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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185022
Banca
VUNESP
Órgão
TRF 3
Ano
2023
Cargo
TJ TRF3

Inteligência artificial: a era do “deus” máquina

 

No teatro grego antigo, quando não havia solução para um impasse, um ator interpretando uma divindade descia ao palco pendurado num guindaste, resolvia o problema e, assim, acabava a peça. Era o Deus ex-machina – o deus surgido da máquina. Com o avanço sem precedentes da inteligência artificial (IA), é justo pensar que, no mundo contemporâneo, a máquina é a própria deidade.

 

Para ela, nada parece impossível. Da confecção de discursos em segundos à criação de obras de arte; da identificação de medicamentos promissores ao diagnóstico preciso de doenças, tudo é resolvido pelo “deus algoritmo”. E, ao observar sua invenção “surgindo do guindaste”, o homem pode se perguntar qual lugar ocupará neste enredo. Segundo especialistas, porém, o perigo não está na criatura e, sim, no uso que o criador faz dela.

 

A inteligência artificial faz parte da rotina, ainda que não se perceba. O GPS que indica o percurso, a atendente virtual, o internet banking são exemplos de seu uso no dia a dia. Só que, até agora, ninguém temia os mecanismos de busca dos navegadores, os sistemas de reconhecimento facial dos condomínios ou a sugestão de filmes apresentadas pelosaplicativos de streaming.

 

Então, as máquinas começaram a gerar imagens perfeitas de pessoas inexistentes, escrever reportagens com acurácia, resolver enigmas matemáticos em frações de segundos, dirigir e voar sozinhas, elaborar defesas jurídicas e até “ler” pensamentos em experimentos científicos. A ponto de, em um editorial da revista Science, um grupo de cientistas pedir a moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética da IA.

 

A discussão sobre riscos e avanços da IA ultrapassa o campo da ciência da computação; é também filosófica. Já na Grécia Antiga, filósofos questionavam a essência da inteligência e se ela era um atributo somente humano.

 

Hoje, esse é um dos centros da discussão sobre IA: sistemas programados e alimentados por seres humanos poderão ultrapassar em astúcia seus criadores? Não, garante um dos maiores especialistas no tema, o cientista da computação francês Jean-Gabriel Ganascia, da Universidade de Sorbonne que, já em 1980, obteve mestrado em inteligência artificial em Paris.

 

(Paloma Oliveto, Inteligência artificial: a era do

‘deus’ máquina. https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   No desenvolvimento atual da inteligência artificial, o autor pondera que ela
  1. Aganhou notoriedade na vida cotidiana, mas já tinha ampla divulgação na Antiguidade, como mostra o exemplo do teatro grego.
  2. Batingiu limites preocupantes, de modo que um grupo de cientistas pediu moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética de seus usos.
  3. Cassombra a maioria das pessoas, ainda que sua disseminação seja incipiente e de impacto limitado nas tarefas comuns do dia a dia.
  4. Dtem criado soluções duvidosas para o dia a dia dos seres humanos, razão pela qual passa despercebida na maioria das vezes.
  5. Edeixou de ter importância pelos critérios da tecnologia, uma vez que o aspecto mais debatido tem sido suas nuances filosóficas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — atingiu limites preocupantes, de modo que um grupo de cientistas pediu moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética de seus usos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inteligência artificial: a era do “deus” máquina

Gabarito: letra B. O autor pondera que a IA atingiu limites preocupantes, a ponto de cientistas pedirem moratória de pesquisas até haver regulamentação ética. Essa ideia está explícita no 4º parágrafo, quando o texto afirma que, diante das novas capacidades das máquinas, “um grupo de cientistas pedir a moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética da IA”. A alternativa B é a única que parafraseia fielmente essa passagem, sem acrescentar ou suprimir informação.

O comando pede compreensão — “o autor pondera que ela” —, ou seja, exige localizar uma informação explícita no texto e reescrevê-la com outras palavras. Não se trata de inferir, deduzir ou interpretar além do que está escrito; a resposta mora em uma passagem específica. Por isso, o método é: ler o texto com atenção, identificar o trecho que trata do “desenvolvimento atual da IA” e comparar cada alternativa com o que está dito, palavra por palavra.

