Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu185001
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Taubaté
Ano
2023
Cargo
ASB ( )
A inteligência artificial está realmente
perto de conseguir ler a sua mente
Pense em tudo que passa pela sua cabeça: aquela piada de mau gosto que você sabiamente não contou no jantar, a imitação do novo parceiro da sua melhor amiga que você não mostrou para ninguém. Agora imagine se alguém conseguisse ler seus pensamentos.
Recentemente, cientistas da Universidade do Texas, em Austin, deram mais um passo em direção a isso. Em um estudo publicado na Revista Nature Neuroscience, os pesquisadores descreveram uma inteligência artificial (IA) que poderia traduzir os pensamentos particulares de pessoas analisando imagens feitas com exames de ressonância magnética funcional, que medem o fluxo de sangue para regiões diferentes do cérebro.
Os pesquisadores já desenvolveram métodos de decodificação de linguagem para captar a tentativa de fala de pessoas que perderam essa capacidade e para permitir que pessoas paralisadas de fato escrevam, enquanto estão apenas pensando em colocar suas ideias no papel.
O novo decodificador de linguagem, porém, é um dos primeiros a não depender de implantes físicos no paciente. No estudo, ele foi capaz de transformar a fala imaginada de uma pessoa em uma mensagem de voz de verdade, e, quando eram exibidos filmes sem som para os pacientes, a tecnologia conseguia gerar descrições relativamente precisas do que estava acontecendo na tela.
“Isso não é apenas um estímulo da linguagem”, disse Alexander Huth, neurocientista da Universidade do Texas que ajudou a conduzir a pesquisa. “Estamos insinuando o significado, algo sobre a ideia do que está acontecendo. E o fato de que isso seja possível é muito empolgante”.
Apesar de ser um passo grande para uma possível “leitura de mentes”, esse método de decodificação de linguagem tem limitações, observaram Huth e seus colegas. Para começar, o equipamento para realizar ressonâncias magnéticas funcionais é enorme e caro. Além disso, treinar o modelo é um processo longo e tedioso e, para ser eficaz, deve ser realizado individualmente. Quando os pesquisadores tentaram usar um decodificador treinado com uma pessoa para ler a atividade cerebral de outra, não deu certo, sugerindo que cada cérebro tem sua forma única de representar significados.
(Traduzido do New York Times por Romina Cássia.
Disponível em: estadao.com.br. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. A alternativa que está redigida de acordo com a norma-padrão de emprego do sinal de crase, concordância verbal e nominal é:
AImagine se fossem possíveis à pessoas lerem os pensamentos secretos que alguém tem.
BÉ esperado, nos métodos de decodificação de linguagem, alguma eficácia, ainda à comprovar.
CDescarta-se implantes físicos no paciente com o uso do decodificador, à revelia da vontade dele.
DNão houve resultados positivos com o decodificador em diferentes pessoas que se submeteram à experiência.
ELevados à cabo por pesquisadores do Texas, os estudos tem perspectivas muito promissoras.
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GabaritoD — Não houve resultados positivos com o decodificador em diferentes pessoas que se submeteram à experiência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase, concordância verbal e nominal: a alternativa que respeita a norma-padrão
Gabarito: letra D. A única alternativa inteiramente correta é a D, pois apresenta crase correta em "à experiência" (preposição exigida por "submeter-se" + artigo "a") e concordância verbal adequada em "Não houve resultados" (verbo "haver" impessoal, invariável). As demais alternativas erram em pelo menos um dos três pontos cobrados: crase, concordância verbal ou concordância nominal.
O comando pede que você identifique a alternativa redigida de acordo com a norma-padrão quanto ao emprego do sinal de crase, concordância verbal e nominal. Isso significa que você deve testar cada alternativa em três frentes: (1) a crase está correta? (2) o verbo concorda com o sujeito? (3) os adjetivos/particípios concordam com os substantivos a que se referem? A banca mistura os três tópicos de propósito — uma alternativa pode acertar a crase e errar a concordância, ou vice-versa.
O texto-base fala sobre um decodificador de linguagem que traduz pensamentos por ressonância magnética, mas a questão não depende do conteúdo do texto para ser resolvida: ela cobra apenas a correção gramatical das frases. O texto serve apenas como contexto temático. Portanto, a técnica aqui é puramente gramatical: analisar cada alternativa isoladamente.
A regra central da crase: só ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com pronomes demonstrativos). Para testar, troque o termo feminino por um masculino: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "a o" sem fusão, não há. Por exemplo, "submeter-se à experiência" → "submeter-se ao teste" (aparece "ao", logo crase correta). Já "à pessoas" → "a pessoas" (não aparece "ao", logo crase proibida).
Na concordância verbal, o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito. Cuidado com o verbo "haver" no sentido de "existir": ele é impessoal e fica sempre na 3ª pessoa do singular, mesmo que o objeto seja plural. Exemplo: "houve resultados" (e não "houveram resultados"). Já o verbo "ter" no sentido de "existir" é pessoal e concorda com o sujeito: "os estudos têm perspectivas" (e não "os estudos tem").
