada alternativa

A armadilha central desta questão é a extrapolação e a restrição indevida. Várias alternativas usam palavras do texto, mas mudam o alcance ou acrescentam ideias que não estão lá. O método é simples: para cada alternativa, pergunte "o texto autoriza isto?" e confronte com a passagem citada. A correta é a única que parafraseia fielmente o trecho, sem acrescentar nem suprimir nada.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto / troca de vocábulo. O texto diz que Alzheimer "encontrou nas células cerebrais da paciente lesões que nunca tinham sido descritas antes, inclusive as agora famosas placas amiloides". Ou seja, as lesões já tinham nome (placas amiloides) — o que faltava era a descrição. A alternativa diz que as investigações "permitiram nomear as lesões, que até então não tinham nome", o que inverte a informação: o texto não afirma que elas não tinham nome, e sim que não tinham sido descritas. Além disso, a importância não se resume a isso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel do texto. Como vimos, o autor explica a importância das investigações por dois motivos: a perícia inovadora ("Alzheimer utilizou técnicas relativamente novas") e fatores que independiam dele ("a enfermidade não fosse tão frequente", "as pessoas raramente chegavam a idades avançadas", "o modo de vida era outro"). A alternativa B resume exatamente isso: "contaram com a sua perícia inovadora e com fatores que dele independiam, mas que lhe foram favoráveis". Não há acréscimo nem supressão — é a reescritura equivalente da ideia central.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação / inverte causa e consequência. O texto diz que "as pessoas raramente chegavam a idades avançadas" como um dos fatores que explicam por que a doença não era descrita antes. A alternativa afirma que as investigações "deram aos pacientes maior longevidade, o que permitiu uma maior ocorrência da doença para ser estudada". Isso inverte a relação: não foram as investigações que aumentaram a longevidade; a longevidade (ou a falta dela) era uma condição anterior que influenciava a frequência da doença. Além disso, o texto não diz que as investigações deram longevidade a ninguém.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação / fuga ao tema. O texto menciona que "a maneira como se vive influencia no surgimento e na marcha do Alzheimer" e que "um estilo de vida saudável protege nosso cérebro". No entanto, isso é uma conclusão posterior do autor, não o motivo pelo qual as investigações de Alzheimer foram importantes. A alternativa diz que as investigações "se focaram na observação dos hábitos que contribuíam para o surgimento dos sintomas" — mas o texto não diz que Alzheimer focou nisso; ele apenas descreve a descoberta das lesões. É uma extrapolação que mistura a tese do autor com o relato histórico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação / restrição indevida. O texto afirma que "um estilo de vida saudável protege nosso cérebro" e que as placas amiloides são "a marca registrada de uma forma de viver inadequada". Mas isso é uma recomendação geral do autor, não o resultado direto das investigações de Alzheimer. A alternativa diz que as investigações "determinaram aquilo que as pessoas devem evitar ou adotar em suas vidas" — o texto não diz que as investigações determinaram isso; o autor apenas sugere que o estilo de vida influencia. Além disso, a palavra "determinaram" é forte demais e não encontra respaldo no texto.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de localizar a causa que o autor atribui à importância das investigações. A alternativa B é a única que parafraseia o trecho do segundo parágrafo, que menciona tanto a perícia inovadora quanto os fatores externos favoráveis. As demais ou invertem a relação de causa (C), ou extrapolam para além do texto (D, E), ou contradizem o que está escrito (A).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que responde diretamente ao enunciado. Aqui, a pergunta "por que ninguém tinha descrito essa doença antes?" já aponta o trecho que contém a resposta. Depois, teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?".

Gabarito: letra B

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