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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185080
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Birigui
Ano
2023
Cargo
Educ ( )

Começou há algumas semanas, quando me gabei, em texto anterior a este, de ter sido um grande chutador de tampinhas, daquelas de refrigerante, soltas nas calçadas. Dias depois, um leitor me escreveu e perguntou se eu era capaz de bater com o sapato na borda da tampinha, fazê-la subir e matá-la no peito do pé. Humilhado, tive de confessar que não. E, agora, outro leitor, para minha vergonha suprema, escreve para dizer que no peito do pé era fácil − ele queria ver era se o sujeito fazia, como ele, a tampinha pousar no lado do pé. Tudo isso porque observei que, por falta das próprias, ninguém mais chuta tampinhas pelas ruas.


Muita coisa deixou de existir por falta de matéria-prima. Continua a chover, mas não se usam mais galochas. Ninguém mais sopra chicletes de bola. Ninguém mais usa boina, só boné, e, mesmo assim, ao contrário. Artigos de primeira necessidade como o mata-borrão e a espátula para abrir cartas deixaram de existir. Ninguém mais lambe selos para pregar no envelope. Eu próprio há anos não lambo um selo enão escrevo ou recebo uma carta.


Em compensação, coisas há muito dadas como extinta sestão voltando espetacularmente. Uma delas é o bigodinho,fora de moda há uns 70 anos. Os garotos voltaram a jogar bafo com as figurinhas. E até o estrogonofe voltou.


(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2023/08/o-que-
-sumiu-e-o-que-voltou.shtml. Acesso em 08.08.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   De acordo com o 1º parágrafo do texto, é correto afirmar que
  1. Aleitores pediram ao autor que voltasse a escrever sobre hábitos abandonados pelas pessoas, como chutar tampinhas.
  2. Bo autor não realizava com tampinhas de garrafa as manobras que dois leitores lhe disseram ser possível realizar.
  3. Co autor decidiu não mais ler cartas de leitores, pois estas o obrigavam a retomar assuntos de textos anteriores.
  4. Ddois leitores foram violentos com o autor ao debocharem de suas habilidades com tampinhas de garrafa.
  5. Ea falta de tampinhas de refrigerantes nas ruas tem relação com a ampliação dos serviços de coleta de lixo reciclável.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o autor não realizava com tampinhas de garrafa as manobras que dois leitores lhe disseram ser possível realizar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão do 1º parágrafo: o autor e as manobras com tampinhas

Gabarito: letra B. A alternativa correta é a única que parafraseia fielmente o que está escrito no 1º parágrafo: o autor confessa que não consegue realizar as manobras que os dois leitores descreveram — bater com o sapato na borda da tampinha e fazê-la pousar no peito do pé, e depois no lado do pé. A passagem que ancora isso é: "Humilhado, tive de confessar que não" e "outro leitor, para minha vergonha suprema, escreve para dizer que no peito do pé era fácil − ele queria ver era se o sujeito fazia, como ele, a tampinha pousar no lado do pé". As demais alternativas extrapolam o texto, acrescentando motivações, pedidos e relações que não estão nele.

O comando pede compreensão ("De acordo com o 1º parágrafo"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase de uma informação explícita — não uma inferência, nem uma dedução baseada em pistas. Isso muda tudo: a alternativa correta precisa estar literalmente sustentada por um trecho do parágrafo, sem que o leitor acrescente nada de fora. A técnica é: localizar a informação no texto e comparar com cada alternativa, verificando se ela diz exatamente o que o texto diz, sem exageros, sem restrições e sem opiniões embutidas.

O 1º parágrafo narra uma sequência: o autor se gabou de chutar tampinhas; um leitor perguntou se ele conseguia bater com o sapato na borda, fazê-la subir e matá-la no peito do pé; o autor confessou que não; outro leitor disse que no peito do pé era fácil, e queria ver se o sujeito fazia a tampinha pousar no lado do pé. O autor termina observando que ninguém mais chuta tampinhas por falta delas. A informação central é a incapacidade do autor de realizar as manobras descritas — e é exatamente isso que a alternativa B afirma.

A armadilha central desta questão é a extrapolação: a banca cria alternativas que parecem plausíveis, mas que acrescentam informações que não estão no texto. Por exemplo, a alternativa A diz que os leitores "pediram ao autor que voltasse a escrever sobre hábitos abandonados", mas o texto não menciona nenhum pedido — os leitores apenas perguntaram sobre manobras com tampinhas. A alternativa C inventa uma decisão do autor de não ler cartas, e a D atribui violência aos leitores, quando o texto fala em "vergonha" e "humilhação" do autor, não em agressão. A E cria uma relação com coleta de lixo reciclável, que não aparece em lugar nenhum.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife o comando ("de acordo com o texto") e desconfie de alternativas que tragam motivações, causas ou consequências que o texto não menciona. A resposta correta é sempre uma reescritura do que está escrito, sem acréscimos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os leitores "pediram ao autor que voltasse a escrever sobre hábitos abandonados". O texto não diz isso: os leitores perguntaram se o autor era capaz de realizar manobras com tampinhas, não pediram que ele escrevesse sobre hábitos abandonados. Há uma extrapolação — a banca inventa um pedido que não existe. O trecho "um leitor me escreveu e perguntou se eu era capaz" mostra que houve uma pergunta, não um pedido de retomada de tema.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia o núcleo do 1º parágrafo: o autor não realiza as manobras que os leitores descreveram. O texto diz: "Humilhado, tive de confessar que não" (sobre a manobra no peito do pé) e, sobre a manobra no lado do pé, o autor não afirma que consegue — apenas relata o desafio do leitor. A alternativa diz "o autor não realizava com tampinhas de garrafa as manobras que dois leitores lhe disseram ser possível realizar", o que é uma paráfrase fiel da confissão do autor. Não há acréscimo, restrição ou opinião embutida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa inventa que o autor "decidiu não mais ler cartas de leitores". O texto não menciona nenhuma decisão desse tipo. O autor apenas relata que recebeu cartas e respondeu a elas (confessando sua incapacidade). Há uma extrapolação — a banca cria uma consequência que não está no texto. O trecho "Dias depois, um leitor me escreveu" mostra que o autor leu a carta, não que decidiu não ler mais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os leitores "foram violentos com o autor ao debocharem de suas habilidades". O texto não diz que houve violência ou deboche. O autor usa as palavras "humilhado" e "vergonha suprema", mas isso expressa o sentimento do autor, não uma ação violenta dos leitores. Há uma extrapolação — a banca transforma um sentimento em uma ação agressiva. O trecho "Humilhado, tive de confessar que não" mostra o estado emocional do autor, não a conduta dos leitores.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa cria uma relação entre a falta de tampinhas e a "ampliação dos serviços de coleta de lixo reciclável". O texto apenas diz: "por falta das próprias, ninguém mais chuta tampinhas pelas ruas" — ou seja, a falta de tampinhas é a causa de ninguém chutá-las, mas o texto não explica por que faltam tampinhas. A alternativa extrapola ao atribuir a causa à coleta de lixo reciclável, informação que não está no texto. É uma fuga ao tema — a banca introduz um assunto (reciclagem) que não é abordado.

Conclusão: a questão testa a habilidade de localizar informação explícita e reconhecer a paráfrase correta. A alternativa B é a única que se sustenta integralmente no texto, sem acréscimos. As demais extrapolam ao acrescentar motivações, decisões, violência e causas que não estão no 1º parágrafo. Lembre-se: em compreensão, a resposta mora no texto — se você precisou imaginar algo para a alternativa fazer sentido, ela está errada.

Gabarito: letra B

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