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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185017
Banca
VUNESP
Órgão
TRF 3
Ano
2023
Cargo
AJ TRF3

Dengue prevista

 

A dengue é uma doença periódica e cíclica: os casos crescem no verão e há picos epidêmicos a cada 4 ou 5 anos. Trata-se, portanto, de enfermidade de atuação previsível.Supõe-se que o poder público se adiantaria com medidas de prevenção e tratamento. Contudo, há décadas os números de casos e mortes só aumentam no Brasil.

 

Entre 2000 e 2010, foram registrados 4,5 milhões de ocorrências e 1.869 óbitos. Na década seguinte, os números saltaram para 9,5 milhões e 5.385, respectivamente. O primeiro semestre deste ano registra 1,4 milhão de casos, ante 1,5 milhão em 2022. A tendência é piorar.

 

Segundo a OMS, urbanização descontrolada e sistema sanitário precário contribuem para o descontrole da moléstia.

 

No Brasil, cerca de 50% da população não tem acesso a redes de esgoto, em grande parte devido à ineficiência estatal, que só agora começa a mudar com o novo marco do setor. E o desmatamento para a construção de moradias irregulares grassa nos grandes centros. A dimensão de áreas verdes derrubadas para esse fim na cidade de São Paulo atingiu, nos primeiros dois meses de 2023, 85 hectares.

 

Neste ano, o município já conta com 11 444 casos de dengue – 3,7% a mais em relação ao mesmo período de 2022. Dez pessoas morreram, o maior número em oito anos, quando houve pico epidêmico.

 

A OMS ressaltou a importância da vacinação. Mas, devido à burocracia, o Brasil protela a distribuição do imunizante japonês Qdenga – já aprovado para venda pela Anvisa – no sistema público de saúde.

 

O combate à dengue deve ser contínuo, não apenas no verão, e em várias frentes complementares (saúde, infraestrutura e moradia). Com o alerta da OMS, espera-se que o poder público, local e federal, se prepare para receber as consequências do fenômeno climático El Niño.

 

(Editorial. Folha de S.Paulo, 27.07.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   O editorial enfatiza que o aumento dos casos de dengue é
  1. Asazonal, dispensando atenção sistemática das instâncias governamentais, uma vez que os picos epidêmicos têm sido satisfatoriamente controlados.
  2. Bdesesperador, aumentando a insegurança da população que se vê acuada nos picos epidêmicos da doença, mesmo com prevenção e tratamento.
  3. Cesperado, configurando um problema de saúde pública que deve ser combatido por meio de frentes complementares orquestradas pelo poder público.
  4. Dimprovável, o que dispensa o poder público de organizar os mecanismos de prevenção, como a vacinação da população com o imunizante japonês Qdenga.
  5. Einsignificante, uma vez que as consequências do El Niño para a população não afetam o sistema de saúde, a infraestrutura e a moradia do país.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — esperado, configurando um problema de saúde pública que deve ser combatido por meio de frentes complementares orquestradas pelo poder público.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O aumento dos casos de dengue: previsível e exigente de ação pública

Gabarito: letra C. O editorial afirma que o aumento dos casos de dengue é esperado (previsível) e que, por isso, deve ser combatido por frentes complementares orquestradas pelo poder público. A passagem que ancora essa leitura está no último parágrafo: "O combate à dengue deve ser contínuo, não apenas no verão, e em várias frentes complementares (saúde, infraestrutura e moradia)". A alternativa C é a única que combina os dois núcleos da tese: a previsibilidade (esperado) e a necessidade de ação coordenada do Estado.

O comando: o que a banca pede

O enunciado pergunta "O editorial enfatiza que o aumento dos casos de dengue é...". Trata-se de uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, bastando localizar a paráfrase correta. Não há inferência a fazer — o candidato deve encontrar a alternativa que reescreve fielmente a ideia central do editorial, sem acrescentar nada de fora.

O texto: a tese do editorial

O editorial parte de um dado: a dengue é "doença periódica e cíclica" e, portanto, "de atuação previsível". A partir daí, critica a inação do poder público ("há décadas os números de casos e mortes só aumentam") e aponta causas estruturais (urbanização descontrolada, saneamento precário, desmatamento). A conclusão — e é nela que mora a resposta — é a tese: o combate deve ser contínuo e em várias frentes complementares, com o poder público se preparando para o El Niño. A palavra-chave é esperado, sinônimo de previsível, que aparece no primeiro parágrafo: "Trata-se, portanto, de enfermidade de atuação previsível".

A técnica: como testar cada alternativa

A pergunta decisiva é: o texto autoriza esta afirmação? Para a correta, a autorização é direta. Para as erradas, o erro é sempre o mesmo: ou extrapolam (acrescentam um juízo que o autor não emitiu, como "desesperador" ou "insignificante"), ou contradizem o texto (dizem que o poder público está dispensado de agir, quando o editorial cobra exatamente o contrário). Fique atento a adjetivos absolutos e a inversões de sentido — eles denunciam a distratora.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"...dispensando atenção sistemática das instâncias governamentais, uma vez que os picos epidêmicos têm sido satisfatoriamente controlados."

Erro: contradiz o texto. O editorial afirma que os números só aumentam ("há décadas os números de casos e mortes só aumentam no Brasil") e que o combate deve ser contínuo. Não há "dispensa de atenção" nem "controle satisfatório" — há crítica à ineficiência estatal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"...desesperador, aumentando a insegurança da população que se vê acuada nos picos epidêmicos da doença, mesmo com prevenção e tratamento."

Erro: extrapola. O texto não usa o adjetivo "desesperador" nem descreve a população como "acuada". O editorial é factual e propositivo, não apelativo. A alternativa acrescenta um tom emocional que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O combate à dengue deve ser contínuo, não apenas no verão, e em várias frentes complementares (saúde, infraestrutura e moradia)."

A alternativa C parafraseia exatamente a tese: o aumento é esperado (previsível) e o combate deve ser feito por frentes complementares orquestradas pelo poder público. A palavra "orquestradas" é uma paráfrase de "em várias frentes complementares" — o texto não usa o verbo, mas a ideia de coordenação está implícita na cobrança ao poder público. É a única que não acrescenta nem contradiz nada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"...improvável, o que dispensa o poder público de organizar os mecanismos de prevenção, como a vacinação da população com o imunizante japonês Qdenga."

Erro: contradiz o texto. O editorial diz exatamente o oposto: a dengue é previsível ("enfermidade de atuação previsível") e o poder público deve se organizar. Além disso, o texto critica a burocracia que protela a distribuição da Qdenga — não a dispensa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...insignificante, uma vez que as consequências do El Niño para a população não afetam o sistema de saúde, a infraestrutura e a moradia do país."

Erro: contradiz o texto. O editorial afirma que o poder público deve "se preparar para receber as consequências do fenômeno climático El Niño", o que implica impacto real. Chamar o aumento de "insignificante" é o oposto da preocupação expressa no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa adjetivos extremos ("desesperador", "improvável", "insignificante") para tentar te tirar do tom sóbrio do editorial. A correta é a que mantém o tom e a tese: previsível e exigente de ação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto diz isso literalmente, ou estou completando com o que eu acho?".

Gabarito: letra C.

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