Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu185079
Banca
VUNESP
Órgão
CM Aparecida
Ano
2023
Cargo
Ag CI ( )
Assinale a alternativa em que a frase está em conformidade com a norma-padrão de concordância.
AA curiosidade das crianças manifestam-se mais acentuadamente até uma certa idade.
BHouve épocas em que as coisas malfeitas não tinham vez em qualquer ambiente.
CInterromper a leitura do pai com perguntas era um dos hábitos corriqueiro do garoto.
DOs serviçais de um castelo têm bastante protocolos a seguir, ainda mais diante do rei.
EMuitos chefes precisam interferirem quando o funcionário não tem bom desempenho.
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GabaritoB — Houve épocas em que as coisas malfeitas não tinham vez em qualquer ambiente.
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Concordância verbal e nominal: a frase que respeita a norma-padrão
Gabarito: letra B. A única frase inteiramente correta é a B, porque nela o verbo haver é usado como impessoal (sentido de “existir”) e fica sempre no singular — “Houve épocas” —, e o restante da frase mantém a concordância adequada. As demais alternativas violam a norma em pontos específicos: concordância verbal com sujeito posposto, concordância nominal com expressão partitiva, uso de “bastante” como advérbio e locução verbal com infinitivo flexionado.
O comando
A questão pede que você identifique a frase em conformidade com a norma-padrão de concordância. Isso significa que você deve analisar cada alternativa sob dois ângulos: concordância verbal (verbo concorda com o sujeito em número e pessoa) e concordância nominal (artigo, adjetivo, pronome e numeral concordam com o substantivo em gênero e número). Não há texto-base; a tarefa é puramente gramatical, aplicando as regras da norma culta.
O que é concordância e por que ela importa
Concordância é a correspondência de flexão entre dois termos. Na concordância verbal, o verbo se flexiona em número e pessoa para concordar com o sujeito: sujeito singular → verbo singular; sujeito plural → verbo plural. Na concordância nominal, o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral se flexionam em gênero e número para concordar com o substantivo a que se referem. A norma-padrão exige que essas relações sejam respeitadas, e a banca VUNESP adora testar casos especiais — como o verbo haver impessoal, o sujeito posposto, as expressões partitivas e as palavras que mudam de classe conforme o contexto.
A técnica que decide
Para cada frase, faça duas perguntas: 1) Qual é o sujeito do verbo? O verbo concorda com ele? 2) Os determinantes (artigos, adjetivos, pronomes, numerais) concordam com o substantivo a que se referem? Quando a frase tem um verbo impessoal (como haver no sentido de existir), o verbo fica sempre no singular, pois não há sujeito para flexioná-lo. Quando há uma expressão partitiva (como “um dos que”), o verbo pode concordar com o núcleo da expressão ou com o termo seguinte — mas o adjetivo deve concordar com o substantivo a que se refere. Palavras como bastante podem ser advérbio (invariável) ou adjetivo (variável), e é preciso identificar a classe no contexto. Por fim, em locuções verbais, o verbo auxiliar é que flexiona; o principal fica numa forma nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio) — e o infinitivo não se flexiona quando integra uma locução.
Análise das alternativas
Concordância
1Verbal (verbo × sujeito)
Sujeito simples → verbo no singular
Verbo impessoal (haver = existir) → sempre singular
Locução verbal → só o auxiliar flexiona
2Nominal (determinante × substantivo)
Adjetivo concorda com o substantivo
Expressão partitiva (um dos que) → adjetivo no plural
“A curiosidade das crianças manifestam-se mais acentuadamente até uma certa idade.”
O erro está na concordância verbal. O sujeito é “A curiosidade das crianças” — o núcleo é “curiosidade”, singular. O verbo “manifestam-se” está no plural, mas deveria estar no singular: “A curiosidade das crianças manifesta-se”. A banca coloca o verbo antes do sujeito e insere um adjunto (“das crianças”) para confundir, mas o núcleo continua singular. Erro: contradiz a regra de concordância verbal com sujeito simples.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Houve épocas em que as coisas malfeitas não tinham vez em qualquer ambiente.”
A frase está correta. O verbo “houve” é impessoal — tem sentido de existir — e, por isso, fica sempre no singular, mesmo seguido de um plural (“épocas”). O restante da frase mantém a concordância: “as coisas malfeitas” (plural) com “não tinham” (plural) e “vez” (singular) com “qualquer ambiente” (singular). Não há nenhum desvio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Interromper a leitura do pai com perguntas era um dos hábitos corriqueiro do garoto.”
O erro está na concordância nominal. A expressão “um dos hábitos” exige que o adjetivo “corriqueiro” concorde com “hábitos” (plural), pois se refere a ele. O correto seria “um dos hábitos corriqueiros”. A banca explora a confusão com o núcleo “um”, mas o adjetivo se liga ao substantivo plural. Erro: contradiz a concordância nominal com expressão partitiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Os serviçais de um castelo têm bastante protocolos a seguir, ainda mais diante do rei.”
O erro está no uso de “bastante”. Aqui, “bastante” modifica o substantivo “protocolos” — portanto, é adjetivo e deve concordar em número: “bastantes protocolos”. Se fosse advérbio (modificando verbo, adjetivo ou outro advérbio), ficaria invariável — mas não é o caso. Erro: contradiz a concordância nominal de “bastante” como adjetivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Muitos chefes precisam interferirem quando o funcionário não tem bom desempenho.”
O erro está na locução verbal. O verbo auxiliar “precisam” já está flexionado no plural; o verbo principal “interferir” deve ficar no infinitivo impessoal — “interferir”, não “interferirem”. O correto é “Muitos chefes precisam interferir”. Erro: contradiz a regra de locução verbal com infinitivo não flexionado.
Conclusão
A única frase que respeita integralmente a norma-padrão é a B, pois o verbo haver impessoal fica no singular e todas as demais concordâncias estão corretas. As outras alternativas erram em pontos específicos: sujeito posposto (A), adjetivo com partitiva (C), “bastante” adjetivo (D) e infinitivo flexionado em locução (E).
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar concordância, sublinhe o núcleo do sujeito e o substantivo a que o adjetivo se refere antes de julgar. A banca adora intercalar adjuntos para esconder o núcleo.