O texto desenvolve uma tese: a IA é poderosa e já faz parte da rotina, mas o perigo não está na máquina em si, e sim no uso que o homem faz dela. O 4º parágrafo é o ponto-chave: depois de listar as novas capacidades das máquinas (gerar imagens, escrever reportagens, resolver enigmas, dirigir, voar, elaborar defesas jurídicas, “ler” pensamentos), o autor registra a reação da comunidade científica: o pedido de moratória. É exatamente aí que mora a resposta.

A técnica que decide esta questão é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve reescrever o trecho do texto sem mudar o sentido, sem generalizar, sem acrescentar opinião e sem contradizer o que está dito. As distratoras falham justamente por extrapolar (acrescentar informação que o texto não traz), restringir (limitar o alcance com palavras como “maioria” ou “incipiente”) ou tangenciar (falar de assunto correlato, mas que o texto não abordou).

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando antes de ler as alternativas. “O autor pondera que” pede compreensão — a resposta está literal no texto. Se o comando fosse “infere-se”, você precisaria de uma pista para deduzir. Aqui, basta localizar e comparar.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a IA “já tinha ampla divulgação na Antiguidade, como mostra o exemplo do teatro grego”. O texto usa o teatro grego apenas como metáfora para introduzir o tema — o deus ex-machina é comparado à IA, mas não há nenhuma afirmação de que a IA era divulgada na Antiguidade. Isso é extrapolação: o texto não diz isso, o candidato é que completa com uma ideia que parece lógica, mas não está escrita.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia o 4º parágrafo:

“A ponto de, em um editorial da revista Science, um grupo de cientistas pedir a moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética da IA.”

O texto diz que as máquinas começaram a fazer coisas impressionantes e que isso levou cientistas a pedirem moratória (suspensão) das pesquisas até haver regulamentação ética. A alternativa B diz exatamente isso: “atingiu limites preocupantes, de modo que um grupo de cientistas pediu moratória de pesquisas até alguma regulamentação ética de seus usos”. É uma paráfrase fiel — não acrescenta, não restringe, não contradiz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a IA “assombra a maioria das pessoas, ainda que sua disseminação seja incipiente e de impacto limitado”. O texto não diz que a IA assombra a maioria das pessoas, nem que sua disseminação é incipiente ou de impacto limitado. Pelo contrário, o 3º parágrafo afirma que a IA “faz parte da rotina” e cita exemplos de uso cotidiano (GPS, atendente virtual, internet banking). A alternativa contradiz o texto ao dizer que o impacto é limitado, e extrapola ao falar em “assombro da maioria”.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a IA “tem criado soluções duvidosas para o dia a dia” e por isso “passa despercebida”. O texto não diz que as soluções são duvidosas; pelo contrário, o 3º parágrafo mostra que a IA é usada no dia a dia sem que as pessoas temam, mas não diz que as soluções são ruins. A palavra “duvidosas” é uma opinião embutida — o autor não avalia as soluções como duvidosas. Além disso, o texto não diz que a IA passa despercebida por causa disso; ela passa despercebida porque já faz parte da rotina, mas não por ser duvidosa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a IA “deixou de ter importância pelos critérios da tecnologia, uma vez que o aspecto mais debatido tem sido suas nuances filosóficas”. O texto não diz que a IA deixou de ter importância tecnológica; pelo contrário, o 4º parágrafo mostra que as capacidades tecnológicas são justamente o que preocupa os cientistas. O 5º parágrafo diz que a discussão “ultrapassa o campo da ciência da computação; é também filosófica”, mas isso não significa que o aspecto tecnológico perdeu importância. A alternativa extrapola e contradiz o texto.

Conclusão: a questão é de compreensão — a resposta está explícita no 4º parágrafo. A alternativa B é a única que parafraseia o texto sem acrescentar, restringir ou contradizer. As demais ou extrapolam (A, E), ou contradizem (C), ou embutem opinião (D).

Gabarito: letra B.

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