Na concordância nominal, adjetivos e particípios concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. Por exemplo, "implantes físicos" (masculino plural) exige o particípio "descartados" no masculino plural, e não "descartada".
Critério
A
B
C
D ✅
E
Crase
❌ "à pessoas" (proibida)
❌ "à comprovar" (antes de verbo)
✅ "à revelia" (locução)
✅ "à experiência" (prep. + artigo)
❌ "à cabo" (palavra masculina)
Concordância verbal
❌ "fossem possíveis" (sujeito oracional)
✅ "É esperado" (concorda com sujeito)
❌ "Descarta-se implantes" (plural)
✅ "houve" (impessoal)
❌ "os estudos tem" (plural)
Concordância nominal
✅ "secretos"
❌ "É esperado" (deveria ser "esperada")
✅ "físicos"
✅ "positivos" / "diferentes"
✅ "Levados" / "promissoras"
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Imagine se fossem possíveis à pessoas lerem os pensamentos secretos que alguém tem."
Erro de crase: "à pessoas" está errado, pois "pessoas" é palavra feminina plural, mas o "a" que a precede é apenas preposição (exigida por "possível a"), sem artigo definido "as". Teste com masculino: "possíveis a homens" (não aparece "ao"), logo crase proibida. O correto seria "possíveis a pessoas".
Erro de concordância verbal: "fossem possíveis" concorda com "pensamentos" (sujeito da oração subordinada), mas a estrutura "fossem possíveis a pessoas lerem" está confusa: o sujeito de "fossem" é a oração "pessoas lerem os pensamentos", que exige o verbo no singular: "fosse possível". A banca troca a concordância com oração subjetiva.
Erro de concordância nominal: "secretos" concorda com "pensamentos" (correto), mas o problema está na crase e na concordância verbal.
Tipo de erro: crase proibida + concordância verbal incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"É esperado, nos métodos de decodificação de linguagem, alguma eficácia, ainda à comprovar."
Erro de concordância nominal: "É esperado" deveria concordar com o sujeito "alguma eficácia" (feminino singular), portanto o correto é "É esperada alguma eficácia". O particípio "esperado" deve concordar com o núcleo do sujeito.
Erro de crase: "à comprovar" está errado, pois antes de verbo no infinitivo a crase é proibida. O correto é "a comprovar" (apenas preposição).
Tipo de erro: concordância nominal incorreta + crase proibida diante de verbo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Descarta-se implantes físicos no paciente com o uso do decodificador, à revelia da vontade dele."
Erro de concordância verbal: "Descarta-se" é voz passiva sintética (partícula apassivadora "se"). O verbo deve concordar com o sujeito paciente "implantes físicos" (plural), portanto o correto é "Descartam-se implantes físicos". A banca usa o singular indevidamente.
Crase correta: "à revelia" é locução adverbial feminina que exige crase (correto).
Tipo de erro: concordância verbal incorreta (voz passiva sintética).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não houve resultados positivos com o decodificador em diferentes pessoas que se submeteram à experiência."
Concordância verbal correta: "houve" é o verbo "haver" no sentido de "existir", impessoal, invariável — fica no singular mesmo com o objeto plural "resultados positivos".
Concordância nominal correta: "positivos" concorda com "resultados" (masculino plural); "diferentes" concorda com "pessoas" (feminino plural).
Crase correta: "à experiência" — o verbo "submeter-se" exige a preposição "a" (submeter-se a algo) e "experiência" admite o artigo "a", formando a fusão "à". Teste com masculino: "submeter-se ao teste" (aparece "ao", logo crase correta).
Tipo de erro: nenhum — alternativa plenamente correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Levados à cabo por pesquisadores do Texas, os estudos tem perspectivas muito promissoras."
Erro de crase: "à cabo" está errado, pois "cabo" é palavra masculina. A locução correta é "a cabo" (sem crase). A banca usa crase diante de palavra masculina, o que é proibido.
Erro de concordância verbal: "os estudos tem" — o verbo "ter" deve concordar com o sujeito plural "os estudos", portanto o correto é "os estudos têm" (com acento circunflexo para marcar o plural).
Concordância nominal correta: "Levados" concorda com "estudos" (masculino plural); "promissoras" concorda com "perspectivas" (feminino plural).
Tipo de erro: crase proibida diante de palavra masculina + concordância verbal incorreta (plural do verbo "ter").
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura crase e concordância em cada alternativa. A pegadinha clássica é o uso de "à" antes de palavra masculina ("à cabo") ou antes de verbo ("à comprovar"), e a concordância com sujeito posposto ("Descarta-se implantes").
PEGA ESSA DICA!
Para testar a crase, troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "a o" sem fusão, não há. Para a concordância, identifique o núcleo do sujeito e verifique se o verbo está na mesma pessoa e número.
Conclusão: a única alternativa que respeita integralmente a norma-padrão é a D, pois acerta a crase em "à experiência", a concordância verbal com o verbo impessoal "houve" e a concordância nominal em "resultados positivos". As demais erram em pelo menos um dos três aspectos.