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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184990
Banca
VUNESP
Órgão
PC SP
Ano
2023
Cargo
Med Leg ( )

Restam outros sistemas fora

do solar a colonizar.

Ao acabarem todos

só resta ao homem

(estará equipado?)

a dificílima dangerosíssima1 viagem

de si a si mesmo:

pôr o pé no chão

do seu coração

experimentar

colonizar

civilizar

humanizar

o homem

descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas

a perene, insuspeitada alegria

de conviver.

 

(Carlos Drummond de Andrade. Poesia e Prosa.

Rio de Janeiro: Ed. Aguilar, 1992)

 

1dangerosíssima: do inglês “danger”, que significa “perigo”.

Leia o trecho de um poema de Drummond para responder à questão.

   

A partir da leitura do poema, é correto afirmar que o eu-lírico

  1. Ajustifica a falta de descoberta de outras galáxias pelo homem devido ao fato de que essas são viagens muito perigosas de serem realizadas.
  2. Bafirma que a descoberta de novas galáxias pelo homem poderá livrá-lo das dificuldades no nosso planeta e ajudá-lo a criar um mundo melhor.
  3. Cnega a possibilidade de que o homem possa habitar outros sistemas além do sistema solar, pois ele é um ser que estará para sempre ligado à Terra.
  4. Dcompara a viagem ao mundo interior a uma expedição para fora do sistema solar por ambas terem como objetivo a busca do exílio.
  5. Econsidera que o ser humano deve explorar sua interioridade para ser capaz de viver melhor em companhia de outras pessoas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — considera que o ser humano deve explorar sua interioridade para ser capaz de viver melhor em companhia de outras pessoas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação do poema de Drummond: a viagem interior

Gabarito: letra E. O eu-lírico considera que o ser humano deve explorar sua interioridade para ser capaz de viver melhor em companhia de outras pessoas. Essa é a única alternativa inteiramente sustentada pelo poema, que propõe a "viagem de si a si mesmo" como caminho para "descobrir" a "perene, insuspeitada alegria de conviver".

O comando pede uma interpretação do poema: "a partir da leitura do poema, é correto afirmar que o eu-lírico". Isso significa que a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução ancorada em pistas do texto. O poema parte de uma constatação (há outros sistemas a colonizar) para chegar a uma proposta: quando acabarem todos, resta ao homem a viagem interior. O movimento é de interiorização: em vez de colonizar o espaço sideral, o homem deve "colonizar, civilizar, humanizar" a si mesmo, descobrindo em suas próprias entranhas a alegria de conviver.

A técnica que decide esta questão é a inferência legítima: a alternativa correta deve ser uma paráfrase da ideia central, sem acrescentar informações de fora. As distratoras, em sua maioria, extrapolam — atribuem ao poema intenções que ele não declara, como justificar a falta de descoberta de galáxias ou negar a possibilidade de habitar outros sistemas. O poema não faz nenhuma dessas afirmações; ele apenas usa a ideia de colonizar outros sistemas como ponto de partida metafórico para falar da colonização interior.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas que parecem plausíveis porque usam palavras do poema ("perigosas", "galáxias", "sistema solar"), mas acrescentam causas, negações ou comparações que o texto não autoriza. A correta é a única que se limita a reescrever a tese central.

Interpretação de poema
  • 1Tese central
    • Viagem interior (de si a si mesmo)
    • Descobrir alegria de conviver
  • 2Técnica: inferência legítima
    • Paráfrase da ideia central
    • Extrapolação (acrescenta de fora)
  • 3Pegadinha da banca
    • Usa palavras do poema
    • Inverte referente ou sentido
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O poema diz que a viagem de si a si mesmo é "dificílima dangerosíssima", mas não afirma que a falta de descoberta de outras galáxias se deve ao perigo dessas viagens. O texto não menciona "falta de descoberta" nem atribui causa a ela. A palavra "perigosa" refere-se à viagem interior, não à viagem espacial. A alternativa inverte o referente e cria uma justificativa que não existe no poema.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O poema não diz que a descoberta de novas galáxias livrará o homem das dificuldades do planeta nem que ajudará a criar um mundo melhor. Essa é uma ideia de fora do texto, um clichê sobre exploração espacial. O poema, ao contrário, sugere que a solução não está em colonizar outros sistemas, mas em colonizar a si mesmo. A alternativa tangencia o tema ao falar de "mundo melhor", que não aparece no poema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O poema não nega a possibilidade de habitar outros sistemas; ele apenas diz que, quando acabarem todos, resta a viagem interior. A expressão "estará equipado?" entre parênteses sugere dúvida, não negação. A alternativa afirma que o homem "estará para sempre ligado à Terra", o que é uma conclusão que o texto não sustenta. O poema não discute a ligação do homem com a Terra; ele propõe uma nova direção: a interioridade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O poema compara a viagem interior a uma expedição para fora do sistema solar, mas não diz que ambas têm como objetivo a busca do exílio. A palavra "exílio" não aparece no texto e inverte o sentido: a viagem interior não é um exílio, mas um encontro consigo mesmo para descobrir a alegria de conviver. A alternativa distorce a metáfora central do poema.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E é a única que parafraseia a tese do poema. Vejamos a passagem decisiva:

"a dificílima dangerosíssima viagem / de si a si mesmo: / pôr o pé no chão / do seu coração / experimentar / colonizar / civilizar / humanizar / o homem / descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas / a perene, insuspeitada alegria / de conviver."

O eu-lírico propõe que o homem explore sua interioridade ("viagem de si a si mesmo", "pôr o pé no chão do seu coração", "descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas") para descobrir a "alegria de conviver" — ou seja, para viver melhor em companhia de outras pessoas. A alternativa E reescreve com outras palavras exatamente essa ideia: explorar a interioridade para ser capaz de viver melhor com os outros. Não acrescenta nada, não suprime nada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação de poema, identifique a tese (a ideia central) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A correta é sempre a que reescreve a tese, não a que a amplia ou distorce.

Gabarito: letra E — a única que se limita a parafrasear a proposta central do poema: a exploração da interioridade como caminho para a convivência.

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