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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu185065
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2023
Cargo
IAC ( )

Desde o momento no qual uma comunidade se reuniu em volta de alguém – para que esse alguém falasse ou fosse ouvido – a ideia de teatro definiu-se como algo eterno. O documento incontestável da presença do teatro é o edifício que o abriga.

 

Toda vez que entro num teatro vazio, conhecido ou não, algo se apodera de mim numa integração inesperada, involuntária e profunda. A sala solitária, que foi abandonada depois de um êxito emocionante ou de um fracasso desolador, é um espaço que continua vibrando, que soma suas emoções a outros momentos equivalentes. Entrar na sala de um teatro abandonado significa provocar um clima de expectativas e perguntas que precisam de respostas inequívocas.

 

Qualquer espaço pelo qual transitou um momento dramático carrega consigo uma dimensão que reforça a cada dia seus valores enriquecidos pelo tempo.

 

Um teatro que seja teatro não precisa de dimensões físicas, não é feito de medidas lineares ou cúbicas; sua especialidade é a consequência do que lá foi colocado, das palavras que lá foram pronunciadas, dos gestos que lá foram desenhados. O edifício teatral viverá sempre de valores abstratos. A beleza que lá foi colocada será parâmetro para seu julgamento.

 

(Gianni Ratto, Prólogo. Em: J.C. Serroni, Teatros – uma memória do espaço cênico no Brasil. Adaptado)

Observe a passagem:

 

Um teatro que seja teatro não precisa de dimensões físicas, não é feito de medidas lineares ou cúbicas; sua especialidade é a consequência do que lá foi colocado, das palavras que lá foram pronunciadas, dos gestos que lá foram desenhados.

 

É correto afirmar que o trecho nela em destaque expressa, em relação ao trecho anterior, a ideia de

  1. Aexplicação, compatível com a conjunção “pois”.
  2. Bmodo, compatível com a conjunção “como”.
  3. Cfinalidade, compatível com a conjunção “para”.
  4. Dalternância, compatível com a conjunção “ou”.
  5. Ecomparação, compatível com a conjunção “como”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — explicação, compatível com a conjunção “pois”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de explicação entre orações: o valor do "pois"

Gabarito: letra A. O trecho destacado expressa explicação, pois a segunda parte da frase justifica a primeira: se o teatro "não precisa de dimensões físicas" é porque sua especialidade está no que foi colocado nele (palavras, gestos). Essa relação é compatível com a conjunção "pois" (explicativa), como se lê no trecho: "Um teatro que seja teatro não precisa de dimensões físicas, não é feito de medidas lineares ou cúbicas; sua especialidade é a consequência do que lá foi colocado". A banca pede que você identifique a relação semântica entre as duas partes do período, e a única alternativa que nomeia corretamente essa relação é a A.

O comando: o que a banca quer

A questão não pergunta o que o texto diz (compreensão literal), mas que relação lógica existe entre o trecho anterior e o trecho destacado. Isso é uma questão de coesão sequencial: os conectivos (ou a ausência deles) estabelecem relações de sentido entre as orações. Aqui, o ponto-e-vírgula substitui um conectivo, e você deve inferir qual seria o conectivo adequado. A banca oferece cinco conjunções típicas (pois, como, para, ou, como) e pede que você escolha a que melhor expressa a relação.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

O texto de Gianni Ratto defende que o teatro é um espaço de valores abstratos, não físicos. No parágrafo final, o autor afirma que um teatro "não precisa de dimensões físicas" e explica o porquê: "sua especialidade é a consequência do que lá foi colocado, das palavras que lá foram pronunciadas, dos gestos que lá foram desenhados". Ou seja, a segunda parte justifica a primeira — ela explica por que o teatro não depende de medidas. Essa é a relação de causa e consequência em sua forma explicativa: a segunda oração dá a razão da primeira.

A técnica: como identificar a relação de explicação

A relação de explicação ocorre quando uma oração justifica a outra, apresentando o motivo ou a razão do que foi dito. Conjunções típicas: pois, porque, porquanto, já que. No trecho, a segunda parte responde à pergunta "por quê?" — por que o teatro não precisa de dimensões físicas? Porque sua especialidade é o que foi colocado nele. Essa é a estrutura clássica de explicação.

Veja a diferença entre as relações:

Relação

Conjunção típica

Exemplo

Explicação

pois, porque

"Não precisa de dimensões, pois sua especialidade é o conteúdo."

Modo

como, conforme

"Fez o teatro como planejou."

Finalidade

para, a fim de

"Estudou para passar."

Alternância

ou, ora...ora

"Ou chora, ou ri."

Comparação

como, tal qual

"É belo como o sol."

No trecho, a segunda parte não indica como o teatro é, nem para que ele é, nem alternância entre duas opções, nem comparação com outra coisa. Ela simplesmente explica a afirmação anterior.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A relação é de explicação: a segunda parte justifica a primeira. A conjunção "pois" (explicativa) é compatível: "Um teatro que seja teatro não precisa de dimensões físicas, pois sua especialidade é a consequência do que lá foi colocado". O trecho destacado responde ao "por quê?" da afirmação anterior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A relação de modo indicaria como algo é feito ou acontece. No trecho, não há indicação de maneira — a segunda parte não diz "de que jeito" o teatro é. A conjunção "como" (modal) não se encaixa: "não precisa de dimensões, como sua especialidade..." não faz sentido. A alternativa tangencia o sentido, pois "como" também pode ser explicativo em alguns contextos, mas aqui não é o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A relação de finalidade expressa objetivo, com conjunção "para". No trecho, a segunda parte não indica a finalidade do teatro — ela indica a causa de sua natureza. "Não precisa de dimensões, para sua especialidade..." não estabelece uma relação de propósito, mas de justificativa. A alternativa extrapola ao atribuir uma intenção que o texto não menciona.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A relação de alternância expressa oposição entre opções, com conjunção "ou". No trecho, não há duas possibilidades em jogo — há uma afirmação e sua justificativa. "Não precisa de dimensões, ou sua especialidade..." não faz sentido lógico. A alternativa contradiz a relação real, que é de explicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A relação de comparação estabelece uma analogia entre dois elementos, com conjunção "como". No trecho, não há comparação entre teatro e outra coisa — há uma explicação do que torna o teatro especial. "Não precisa de dimensões, como sua especialidade..." não estabelece uma comparação, mas uma justificativa. A alternativa tangencia o sentido, pois "como" também pode ser comparativo, mas aqui não é o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece "como" em duas alternativas (B e E) para atrair quem confunde explicação com modo ou comparação. A chave é perguntar: a segunda parte responde a "por quê?" (explicação) ou a "de que jeito?" (modo) ou a "igual a quê?" (comparação)? Aqui, responde a "por quê?".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a relação entre orações, substitua mentalmente o ponto-e-vírgula por cada conjunção das alternativas e veja qual mantém o sentido. A que fizer sentido é a correta.

Conclusão: a relação entre o trecho anterior e o destacado é de explicação, pois a segunda parte justifica a primeira. A única alternativa que nomeia corretamente essa relação é a letra A, compatível com a conjunção "pois".

Gabarito: letra A

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